Retrato de Luís Lavoura

Segundo o Washigton Examiner, Donald Trump afirmou num comício: "We will destroy ISIS. At the same time, we will pursue a new foreign policy that finally learns from the mistakes of the past. We will stop looking to topple regimes and overthrow governments, folks."

Falou muitíssimo bem. Oxalá siga de facto uma tal política.

Retrato de Luís Lavoura

A administração da Caixa Geral de Depósitos fez bem em demitir-se. Pois que, quem aceita um emprego em que, como paga, o forçam a desvendar, a todo o público português, os seus rendimentos e as suas posses? Isso, que é geralmente considerado, em Portugal, uma parte importante da "vida privada": os rendimentos e posses de um cidadão. Pois bem, em Portugal parece achar-se exigível a um cidadão que aceita um emprego como gestor de uma empresa pública, que desnude a sua "vida privada" à frente de todos.

Pois os gestores da CGD fizeram muito bem e recusaram-se a exibir a toda a população as suas posses. Ninguém tem nada a ver com isso, acham eles e acham muito bem. Ou bem que vivemos num regime à norueguesa, onde todos os rendimentos de todos estão à vista na internet, ou bem que vivemos num regime onde toda a vida económica de uma pessoa é "privada". Para todos.

Retrato de Luís Lavoura

O Expresso da semana passada titulava que uma grande quantidade de jovens em Portugal nem estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. A conclusão que podemos tirar é que esses jovens não estão interessados em trabalhar. Têm a possibilidade de viver à custa de outrém e optam por essa possibilidade. Não se trata de um problema político, trata-se de um problema social, educativo e, quiçá, de saúde mental.

Retrato de Luís Lavoura

Diz-se que os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) só aceitam entregar as suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional desde que seja mantido o sigilo  sobre essas declarações.

Eu fico espantado com esta condição porque, para mim, é evidente que toda e qualquer declaração de rendimentos de todo e qualquer gestor público deve, automaticamente, ser mantida sigilosa. As declarações de rendimentos de toda a gente são sigilosas, cá em Portugal (noutros países, como na Noruega, não!), e o facto de se ser gestor de uma empresa pública não deve alienar tal direito ao sigilo. Qualquer gestor de uma empresa pública tem o dever de entregar a sua declaração de rendimentos à autoridade tributária (como todos nós) e ao Tribunal Constitucional; mas essas declarações devem ser mantidas sob estrito sigilo. Quer a empresa pública seja a CGD, quer seja outra qualquer.

Portanto, os gestores da CGD têm toda a razão e deve ser feita a sua vontade.

Retrato de Luís Lavoura

Não compreendo a demora de sucessivos governos em fazer o que deveria ser feito, eliminar a base aérea do Montijo com vista a libertar espaço, tanto nos ares para os aviões civis manobrarem, como em terra para fazer um aeroporto civil.

Não vejo razão nenhuma que justifique que, havendo tanto espaço por esse país fora para construir uma base aérea militar, se esteja a sobrecarregar a zona urbana de Lisboa com uma. Os quartéis militares devem estar - e, em Portugal, geralmente estão - longe das cidades, não a ocupar o precioso solo urbano.

Já é tempo e mais que tempo de o governo fazer o que tem a fazer e mandar a base aérea do Montijo para outro sítio qualquer. Quiçá para Beja, onde, ao que consta, há um grande aeroporto que está muito pouco aproveitado.

A TAP é uma empresa muito importante para o país e o seu desenvolvimento não deve continuar a ser impedido por uma base militar que não necessita de estar onde está.

Retrato de Luís Lavoura

Várias pessoas dizem que é preciso resolver o problema das grandes migrações internacionais eliminando as suas causas, nomeadamente, promovendo o desenvolvimento dos países mais pobres.

Mas isto é falso. A migração internacional custa muito dinheiro e raramente são os mais pobres quem emigra. As pessoas só começam a emigrar maciçamente quando saem da miséria. (Por exemplo, em Portugal emigrou-se mais na década de 1960, precisamente quando o país estava a enriquecer de forma acelerada.) Se há hoje muitos chineses e muitos bengalis em Portugal, isso deve-se em grande parte a a China e o Bangladeche serem hoje muito menos pobres do que eram há algumas décadas.

As grandes migrações internacionais são sinal de alguma riqueza, não de miséria absoluta. Eliminar a miséria só trará mais migrações, não menos.

Retrato de Luís Lavoura

Eu sou um português e, não vivendo no continente americano, a política interna dos EUA pouco ou nada me importa. O que me importa é a política externa, nomeadamente as guerras que os EUA fomentam, diretamente ou através dos seus aliados, na Europa (Jugoslávia, Ucrânia) e no mundo árabe (Líbia, Síria).

E, nesta matéria de política externa, a administração Obama foi um desastre completo. E a sua primeira "secretária de Estado" (= ministra dos Negócios Estrangeiros), a sra. Clinton, é muito culpada disso.

Por isso, acho muito bem que ela tenha perdido.

Dizem que Trump tem boas relações com Putin. Talvez isso ajude a acabar algumas das guerras que herdará de Obama (na Ucrânia e na Síria). Mas não tenho muitas esperanças. Todos os presidentes americanos acabam, uma vez eleitos, por seguir a mesma política externa. Como Obama seguiu, ele a quem os europeus atribuíram o Prémio Nobel da Paz quando ainda estava a aquecer a cadeira.

Retrato de Luís Lavoura

O Partido Democrata perdeu a presidência (a qual, aliás, de pouco lhe serviria para a política interna, dada a maioria republicana nas câmaras de deputados) por sua culpa, porque escolheu Clinton em vez de Sanders como candidata. Desde sempre que as sondagens indicavam que Sanders seria um adversário muito mais difícil para Trump do que Clinton. Mas o Partido Democrata preferiu Clinton, e perdeu. É bem feita. Da próxima vez, escolham o candidato que o povo quer.

Retrato de Luís Lavoura

Clinton teve mais votos do que Trump. Mas perdeu. Uma consequência curiosa do sistema eleitoral americano, em que alguns estados têm muitos mais representantes do que outros e em que impera a regra do winner takes it all.

Retrato de Luís Lavoura

Há uns meses a TVI pôs no ar uma notícia alarmista sobre o BANIF. A consequência foi a expetável: desencadeou-se uma corrida ao BANIF e, pouco tempo depois, o banco foi-se abaixo.

Hoje a gracinha foi repetida por um eurodeputado socialista, Manuel dos Santos de seu nome, que lançou a opinião alarmista de que na Caixa Geral de Depósitos os depositantes com mais de 100 mil euros poderão ver o seu depósito transformado em capital da Caixa. Não sei se as pessoas darão tantos ouvidos a Manuel dos Santos quanto à TVI, mas, se derem, as consequências para a Caixa poderão ser bem graves.

Convem que as pessoas pensem um bocadinho antes de lançarem opiniões/notícias alarmistas sobre bancos. De um eurodeportado esperar-se-ia, que diabo, um pouco mais de sentido das responsabilidades.