Retrato de Luís Lavoura

Daqui:

"one should not meddle in other countries’ affairs. I think there is no country in the world that is perfect, every country has problems. It’s enough for each country in the world to take care of its own problems. When you start meddling in other countries’ problems you cause problems for that country and for your own country as well."

"don’t meddle in other countries’ business, respect international law, and respect other countries and other people"

Retrato de Luís Lavoura

A França retirou hoje os passaportes a seis cidadãos seus, impedindo-os de sair do país. A França prepara-se para retirar os passaportes a mais outros 40 cidadãos.

A razão alegada pelo Estado francês é que esses indivíduos se preparavam para ir combater nas fileiras do Estado Islâmico.

Ao fazer isto, a França está a adotar medidas que dantes eram postas em prática, sob uma chuva de críticas do "Ocidente", por ditaduras como a União Soviética, Cuba e Alemanha Oriental. Esses países é que proibiam os seus cidadãos de viajar ao estrangeiro, e eram muito justamente criticados no "Ocidente" por o fazerem.

Eu não vejo muito bem o que espera a França obter com estas medidas. Ao aprisionar os seus cidadãos no país, certamente que estes só se poderão sentir revoltados e se irão sentir tentados a lançar ataques violentos contra a própria França. Em vez de irem matar sírios na Síria, sentir-se-ão provavelmente tentados a matar franceses em França.

É triste ver Estados a desencadear tão inaceitáveis ataques contra as liberdades dos seus cidadãos.

Retrato de Luís Lavoura

O ministro das Finanças grego acusou os ministros das Finanças português e espanhol de terem levantado especiais reticências ao acordo realizado no seio do Eurogrupo. A ministra das Finanças portuguesa desmentiu essa acusação.

Eu entendo que a ministra das Finanças portuguesa tenha diversas motivações para tal desmentido. Mas parece-me que o ministro das Finanças grego não poderia ter quaisquer motivações para fazer uma acusação caluniosa.

Pelo que, a minha suposição é que o ministro grego falou verdade e a ministra portuguesa mentiu.

Retrato de Luís Lavoura

É chocante a barulheira que alguns clientes do antigo Banco Espírito Santo (BES) andam a fazer, a pedir para serem ressarcidos por "papel comercial" (uma forma de obrigações) do Grupo Espírito Santo (GES) que adquiriram aos balcões do BES. Espero que ninguém lhes faça a vontade. Certamente que não com o dinheiro dos meus impostos.

Vejamos. O papel comercial é da exclusiva responsabilidade de quem o emite (neste caso, o GES). Tanto faz que tenha sido vendido aos balcões do BES como aos balcões de qualquer outra entidade financeira. O destino do BES é irrelevante para avaliar sobre se o papel comercial deve dar rendimento ou não; quem é responsável por ele é o GES. Se o GES faliu, então quem comprou o papel comercial ficou sem o dinheiro. É tão simples quanto isso, e as pessoas não têm nada que se queixar do BES nem do Banco de Portugal. Perderam o dinheiro, azar delas. Cada um é responsável por onde investe o seu dinheiro.

Para cúmulo, informam-nos que, em média, cada uma dos clientes em questão tinha, em média, investido 140 mil euros no papel comercial. Mesmo admitindo que isto não passa de uma média, e que haverá clientes que investiram muito menos do que isso, eu pergunto quem são os idiotas que investem 140 mil euros num produto sem saberem bem em que esse produto consiste e que garantias ele oferece. Quem são os idiotas que investem 140 mil euros apenas em troca do lindo olhar da sua gestora bancária. Se não sabem tomar conta do seu pecúlio, é bem feita que o percam!

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Quando a troica entrou em Portugal e na Grécia, exigiu que as contas públicas fossem endireitadas, na sua maior parte, pelo lado da despesa e não pelo da receita. Ou seja, as receitas dos Estados não deveriam aumentar muito, as despesas dos Estados é que deveriam ser fortemente diminuídas.

Durante estes últimos anos, a Grécia cumpriu a receita da troica: as despesas do Estado grego diminuíram cerca de 20%, mas as receitas não aumentaram. O resultado está à vista: a Grécia está na ruína.

Pelo contrário, Portugal desobedeceu à troica. As despesas do Estado português praticamente não têm diminuído, o que houve foi um brutal aumento de impostos para as compensar. O resultado também não foi famoso, mas foi certamente muito melhor do que o grego.

Só podemos concluir que a receita inicialmente recomendada pela troica falhou. E a própria troica o reconhece: aquilo que ela atualmente recomenda à Grécia é que aumente a eficácia da sua coleta de impostos, ou seja, que o Estado grego saque mais dinheiro à sociedade.

(Hoje em dia a direita pretende deturpar a verdade, dizendo-nos que Portugal cumpriu o programa da troica e a Grécia não. É falso. A Grécia cumpriu muito mais à risca o programa da troica do que Portugal. O problema é que o programa da troica estava errado.)

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Os comentadores e analistas políticos portugueses já andam todos atarefados a calcular quem se irá candidatar às eleições presidenciais que terão lugar daqui a um ano. Eu acho uma certa graça a tal tarefa porque considero as eleições presidenciais quase totalmente irrelevantes. Isto porque o Presidente da República não tem, no regime político português, praticamente poderes nenhuns. A eleição direta do Presidente da República é um resquício que ficou da constituição inicial de 1976, a qual previa um regime semi-presidencialista à francesa; mas essa constituição inicial foi em breve alterada (salvo erro logo em 1982) pela partidocracia reinante no sentido de esvaziar a presidência de poderes reais.

Em meu entender o Presidente da República, que em Portugal para mais não serve do que para fazer alguns discursos piedosos aos quais ninguém em seu perfeito juízo deveria ligar (e por isso é irrelevante saber se Cavaco Silva disse ou não disse que o Banco Espírito Santo estava de boa saúde - ninguém racional deveria fiar-se minimamente no que ele diz), deveria ser eleito pela Assembleia da República, tal como se faz na generalidade dos outros países com regimes políticos análogos (isto é, parlamentares). O país pouparia uma boa quantidade de dinheiro em estúpidas eleições presidenciais, e mais algum dinheiro a pagar a analistas políticos que nada mais têm para debater.

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Tenho lido muitas razões para se ser a favor da privatização da TAP, mas em geral elas não me convencem.

A privatização da TAP não fará necessariamente com que os seus sindicatos deixem de ter muito poder nela nem fará como que acabem as greves nela; há companhias aéreas privadas na Europa (Air France, Lufthansa) nas quais os sindicatos também são muito poderosos e nas quais também há greves.

A privatização da TAP não é necessária nem urgente: embora a TAP esteja muito endividada e tecnicamente falida (isto é, com capitais próprios negativos), ela já está nessa situação há muitos anos e pode, creio, continuar assim por muitos mais anos. A TAP não dá prejuízo (os anos de pequenos prejuízos são compensados por outros anos de pequenos lucros) e, portanto, nada a impede de continuar a operar.

É verdade que não há necessidade nenhuma de a TAP permanecer pública; mas isso não é razão para a privatizar. Há outras empresas (por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos) que não se entende por que motivos hão de ser públicas, porém, não é por isso que se vai a correr privatizá-las.

Eu sou a favor da privatização da TAP, não por esses motivos, mas por outro: porque o transporte aéreo é hoje em dia uma indústria pouco rentável e muito arriscada. Ou seja, embora a TAP atualmente não dê prejuízo, há um forte risco de que um dia ela venha a ser atacada no seu nicho de mercado (a ligação Europa-Brasil) e não consiga resistir. E nesse dia falirá, e então os prejuízos - isto é, as enormes dívidas que a TAP tem acumuladas - recairão sobre os contribuintes.

Ou seja, em meu entender, convém privatizar a TAP porque o Estado português pouco ganha com ela mas, em compensação, arrisca-se a um dia sofrer perdas avultadas por causa dela.

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Deu muito brado na comunicação social o facto de a recente prova de avaliação à qual foram submetidos os professores "contratados" ter concluído que muitos desses professores deram diversos erros ortográficos e de pontuação na escrita do português.

Mas, será isso grave? Depende de qual a disciplina que o professor leciona. Um professor de uma língua estrangeira (inglês, francês, etc) não tem necessariamente que ser proficiente a português. Um professor de matemática ou de informática ou de música também pode escrever num português macarrónico, e nem por isso será necessariamente mau a ensinar a disciplina que lhe compete.

Ademais, o português não é, em minha opinião - e sei que com ela ofenderei as sensibilidades do CDS e dos conservadores em geral - uma disciplina de grande importância. Português é uma língua para consumo interno e em mais meia dúzia de países no mundo. Inglês sim, é uma disciplina muito importante. E matemática. Mas, mesmo essas, eu não consideraria que todos os professores necessitam de saber perfeitamente.

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A Grécia tinha em curso a privatização do seu principal porto, o Pireu. O principal porto alemão, o de Hamburgo, é gerido por uma empresa pelo menos parcialmente privada.

É algo que questiono: porque é que o Estado português não privatiza os seus principais portos? Não seria essa a forma adequada de os desenvolver, trazendo para eles capitais privados e a concorrência entre os diversos portos? Não têm os portos de Leixões, Lisboa e Sines dimensão que possa interessar a operadores privados? Porque foram os aeroportos privatizados mas não o são os portos?

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É, em minha opinião, benvindo que o novo governo grego tenha um ministro dos Negócios Estrangeiros pró-russo e que se tenha demarcado das ridículas (porque infundadas e sem provas) acusações da União Europeia de que o recente bombardeamento com morteiros em Mariupol é da responsabilidade dos russos.

É bom pôr um bocado de água na fervura que a União Europeia tem atiçado na sua relação com a Rússia, a qual já custou a vida a mais de 5000 ucranianos, e a miséria a muitas mais dezenas de milhares. Esperemos que esta nova inclinação da Grécia tenha esse efeito. A Europa está cheia de "falcões", especialmente na Polónia, Lituânia e Reino Unido, e é bom que as "pombas" também façam ouvir a sua voz.