Retrato de Luís Lavoura

Daqui:

"The EU today operates something like the US under the Articles of Confederation, which defined the US’s ineffectual governing structure after independence from Britain in 1781 but prior to the adoption of the Constitution in 1787. Like the newly independent US, the EU today lacks an empowered and effective executive branch capable of confronting the current economic crisis. Instead of robust executive leadership tempered by a strong democratic parliament, committees of national politicians run the show in Europe, in practice sidelining (often brazenly) the European Commission. It is precisely because national politicians attend to national politics, rather than Europe’s broader interests, that the truth about Greece’s debt went unspoken for so long.

The Eurogroup, which comprises the 19 eurozone finance ministers, embodies this destructive dynamic, meeting every few weeks (or even more frequently) to manage Europe’s crisis on the basis of national political prejudices rather than a rational approach to problem-solving. Germany tends to call the shots, of course, but the discordant national politics of many member states has contributed to one debacle after the next. [...]

Amid all this dysfunction, one international institution has remained somewhat above the political fray: the IMF. Its analysis has been by far the most professional and least politicized. Yet even the IMF allowed itself to be played by the Europeans, especially by the Germans, to the detriment of resolving the Greek crisis many years ago. Once upon a time, the US might have pushed through policy changes based on the IMF’s technical analysis. Now, however, the US, the IMF, and the European Commission have all watched from the sidelines as Germany and other national governments have run Greece into the ground.

Europe’s bizarre decision-making structure has allowed domestic German politics to prevail over all other considerations. And that has meant less interest in an honest resolution of the crisis than in avoiding the appearance of being lenient toward Greece. Germany’s leaders might rightly fear that their country will be left holding the bill for European bailouts, but the result has been to sacrifice Greece on the altar of an abstract and unworkable idea: “no bailouts.” Unless some rational compromise is agreed, insistence on that approach will lead only to massive and even more costly defaults."

(Negritos meus.)

Retrato de Luís Lavoura

Parece claro que a introdução de um imposto especial sobre os sacos de plástico foi um sucesso do ponto de vista ambiental (do ponto de vista fiscal nem por isso, mas esse ponto de vista é, em minha opinião, secundário): grande parte das pessoas utilizam hoje sacos reutilizáveis, ou carrinhos, quando fazem compras. A praga dos sacos de plástico foi grandemente diminuída.

Seria em minha opinião de tomar medidas similares - a introdução de impostos especiais - sobre outros artigos de "usar e deitar fora", nomeadamente pratos, talheres e copos de plástico flexível e não reutilizável. Todos esses artigos têm equivalentes reutilizáveis e constituem uma fonte perfeitamente dispensável de lixo.

Retrato de Luís Lavoura

Muita gente na Europa Ocidental está abespinhada com a decisão da Hungria de construir um muro ao longo da sua fronteira com a Sérvia, para impedir a passagem de migrantes. A Hungria, na qual entram cerca de mil migrantes por dia, não os quer receber e prefere que eles fiquem presos do lado sérvio. Os europeus ocidentais que reagem contra esta decisão da Hungria não se apercebem de que os seus países fazem exatametne o mesmo: a Espanha tem muros a separá-la de Marrocos em Ceuta e Melilla, a Inglaterra procura por todos os meios reter os migrantes em Calais, em França, para que eles não entrem no seu território, e toda a Europa se queixa amargamente de que as atuais autoridades líbias não fazem o que Kadhafi fazia - prender os migrantes na Líbia, não os deixando embarcar para Itália.

A Hungria apenas está a fazer o mesmo que todos os restantes países da Europa fazem ou desejam fazer.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo notícia de ontem, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) condenou o Banco Santander a indemnizar uma empresa portuguesa que perdeu dinheiro num contrato de swap contratado com esse banco. O STJ entendeu que esse contrato era puramente especulativo e, portanto, inválido.

Eu questiono: eu posso utilizar o mesmo argumento contra um outro banco com quem costumo contratar contratos puramente especulativos? Ainda há poucos dias assinei com esse banco um contrato que especula sobre a taxa de câmbio entre o euro e o dólar ao longo dos próximos anos; se eu perder dinheiro com esse contrato, terei direito a processar esse banco? E, já agora, terei também direito a processar as autoridades nacionais de supervisão, nomeadamente o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobilários, por terem permitido a contratação e comercialização em Portugal de um tal contrato (que aparece sob a forma de um "produto financeiro complexo" autorizado por essas entidades)?

Retrato de Luís Lavoura

Os direitistas costumam argumentar que a existência de um salário mínimo é má para os desempregados porque, se não houvesse salário mínimo, as empresas contratariam mais trabalhadores, pagando um tanto menos a cada um deles.

Este argumento pode ser verdadeiro no caso de uma grande empresa. Para uma empresa que tenha 500 trabalhadores, ter 10 a mais ou a menos faz pouca diferença: consegue-se facilmente arranjar um pouco de trabalho a mais para novos trabalhadores que se contrate.

Porém, no caso de pequenas empresas a coisa é bem diferente. Uma pequena loja de bairro sabe que precisa de ter uma pessoa ao balcão; se tiver duas, o funcionário a mais passará grande parte do tempo sem nada para fazer.

Uma pequena empresa tem apenas e somente o número de trabalhadores que sabe ser necessário para o trabalho que há. E essa quantidade de trabalho é dominada pela procura que há para os produtos (ou serviços) dessa empresa. A empresa dificilmente pode fazer expandir essa procura. E somente se a procura se expandir é que a empresa contratará mais um funcionário.

Uma pequena empresa contrata apenas os funcionários de que necessita e paga a quem contrata o menos que puder. Se não houver salário mínimo, o patrão de uma tal empresa realizará mais lucro mas não contratará mais pessoal.

Por isso, o efeito da abolição do salário mínimo depende do tipo de empresas que domina a economia.

Em Portugal, ao contrário do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, a imensa maior parte dos trabalhadores trabalha para pequenas empresas.

Retrato de Luís Lavoura

Aqui:

"Se despojarmos a zona euro da ambição política, esta transforma-se num projeto económico utilitário. Algumas coisas que muitos de nós tomávamos por garantidas, e em que alguns de nós acreditávamos, terminaram num único fim de semana. Ao imporem a Alexis Tsipras uma derrota humilhante, os credores da Grécia fizeram muito mais do que provocar uma mudança de regime na Grécia ou pôr em perigo as suas relações com a zona euro. Eles destruíram a zona euro tal como a conhecemos. Eles arrasaram a ideia de uma união monetária como um passo rumo a uma união política democrática [...]. Eles despromoveram a zona euro para um sistema tóxico de taxas de câmbio fixas, com uma moeda única partilhada, gerido segundo os interesses da Alemanha, mantido pela ameaça da miséria absoluta para aqueles que desafiam a ordem vigente. A melhor coisa que pode ser dita sobre o fim de semana é a honestidade brutal dos que estão a perpetrar esta mudança de regime.

Mas não foi só a brutalidade que se destacou, nem mesmo a capitulação total da Grécia. A mudança real foi que a Alemanha propôs formalmente um mecanismo de saída. No sábado, Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças, insistiu numa saída temporária - um timeout (intervalo), como ele lhe chamou. Já ouvi uma boa quota de propostas loucas ao longo do tempo e esta é sem dúvida uma delas. Um Estado membro fez pressão para a expulsão de outro. Este foi o verdadeiro golpe do fim de semana: a mudança de regime na zona euro.

O facto de um grexit formal poder ter sido evitado no momento é irrelevante. O grexit estará de volta à mesa quando houver o mínimo acidente político - e ainda há muitas coisas que podem correr mal, tanto na Grécia como noutros parlamentos da zona euro. Qualquer outro país que possa, no futuro, desafiar a ortodoxia económica alemã enfrentará problemas semelhantes. [...]"

(Negritos meus.)

Retrato de Luís Lavoura

Parece que os governos grego e dos restantes países da Zona Euro chegaram finalmante a um acordo.

A maior questão que agora se coloca é se esse acordo poderá ser aprovado no parlamento grego e se não será, alternativamente, "chumbado" pelo parlamento de algum outro país (a Finlândia, por exemplo) da Zona Euro. Enquanto essas aprovações não se tiverem verificado, não vale a pena falar muito deste assunto.

De qualquer forma, não tenho a certeza de que este acordo vá ser positivo para a Zona Euro nem para a Europa. Tenho as maiores dúvidas. E, quanto ao efeito que a sua aplicação terá na Grécia, é melhor nem falar.

Por isso, este acordo não me traz qualquer satisfação. Só angústia.

Retrato de Luís Lavoura

As recentes votações na Grécia ilustram de forma vívida a contradição insanável que existe entre a democracia e o capitalismo.

Na democracia mandam as pessoas, de acordo com o princípio "um homem, um voto". No capitalismo, pelo contrário, manda quem tem capital.

A maioria dos gregos é hoje pessoas pobres ou em vias disso, que foram fortemente prejudicadas com a política de austeridade. Votaram, pois, para terminar essa política. Elegeram o Syriza e, no recente referendo, confirmaram essa escolha.

Mas os gregos ricos ou com algum dinheiro temem o Syriza. Perante a escolha da maioria dos seus concidadãos, começam a retirar maciçamente o dinheiro que têm dos bancos. Os bancos ficam sem dinheiro, colapsam, e com eles colapsa a economia.

Temos assim que a escolha democrática ("um homem, um voto") é sabotada pelas opções dos possidentes de capital. A democracia é, na sua plenitude, incompatível com o capitalismo.

A democracia só pode ser compatível com o capitalismo enquanto houver uma grande classe média, ou seja, enquanto a maioria das pessoas tiver alguma riqueza. Quando a classe média se erode, como no caso da Grécia por efeito das políticas de austeridade, a maioria das pessoas passa a ser pobre e passa a ter opiniões inerentemente contrárias às dos detentores do capital. A partir desse momento, a incompatibilidade entre a democracia e o capitalismo torna-se patente.

Retrato de Luís Lavoura

Para Keynes, a "preferência pela liquidez" era o grande inimigo de uma economia. Todas as pessoas preferem a liquidez, isto é, preferem ter dinheiro vivo a ter dinheiro num depósito bancário, porque o dinheiro vivo (em notas) lhes dá maior segurança. Porém, se essa preferência pela liquidez fôr excessiva, os bancos ficarão sem dinheiro, as poupanças dos aforradores não serão transferidas (via bancos) para os investidores (ou consumidores), e a economia parará.

É a isso que desde há alguns meses estamos a assistir na Grécia. Os gregos sempre adoraram dinheiro vivo - que tem a vantagem de permitir fazer compras não registadas e, portanto, de fugir ao fisco - e usam muito mais dinheiro vivo do que qualquer outra economia avançada. Mas nos últimos meses, sob o temor de que os depósitos bancários possam vir a ser convertidos num "novo dracma", a preferência pela liquidez dos gregos atingiu paroxismos. Assistiu-se a uma corrida aos depósitos bancários: as pessoas não querem ter dinheiro no banco, querem ter dinheiro líquido nas mãos. Naturalmente, isso fez os bancos gregos e a economia grega colapsarem.

A preferência pela liquidez dos gregos é, em última análise, a responsável pelo estado calamitoso em que a economia grega atualmente se encontra.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo notícia da RT, o presidente Obama e o seu secretário das Finanças Lew informaram as autoridades da Zona Euro e da Grécia de que a hora do recreio terminou: têm que tratar rapidamente de chegar a um acordo para que as dívidas da Grécia sejam aliviadas e o país possa permanecer na Zona Euro. Parece que os EUA já estão fartos de ver europeus e gregos a brincarem ao gato-e-rato e estão a dar ordem para que o jogo acabe.

A ordem será, sem dúvida, obedecida.