Retrato de Luís Lavoura

A polícia francesa cometeu um grave erro no recente morticínio em Nice: abateu, aparentemente sem qualquer necessidade, o assassino no local.

Segundo uma testemunha ocular que ouvi (em português) na rádio, o camião a certa altura parou (talvez por problemas mecânicos) e um popular abriu-lhe a porta, tentando retirar o motorista lá de dentro. O motorista reagiu e seguiu-se uma breve luta entre os dois; a luta foi corpo-a-corpo, o motorista aparentemente não tinha qualquer arma. Depois a polícia chegou e atirou sobre ambos, matando o motorista - e, segundo a testemunha, matando provavelmente também a pessoa que estava a lutar com ele.

É sintomático que ninguém fale disto. Em todas as reportagens sobre o caso, omite-se quase sempre o que aconteceu ao assassino. Ou, quando muito, diz-se que ele morreu. Ou, talvez até, que a polícia o abateu. Mas abateu-o porquê? Não se abate um homem, ainda que seja um assassino, que não oferece resistência às autoridades.

Este foi um grave erro da polícia francesa. Por causa dele, não se pode interrogar o assassino, a saber o que o motivou ou se teve cúmplices.

E ninguém fala disto nos mídia.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem, três portugueses ganharam medalhas nos campeonatos europeus de atletismo: Sara Moreira (ouro na meia maratona), Patrícia Mamona (ouro no triplo salto) e Tsanko Arnaudov (bronze no lançamento de peso). Num dia em que só se fala de futebolistas cobertos de glória, quero deixar esta nota para estes outros três gloriosos deportistas em quem ninguém parece reparar.

Retrato de Luís Lavoura

A direita portuguesa centra grande parte da sua tática política atual na esperança de que Portugal tenha um défice excessivo.

Mas essa é uma tática profundamente estúpida. A direita, se quer defender (representar) aqueles que nela votam, deveria, pelo contrário, fazer tudo o possível para que Portugal tivesse um défice o mais pequeno possível.

Por quê? Porque, se Portugal tiver um défice excessivo, é mais que certo que o governo, de esquerda, irá introduzir novos impostos. E é mais que certo que esses impostos irão afetar sobremaneira os mais ricos portugueses - aqueles que a direita supostamente defende e representa.

E que impostos serão esses? Já se sabe: imposto sucessório, e IMI agravado para segundas e terceiras habitações. São impostos que afetarão sobremaneira os mais ricos e aos quais o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista nada terão a opôr. Nem a Comissão Europeia - grande parte dos países europeus têm estes impostos, e não se compreende que um país em dificuldades orçamentais como Portugal não os tenha também.

A direita, se quisesse minimamente defender aqueles que nela votam, deveria estar a fazer figas para que tais impostos não tivessem que ser introduzidos. Mas a direita portuguesa é estúpida e, pelos vstos, não se preocupa de todo em representar quem nela vota.

Retrato de Luís Lavoura

Qual é o sentido de forçar um país que já tem um défice orçamental excessivo a pagar uma sanção (multa) à União Europeia? Pois se essa multa apenas irá agravar ainda mais o seu défice!!!

São precisas sanções que tendam a melhorar (corrigir) o problema, não sanções que o agravem!

Retrato de Luís Lavoura

A saída da União Europeia do Reino agora Desunido (porque apenas a Inglaterra e Gales sairão, a Escócia e a Irlanda do Norte já estarão noutra onda) não é muito grave para nós. Trata-se essencialmente de um problema interno do Reino, que em pouco nos afetará.

Muito grave para nós, isso sim, será uma eventual mas bem possível saída da França da União, cortando o acesso por terra ao centro dela, o que será muito grave para a Península Ibérica. Com essa possibilidade sim, temos que nos preocupar. Com as idiossincracias do Reino agora Desunido, podemos nós bem e não nos devemos ralar muito.

Retrato de Luís Lavoura

Não tenho grande opinião sobre qual seja o resultado desejável no referendo britânico. A minha opinião principal é outra: ainda bem que os britânicos podem ter este referendo. Seria adequado que os portugueses, e outros povos da União, tivessem tido ou viessem a ter a possibilidade de votar em referendos similares. Abençoados os povos, como os britânicos e os suíços e os noruegueses, que são capazes de dirimir as suas questões difíceis mediante referendos. O povo escocês votou sobre a sua independência e o povo britânico vota sobre a sua continuação na União Europeia; quando poderá haver, noutros países, votações sobre questões tão melindrosas quanto estas?

Retrato de Luís Lavoura

No blogue A Destreza das Dúvidas (blogue que não me permite deixar comentários), Luís Gaspar argumenta que faz sentido um condomínio proibir um dos seus condóminos de arrendar a sua fração por curtos períodos a turistas, dado que existe o risco de alguns turistas se portarem mal, perturbando a vida aos restantes moradores do condomínio.

Isto é, em princípio, verdade. Mas, pela mesma bitola, faria sentido um condomínio proibir o arrendamento a não-turistas, porque também há o risco de não-turistas se portarem mal. E, de facto, também há o risco de um qualquer morador do prédio, incluindo um condómino, se portar mal. Levado às últimas consequências, o argumento de Luís Gaspar é um argumento contra a existência de condomínios. Num condomínio, há sempre o risco de um qualquer condómino ter atividades que perturbam os restantes. (Por exemplo, uma condómina pode prostituir-se na sua fração, o que pode perturbar os restantes condóminos.) A única forma de eliminar este tipo de conflitos de vizinhança é eliminar os condomínios: cada prédio ter um proprietário único, o qual arrenda as diversas frações a diversas pessoas, tendo o cuidado de selecionar pessoas que não se perturbem umas às outras. (É como se faz na Alemanha, em que praticamente todos os prédios têm proprietários únicos e praticamente todas as pessoas vivem em casas arrendadas.) Os condomínios são uma contínua fonte de problemas de vizinhança.

Retrato de Luís Lavoura

Uma boa notícia logo pela manhã: duas mulheres, Virginia Raggi e Chiara Appendino, ganharam ontem as eleições para as Câmaras Municipais de Roma e Turim, respetivamente, em representação do Movimento 5 Estrelas.

Retrato de Luís Lavoura

Há muita gente muito excitada por, pela primeira vez, uma mulher ir ser candidata à presidência dos Estados Unidos. Eu não acho isso particularmente excitante, porque

(1) O que é importante é que haja bons candidatos, não qual o sexo deles. Nada me sugere que uma mulher seja necessariamente melhor candidata que um homem. Eu prefiro ter um homem bom candidato do que uma mulher má candidata.

(2) Os Estados Unidos são, em matéria de igualdade, um país peculiarmente atrasado. Já há muito tempo que há mulheres nos postos mais importantes de diversíssimos países, incluindo o Bangladeche, a Birmânia, o Chile e a Alemanha. Os Estados Unidos serão apenas mais um país entre muitos outros que já têm ou tiveram uma mulher a liderá-los.

(3) O que interessa não é ser candidato, o que interessa é ser eleito Presidente. E, neste ponto crucial, a sra. Clinton deixa muito a desejar: ela tem excelentes probabilidades de vir a ser derrotada por Donald Trump e tudo indica que o seu opositor Sanders teria, pelo contrário, grande capacidade para derrotar Trump. O facto é que, ao escolher a sra. Clintom, o Partido Democrata está a dar um grande tiro no seu próprio pé. É que, das candidatas derrotadas não reza a História...

Retrato de Luís Lavoura

Foi ontem noticiada a contratação do ex-ministro Paulo Portas como consultor da empresa de construção civil Mota-Engil. Recorde-se que, já há muitos anos, um outro ex-ministro, Jorge Coelho, fôra contratado pela mesma empresa, na qual ainda hoje, segundo julgo, trabalha. Como é usual nestes casos - não somente em Portugal, mas também noutros países, por exemplo na Alemanha, onde a contratação do ex-primeiro-ministro Gerhard Schroeder pela empresa russa Gazprom foi muito criticada - levantaram-se vozes críticas.

Eu neste ponto tenho a seguinte opinião: os políticos são pessoas como as outras. Tal como as outras pessoas, têm o direito de arranjar um emprego no qual façam valer as capacidades e os contactos que adquiriram com a sua formação e, sobretudo, com a sua experiência de vida. Os políticos não podem e não devem, quando abandonam a política, ser condenados a ficar no desemprego o resto da vida. Ademais, não duvido de que tanto Paulo Portas como Jorge Coelho fazem bom trabalho para a Mota-Engil; não creio que a sua contratação seja uma forma de lhes pagar favores passados, acredito, sim, que o seu trabalho valerá bem à Mota-Engil o dinheiro que lhe custa o seu salário.

Não podemos esperar atrair pessoas válidas para a política se pretendemos que, após a carreira política, lhes seja vedada a contratação em bons empregos; e não é benéfico para ninguém que pessoas com talentos e experiência adquiridos os desperdicem por serem proibidos de trabalhar.

Felicito portanto a Mota-Engil pela sua nova contratação e espero que a experiência e o talento de Paulo Portas abram à Mota-Engil as portas para muitos e bons negócios.

 

Declaração de interesses: sou detentor de algumas, embora muito poucas, obrigações da Mota-Engil.