Retrato de Luís Lavoura

Segundo esta notícia - à qual eu não sei se devo dar credibilidade - o ministro das Finanças grego considera forçar os gregos a usarem uma moeda informática, a bitcoin, abandonando o euro. As transações monetárias na Grécia passariam a ser feitas de forma inteiramente informática, através de um cartão de débito computerizado. Deixaria de haver notas e moedas. Como bónus de tal sistema, todas as transações efetuadas ficariam registadas nos computadores do ministério das Finanças grego, pelo que a fuga ao fisco seria em grande parte eliminada. A corrupção também seria muito dificultada. Sem dinheiro vivo a circular, a fuga ao fisco e a corrupção tornam-se muito difíceis! Matam-se muitos coelhos com uma cajadada.

Retrato de Luís Lavoura

Cheira muito mal, esta história dos erros na contagem dos votos nas eleições regionais da Madeira.

Ao que parece, primeiro esqueceram-se de incluir os votos da ilha de Porto Santo. Bonito. Espantoso. Perdem-se todos os votos de uma dada circunscrição eleitoral. Desaparecem. Esfumam-se. Isto é admissível?

Depois recontam os votos e encontram erros. Mas os erros não se devem a votos nulos que afinal são contados para um partido, ou vice-versa; não, os erros devem-se a um "erro informático". Sem mais explicações. Eu pergunto, que raio de erro informático é esse que dá votos a um partido e os tira a outro?

Depois deste episódio, perco completamente a confiança na Comissão Nacional de Eleições. Não se pode ter confiança numa entidade que perde os votos todos de uma circunscrição eleitoral. Não se pode ter confiança numa entidade que tem um programa informático que engole os votos de um partido e os transforma em votos de outro.

Não vale a pena ir votar.

Retrato de Luís Lavoura

A ANA, empresa que gere todos os aeroportos portugueses, aumentou o seu cash flow em 50%, fruto de um ligeiro aumento do número de passageiros nos aeroportos e de um aumento muito substancial nas taxas aeroportuárias por passageiro.

A gestão dos aeroportos portugueses, sem regulação estatal, revela-se assim uma cash cow: uma vaca leiteira, que basta ordenhar para se obter bom leitinho. Fruto da atratividade de Portugal, da boa gestão da TAP, e das opções das low cost, à ANA basta explorar os passageiros que querem utilizar os aeroportos portugueses. Eles não têm opções - o único limite à voracidade da ANA são os aeroportos espanhóis, os quais não são um perigo enquanto a Iberia não fôr tão bem gerida como a TAP e enquanto Portugal fôr um destino mais atraente que Espanha.

A ausência de concorrência gera cash cows.

Retrato de Luís Lavoura

Daqui:

Há algo de errado neste país, os nossos idosos não querem descansar e, enquanto na China a liderança já vai apresentando gente de meia idade, por cá os nossos cotas agarram-se ao poder com unhas e dentes. Na América os grandes empresários vendem ou passam aos filhos o que ganharam, dão metade a fundações e vão gozar a vida para a Florida, por cá arrastam-se até que a Parkinson ou o Alzheimer lhes diga basta.

Há qualquer coisa de errado quando de um lado se acusa o sistema de não respeitar a terceira idade, de exigir que se trabalhe para além dos 65 anos e, do outro lado, vemos cada vez mais idosos a serem protagonistas na comunicação social, na política e até nos duelos eleitorais, pior ainda, alguns dos mais idosos assumem mesmo um papel de liderança. Na banca temos (ou tínhamos) figuras como Ricardo Salgado (71 anos) e Jardim Gonçalves (79 anos), na comunicação social temos Manuela Ferreira Leite (74) e Medina Carreira (74), na política activa temos Henrique Neto (79) e Mário Soares (85), no mundo empresarial temos Belmiro de Azevedo (77), Américo Amorim (80) e Alexandre Soares dos Santos (80). A lista poderia prosseguir, mas estes nomes são suficientes para percebermos como esta geração de octogenários tem um grande pesos na gestão dos destinos do país e mesmo na opinião pública. [...]

É evidente que não podemos decretar uma idade de reforma ou proibir um idoso, ainda por cima alguns deles são os mais ricos deste país de pobres, a ficarem calados ou a darem o lugar aos outros. Mas a verdade é que em muitas empresas são impostos limites de idade e na Administração Pública só mesmo a título excepcional se permite que alguém trabalhe para além dos 70 anos. Um bom exemplo deste fenómeno foi a apresentação da candidatura [...] de Henrique Neto. [...] Vimos um cota falar para uma plateia de cotas, onde se notava Arnaldo Matos, o homem que se autointitulava grande educador do proletariado. [...]

Quantos jovens com menos de 30 anos têm paciência para ver as caretas assustadoras de Manuela Ferreira Leites, os vómitos de ódio de Henrique Neto, as loucuras de Mário Soares, o discurso moralista do merceeiro que fugiu para a Holanda ou os anúncios dos cataclismos do Medina Carreira. Esta gente não percebe que já não diz nada a uma boa parte dos portugueses e que o domínio que exercem na política, nas academias ou na comunicação social só serve para impedir o aparecimento de gente mais jovem, com novas ideias, novos conceitos estéticos, novas soluções. [...]

Não é só o governo que está dizendo aos nossos jovens que estão a mais em Portugal, uma boa parte da sociedade portuguesa está impondo ao país um modelo político económico gerido por idosos porque a desconfiança em relação à aptidão dos jovens é uma mania muito portuguesa. Neste [país] dizemos sempre cobras e lagartos, não admira que a geração que recomenda a terceira classe antiga insista em não abandonar o poder e quando isso suceder os que os substituírem estarão tão velhos quanto eles e teimosos como de costume.

Retrato de Luís Lavoura

A ministra das Finanças veio finalmente reconhecer a verdade evidente que há alguns meses negava: que os prejuízos causados pelo Espírito Santo (o banco e o grupo) terão que ser suportados pelos portugueses. Não na sua qualidade de contribuintes mas na sua qualidade de detentores de depósitos bancários e de detentores de ações e/ou obrigações (e/ou papel comercial) dos bancos portugueses. Nas suas palavras: "O que t[iv]emos [foram] opções que permi[tira]m [...] decidir a quem s[eriam] alocados [os] custos."

Uma vez que o dinheiro não cresce nas árvores, havendo custos, e não tendo sido declarada a falência do Banco Espírito Santo, esses custos teriam que ser pagos. Podiam ter sido pagos pelos contribuintes. Mas o governo (ou o Banco de Portugal, ou ambos) decidiu que eles seriam pagos por todos os bancos portugueses. Ou seja, pelos depositantes nesses bancos e pelos acionistas desses bancos. Os quais, ao fim e ao cabo, são praticamente os mesmos que os contribuintes.

Podia-se ter declarado a falência do Banco Espírito Santo. Isso eliminaria os custos. Não o tendo feito, alguém teria que pagar essas custos - nós.

Retrato de Luís Lavoura

Daqui:

"Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem." Só agora é que consegui ler e fiquei-me por alguns excertos. A justiça portuguesa decidiu privar um homem [José Sócrates] da sua liberdade e fundamentou a decisão com um ditado popular. Como um pastor faria na taberna. Concluem que as amizades se medem em euros e acrescentam que um empresário acumula capital. Não é bem um acordão. É um texto de opinião. Com mais adjetivos e pontos de exclamação que um editor de jornal de liceu alguma vez admitiria. Quem cabritos vende e cabras não tem...isto é um tribunal. [...] A maldade sem arte num juíz de direito é perigosa. Até compreendo que o pastor remate o assunto com um português "é bem feita" mas é suposto existirem uns senhores de toga que são educados e pagos para ir além do "é bem feita". O tema não é a liberdade de José Sócrates. É a forma como tratamos a nossa liberdade. E isso estar entregue a um coletivo de pastores devia aterrorizar qualquer pessoa de bem.

Retrato de Luís Lavoura

Vai hoje ser discutida na Assembleia da República legislação no sentido de diminuir a liberdade que os bancos têm de fixar comissões de manutenção de contas à ordem. Segundo se argumenta, essas comissões têm crescido rapidamente nos últimos anos, sendo atualmente demasiadamente altas para muitos clientes. Ao que parece, a maioria parlamentar quer que os bancos apenas possam cobrar comissões por serviços prestados, mas não pela própria manutenção da conta à ordem.
Há que entender que os bancos cobram cada vez mais comissões porque a taxa de juro é atualmente tão baixa. Há trinta anos, quando a inflação era de 10%, os bancos lucravam só por terem o nosso dinheiro guardado neles. Mas hoje, quando a inflação e a taxa de juro são basicamente nulas, os bancos não lucram nada em terem lá o nosso dinheiro. É por isso que cobram comissões. E essas comissões são necessariamente tanto mais altas quanto mais baixa fôr a taxa de juro. Não há outra forma de um banco sustentar a sua infrastrutura!
A maioria parlamentar deve entender que a própria existência de uma conta à ordem já é um serviço que o banco nos presta. O banco guarda nele o nosso dinheiro em segurança, e isso é um serviço. O banco processa os pagamentos que nos fazem e que nós fazemos, e isso é outro serviço. O banco fornece-nos extratos mensais que nos permitem saber todas as movimentações de dinheiro que fizemos, e isso é outro serviço.
Portanto, a mim parece-me que os bancos devem ser livres de cobrar as comissões de manutenção que bem entendem. As pessoas que acham que essas comissões são demasiadamente elevadas podem prescindir de ter conta bancária, e não tardarão a entender quão vasto é o serviço que os bancos prestam apenas com as contas à ordem. Lembram-se do tempo do dinheiro guardado em casa debaixo de colchões, dos vales de correio para efetuar pagamentos, dos cheques em que se recebia o salário? Podemos voltar a esse tempo se não tivermos conta bancária, mas certamente que isso nos sairá muito mais caro, em tempo e em dinheiro, do que ter uma conta.

Retrato de Luís Lavoura

A Islândia retirou a sua candidatura à União Europeia.

Cada vez mais, só têm interesse em aceder à União Europeia países financeiramente fracos e inseguros de si mesmos ou do seu regime político, como a Croácia ou a Sérvia ou a Ucrânia. (Tal como Portugal aderiu em 1985 essencialmente para consolidar o seu regime político.) Países fortes e serguros de si mesmos, como a Islândia ou a Noruega ou a Suíça, entendem que a União Europeia nada lhes pode dar e só lhes poderia retirar.

A Islândia fez, evidentemente, muito bem. Como se viu desde a crise financeira, os islandeses sabem governar-se a si mesmos muito melhor do que os europeus. Em grande parte, porque constituem uma comunidade verdadeiramente democrática.

Retrato de Luís Lavoura

A situação económica na Venezuela deteriora-se de mês para mês.

É algo a que não podemos estar indiferentes, dadas as centenas de milhares de portugueses (alguns deles familiares, longínquos, meus) que vivem nesse país.

É certo que muitos desses portugueses o são apenas de cidadania e nunca viveram em Portugal. Mas têm o direito de para cá virem, quando o desejarem. E admira-me que não o estejam já a fazer, dada a situação de terrível insegurança, económica mas até também física, que reina na Venezuela.

Não me admiraria que Portugal enfrentasse em breve um retorno maciço de emigrantes, não muito diferente, até em número, da vaga de refugiados que veio de África em 1975.

Não sei, porém, se nos devemos assustar ou congratular com tal perspetiva. Tal como os refugiados de África (vulgarmente conhecidos como "retornados") se integraram relativamente depressa na sociedade portuguesa e constituíram, de facto, uma importante fonte de dinamismo económico para o país, também os eventuais refugiados da Venezuela poderão integrar-se muito bem e introduzir sangue novo na economia e na demografia estagnadas do país.

Retrato de Luís Lavoura

A alocução de Cavaco Silva na qual defendeu que o próximo Presidente da República deverá ser uma pessoa especialmente conhecedora da política internacional tem um objetivo preciso: descartar uma eventual candidatura de Santana Lopes. Essa alocução tem o mesmo significado profundo de uma outra do mesmo Cavaco Silva, em tempos idos, na qual sugeriu que Santana Lopes seria a "má moeda" que afastava de circulação, de acordo com a "Lei de Gresham", a "boa moeda".

Cavaco Silva vê agora a má moeda em vias de se candidatar a Presidente da República e, tal como fez há muitos anos, faz uma alocução traiçoeira, em código cifrado, para deter essa má moeda.

São recados de Cavaco Silva ao PSD e o povo português não lhes deve ligar muita atenção.