Retrato de Luís Lavoura

É natural que o Bloco de Esquerda queira criar (ou aumentar) um imposto especial sobre os lucros de empresas acima de um determinado valor. O Bloco de Esquerda é um partido comunista e é sabido que os comunistas têm aversão a grandes empresas, a não ser que elas sejam estatais. Os comunistas têm dificuldade em entender o facto elementar de que, se queremos ter grandes realizações, então grandes empresas são necessárias. No mundo ideal dos comunistas, todas as empresas privadas são individuais ou de dimensão mínima - tipo, um cabeleireiro ou uma oficina de reparação de bicicletas. Mas, é evidente que não se vai a lado nenhum somente com empresas de tal dimensão.

Toda e qualquer distinção, fiscal ou burocrática, que aumente as dificuldades ao crescimento de uma empresa privada é, portanto, benvinda para um comunista. Uma empresa que tenha mais trabalhadores ou mais lucros deve ser castigada - na fiscalidade, na burocracia, em tudo - por esse facto. O Estado deve travar o crescimento das empresas. As empresas devem ser penalizadas por crescerem e premiadas por encolherem. Como muito bem o Partido Comunista passa a vida a dizer, as "microempresas" (os cabeleireiros, as oficinas de reparação de bicicletas) é que são boas. Tudo o resto deve ser penalizado, castigado e, em última instância, nacionalizado.

Como é evidente, eu, que sou anticomunista, rejeito esse ponto de vista.

Retrato de Luís Lavoura

A acusação contra José Sócrates e muitas outras pessoas é um monstro jurídico que, ou me engano muito, ou tem grande probabilidade de apenas conter acusações insuficientemente provadas e que não conduzirão a qualquer condenação. Uma dúvida legítima foi levantada ontem por Jair Ratner num debate na Antena 1: com que fundamento e cabimento é que certas empresas, nomeadamente o Grupo Lena, são acusadas, enquanto que outras empresas, nomeadamente o Banco Espírito Santo, não são? Como pode a empresa Grupo Lena ser criminosa? A prática de crimes deveria ser imputada apenas a pessoas, nomeadamente os administradores do Grupo Lena, e não a empresas. Como pode a empresa Grupo Lena ser criminosa e a empresa Banco Espírito Santo não o ser?

Retrato de Luís Lavoura

O relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande, pelo que ouvi nas notícias,

(1) Contraria a ideia, propagada por algumas pessoas, de que foi um erro as autoridades terem impedido a circulação no IC8; o encerramento do IC8 nada teve a ver com as mortes ocorridas.

2) Desmente a ideia, propagada por algumas pessoas, de que teria sido aconselhável, e viável, impedir a ciculação na EN 236-1 (a "estrada da morte"). As pessoas que morreram estavam praticamente todas em aldeias a leste dessa estrada e tentaram fugir por ela. Se se tivesse colocado guardas a impedir o acesso das estradas secundárias à EN 236-1, não somente isso não teria impedido as pessoas de procurar fugir por ela, como com toda a probabilidade os guardas teriam morrido queimados também.

3) Afirma a ideia de que, com grande probabilidade, (muitas d)as pessoas que morreram não teriam morrido se, em vez de tentarem fugir de carro, tivessem permanecido bem fechadas em suas casas. As pessoas morreram queimadas mas as suas casas não arderam. Uma casa bem construída (sem madeira, com o telhado limpo de carumas e assente em betão, com janelas metálicas) protege bastante bem contra o fogo.

Retrato de Luís Lavoura

Muito barulho político foi feito em Portugal a propósito dos incêndios deste verão, especialmente o de Pedrógão Grande, onde 64 pessoas morreram.

Agora, na Califórnia, supostamente um dos Estados mais ricos do planeta, fogos devastam (em outubro!) zonas residenciais inteiras, muitas centenas de casas são destruídas, e as autoridades dizem que pelo menos 17 pessoas (mas provavelmente mais!) morreram.

Felizmente, em Portugal ardem mais eucaliptos do que casas.

Retrato de Luís Lavoura

As grandes empresas que têm sede na Catalunha estão a transferir essa sede para fora da Catalunha. Têm medo de que a Catalunha fique fora da União Europeia quando (e se) declarar independência. Porém, esse receio é injustificado. Com efeito, a Catalunha só ficará fora da União Europeia se (e quando) uma maioria de Estados da União Europeia reconhecer a independência dela. Ou seja, não basta que o governo catalão declare a independência, é preciso também que essa independência seja formalmente reconhecida pelos Estados da União Europeia. E estes não o farão, evidentemente, enquanto o Estado espanhol não o fizer também (de alguma forma). (Não se põe fora da União um país cuja existência nem sequer se reconhece!)

Ou seja, quem porá a Catalunha fora da União Europeia não será o governo catalão, quando declarar a independência, mas sim o governo espanhol, quando reconhecer essa independência. Coisa que, evidentemente, não acontecerá facilmente nem rapidamente.

Retrato de Luís Lavoura

Os nacionalistas catalães insistem que querem "dialogar" ou "negociar" com o governo de Madrid. Este último recusa-se a dialogar ou negociar. Por quê? Três razões:

(1) O governo de Madrid está politicamente muito dependente dos nacionalistas espanhóis, isto é, dos centralistas. Estes últimos são muito maioritários na direita espanhola, representada pelo PP. Se o governo de Madrid negociasse qualquer coisa de substancial com os catalães, seria acusado de "traição" pelos seus apoiantes nacionalistas espanhóis. É que, o problema nesta questão não é somente o nacionalismo catalão, é também o nacionalismo espanhol, ou seja, o centralismo.

(2) Espanha tem muitas regiões autonómicas além da Catalunha, do País Basco e da Galiza. Qualquer concessão à Catalunha, especialmente em matéria de autonomia fiscal, poderá depois ser reivindicada por outras regiões mais ricas, em particular Navarra e País Valenciano. Se Espanha conceder autonomia fiscal a todas as suas regiões mais ricas, fica sem dinheiro para distribuir pelas mais pobres (Andaluzia, Extremadura).

(3) Espanha está com sérios problemas de dívida e défice públicos. Nestas condições, é muito difícil para o Estado central conceder autonomia fiscal à sua região mais rica (em termos absolutos). E não tenhamos ilusões, aquilo que, em última análise, os catalães desejam, é autonomia fiscal, ou seja, que o dinheiro que é pago em impostos na Catalunha permaneça na Catalunha.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem fui a um concerto. Antes de ele começar, servi-me da casa de banho. Como de costume, à porta da casa de banho das mulheres havia uma fila de gente à espera. Espreitando para dentro dessa casa de banho (os construtores portugueses têm quase sempre a arte de fazerem casas de banho com um supremo grau de privacidade, que permitem a qualquer um espreitar lá para dentro), vi que tinha três sanitas. A dos homens, tinha duas sanitas e dois urinóis.

Eu não entendo esta falta de lógica das casas de banho. Metade da população são mulheres. De onde, nas casas de banho deveria haver pelo menos tantas sanitas para as mulheres quanto há sanitas e urinóis (tudo junto) para os homens. Assim, se a casa de banho dos homens tem duas sanitas e dois urinóis, a das mulheres deveria ter, no mínimo, quatro sanitas - não somente três. Mas, por diversos motivos, as mulheres demoram mais tempo a fazer as suas necessidades do que os homens, pelo que, de facto, o número de sanitas destinadas às mulheres deveria ser, talvez, 50% superior ao número de sanitas e urinóis destinados aos homens.

As casas de banho públicas deveriam ser semple planeadas com a casa de banho das mulheres com, pelo menos, o dobro da superfície da dos homens. Se para os homens bastam uma sanita e um urinol, para as mulheres são precisas quatro sanitas. Se para os homens é preciso acrescentar um urinol extra, então para as mulheres devem ser adicionadas duas sanitas extra.

Só assim deixará de haver bichas para a casa de banho das mulheres. Ou, pelo menos, as bichas para a dos homens serão do mesmo tamanho que para a das mulheres.

Igualdade não é fazer para os homens e para as mulheres casas de banho com áreas iguais. Igualdade é permitir que homens e mulheres tenham o mesmo tempo, ou a mesma falta dele, para fazerem em descanso as suas necessidades.

Retrato de Luís Lavoura

Ouvi ontem na televisão o camarada Bernardino Soares, presidente da Câmara de Loures, gabar-se de, graças ao serviço de investimento por ele criado na Câmara, ter já conseguido que muitas dezenas de empresas investissem no concelho de Loures, criando muitos postos de trabalho. Fquei chocado.

Então o camarada Bernardino acha que é assim, fomentando a instalação de empresas capitalistas, que se melhora a condição dos trabalhadores? Não vê o camarada Bernardino que essas empresas que ajudou a instalar em Loures estão a explorar cruelmente o povo do município? Ou será que o camarada Bernardino teve o cuidado de fomentar apenas a instalação de microempresas, as únicas (conjuntamente com as empresas estatais) de que o Partido gosta?

A mim parece-me que o camarada Bernardino está a trair o povo e a fomentar a exploração capitalista. Rua com ele!!!

Retrato de Luís Lavoura

É isto que eu respondo aos enfermeiros que reivindicam um aumento generalizado de salário de 400 euros para todos eles.

Sabem que o salário médio em Portugal é de 800 euros? Querem, só de acréscimo, metade disso? Vão roubar para a estrada!!!

Ou então, façam como muitos dos vossos congéneres: emigrem para o Reino Unido (enquanto podem). Lá ganharão esses 400 euros a mais, certamente. A expensas dos contribuintes britânicos. De nós, não!