Retrato de Luís Lavoura

O Chefe do Estado-Maior do Exército demitiu cinco oficiais dos cargos de chefia que ocupavam. Menos de um mês depois, voltou a empossar esses mesmos cinco oficiais em exatamente os mesmos postos de chefia (que durante o interregno tinham permanceido vagos).

Isto é uma anedota. É um disparate. É uma loucura. Demite-se pessoas para um mês depois se voltar a pô-las no lugar. Então, para que foram demitidas?

O Chefe do Estado-Maior do Exército deve estar louco. Só pode.

Retrato de Luís Lavoura

O dr Gentil Martins é um homem de 86 anos que, com toda a naturalidade, tem opiniões (sobre a homossexualidade e sobre as "barrigas de aluguer") próprias dessa idade. E deve ter a liberdade de exprimir essas opiniões. Nem nos devemos preocupar muito com tais opiniões, pois elas morrerão com a morte das idosas pessoas que ainda as perfilham. Deixemos pois o dr Gentil Martins morrer em paz e levar com ele as suas opiniões para a cova. Enquanto fôr vivo, deve ter a liberdade de as continuar a exprimir. Inocuamente.

Retrato de Luís Lavoura

Há poucos meses, quando as tropas sírias atacaram e reconquistaram Alepo, com a ajuda dos seus aliados russos, houve na Europa enorme escarcéu sobre as alegadas atrocidades que estariam a ser cometidas sobre a população civil da cidade e sobre o horrível sofrimento desta.

Agora que as tropas iraquianas atacaram e reconquistaram Mossul, com a ajuda dos seus aliados americanos, ninguém na Europa parece interessado nas atrocidades que foram cometidas sobre a população civil da cidade e com o horrível sofrimento desta. Somente agora, que a reconquista já terminou e que já nada se pode fazer, se diz algo sobre as consequências. Um general americano (citado no The Economist) diz que Mossul ficou "como Dresden [após o bombardeamento no final da Segunda Guerra Mundial]". Um médico português (ontem, no telejornal) diz que em toda a sua longa experiência humanitária nunca viu nada tão horrível como Mossul.

Retrato de Luís Lavoura

A privatização da EDP consistiu, pelos vistos, num imposto disfarçado sobre os consumidores. Atribuíram-se à EDP "rendas" (em jargão de economista) por forma a que ela ficasse mais apetecível para os potenciais imvestidores. Essas "rendas" repercutem-se num preço mais alto da eletricidade. Ou seja, no balanço final, os portugueses pagam mais pela eletricidade para que o Estado possa encaixar um preço mais elevado na venda da EDP. É um imposto encapotado: os portugueses pagam e o Estado recebe.

Retrato de Luís Lavoura

Em tempos, derrubar aviões era um dos principais objetivos de grupos terroristas. Mas pôr uma bomba num avião é muito complicado. Hoje em dia há uma forma mais fácil e barata de derrubar aviões: fazer um drone entrar pelo motor do avião adentro em pleno vôo.

As autoridades portuguesas continuam a prestar muita atenção à possibilidade de alguém levar uma bomba para dentro de um avião. Mas desconsideram a possibilidade do drone. Um dia destes um avião cai quando vai aterrar em Portugal. O dano que isso fará ao turismo português será maior do que o de um qualquer atentado terrorista na Tunísia ou na Turquia.

Retrato de Luís Lavoura

É mais que sabido que um dos grandes problemas com os incêndios florestais em Portugal é a existência desordenada de aldeias e, mesmo, de casas isoladas no meio da floresta. Invariavelmente, os bombeiros desistem de combater os fogos no meio da floresta, postam-se junto às aldeias ou casas isoladas e procuram protegê-las apenas a elas. A floresta é deixada arder.

Perante esta realidade, seria desejável que o Estado tivesse algumas políticas, tímidas que fossem, no sentido de incentivar as pessoas a abandonar as aldeias e irem viver para as vilas.

O fogo que recentemente queimou o "pinhal interior", e que destruiu bastantes casas e aldeias, poderia constituir uma oportunidade para implementar tal política. O Estado poderia decidir ajudar as pessoas a reconstruírem a sua casa, mas com a condição de só o fazer se a casa fosse construída na vila. (Quem dá dinheiro tem o direito de impôr condições.)

Mas tudo se encaminha no sentido de que assim não será. O Estado vai ajudar as pessoas a reconstruírem a sua casa na sua aldeia. Aldeias com 10, 20 ou 30 habitantes vão portanto ser restauradas. Continuará a haver segundas habitações no meio do eucaliptal, segundas habitações essas que os bombeiros tentarão a todo o custo proteger, em detrimento da floresta. Pessoas continuarão a viver isoladas no meio das árvores, com todos os custos que isso implica, porque não prescindem de estar perto das suas hortas.

O erro vai-se repetir. O Estado não deveria continuar a ajudar as pessoas a morar onde muito bem lhes apeteça.

Retrato de Luís Lavoura

É claro que o mundo está cheio de boas intenções, e eu tenho sérias dúvidas que esta se materialize: numa entrevista, o novo ministro francês do Ambiente diz que a França fará uma reforma profunda dos seus impostos no sentido de que o preço ao público do gasóleo passe a ser idêntico ao da gasolina (tal como é à saída da refinaria).

Oxalá houvesse na Europa mais ministros do Ambiente que fossem capazes de, ao menos, ter tão boas intenções.

Retrato de Luís Lavoura

A oposição e os jornalistas querem "sangue", demissões no governo. Agora gostariam que a ministra da Administração Interna se demitisse.

Devemos lembrar-nos que, há poucos meses, a oposição e os jornalistas estavam ávidos da, em seu entender inevitável, demissão do ministro das Finanças. Hoje em dia já ninguém pede a demissão desse ministro que, pelo contrário, é amplamente considerado como um dos melhores do governo.

Porque é que a ministra da Administração Interna se deveria demitir? Em minha opinião, ela nada fez de mal. Houve um grande incêndio, mais ou menos idêntico a muitos outros grandes incêndios que ao longo das anos tem havido. (No ano passado houve um incêndio maior na serra do Caramulo.) Este grande incêndio era previsível, tal e qual como a generalidade dos outros também o eram. Houve muitos mortos neste incêndio, o que não é felizmente costume, mas isso não é culpa da ministra.

Retrato de Luís Lavoura

Lemos que durante os recentes incêndios as autoridades evacuaram dezenas de aldeias, e ficamos impressionados com o imenso trabalho que as autoridades tiveram a evacuar tantas aldeias.

Mas, na verdade, cada uma dessas "aldeias" consiste hoje em meia-dúzia de casas habitadas, em média. É pouca gente.

A minha questão, porém, é: já agora, que se teve tanto trabalho em evacuar essas aldeias todas, não seria boa ideia tentar impedir que os habitantes a elas regressem? É que esta coisa de ter milhentas povoações de minúsculo tamanho é altamente prejudicial para um combate eficaz aos incêndios (os bombeiros gastam imenso tempo e esforço a procurar defender pequenos aglomerados dispersos de casas, em vez de estarem efetivamente a combater o fogo em geral) e constitui um grave risco para as próprias populações das aldeias.

Eu bem sei que se trata em grande parte de velhos casmurros, que não querem nem por nada abandonar a terreola onde sempre viveram. Mas é preciso alguém que tenha a coragem de meter juízo na cabeça dessa gente!

Retrato de Luís Lavoura

Diversas pessoas perguntam, se as autoridades fecharam à circulação o IC8 durante os recentes incêndios, porque não fecharam também a "estrada da morte" EN 236-1?

Parece-me simples de explicar. O IC8, como qualquer IC, tem uma entrada de cinco em cinco quilómetros, mais ou menos. Não se entra num IC onde se quer; trata-se de uma estrada rodeada de vedações de arame farpado e que só tem alguns, poucos acessos. Bloqueando esses poucos acessos, a estrada está cortada.
 A EN 236-1, pelo contrário, é uma estrada de acesso livre. Múltiplas estradas, estradinhas e caminhos vão desembocar nela. Não é, pura e simplesmente, possível bloqueá-la.