Retrato de Luís Lavoura

É óbvio que as pensões de reforma se têm que adaptar à capacidade económica e demográfica do país que as sustenta. Não pode haver reformados ricos no meio de um país pobre. Não podem as pensões de reforma evitar decrescer quando há cada vez mais reformados a ser sustentados por cada vez menos trabalhadores ativos.
A adaptação pode ser feita a bem ou a mal, gradualmente ou de uma só vez. Mas adaptação terá que haver.
Aliás, há sempre adaptação. Já no governo de Sócrates foram feitas importantes mudanças no sistema de pensões, pelo que não se vê por que motivos deva o Partido Socialista rejeitar, em princípio, a necessidade de mudanças.

Retrato de Luís Lavoura

O golpe de Estado do 25 de abril foi levado a cabo por muitos militares. Muitos deles já terão falecido. O principal operacional, o capitão Fernando Salgueiro Maia, foi vítima de cancro já há dezenas de anos. O principal ideólogo do Movimento das Forças Armadas no pós-25 de abril, Ernesto Melo Antunes, também já faleceu há alguns anos.
Esses oficiais intermédios tiveram vários ideais políticos. Não tinham ideias políticas uniformes.
Hoje há uma associação que diz representar esses homens que fizeram o 25 de abril. Mas não os representa a todos, representa apenas alguns de entre eles. A começar, claro, pelo facto de que não representa os já falecidos. E também não representa aqueles que, como Salgueiro Maia, nunca se meteram muito na política após o golpe de Estado.
Devemos respeito a esses militares que libertaram Portugal de uma ditadura. Mas não os devemos confundir com a pequena associação de alguns, poucos, de entre eles.
Não vejo por que se deve confundir os capitães do 25 de abril com um somente de entre eles, Vasco Lourenço, e por que se deva dar a esse senhor o direito de os representar a todos discursando perante a Assembleia da República.
A não ser, é claro, que se goste particularmente e especialmente das atuais ideias de Vasco Lourenço.

Retrato de Luís Lavoura

Estou 11% de acordo com esta opinião de Ron Paul: "my goal has always been to have cooperation and diplomacy rather than antagonism and talking back at each other, and sanctions; they don’t do any good at all! So, I’ve always been more on the optimistic side since the Cold War ended, because we were trading more, and talking more, and traveling more with Russia and China and different places in the world. So, to me, if you trade with people, you do better. So any time you suspend anything like that, it’s negative."

Retrato de Luís Lavoura

Eu jamais peço fatura com número de contribuinte, porque receio que o Estado me obrigue a ficar com um automóvel de que não necessito e que odiaria ter.

Retrato de Luís Lavoura

Mais uma vez, na sexta-feira surgiu na comunicação social um apelo lancinante para que o Estado preste atenção à descida da natalidade e faça alguma coisa (que ninguém sabe bem qual possa ser) para que os portugueses tenham mais filhos. O risco, dizem, é que Portugal em breve tenha apenas 6 milhões de habitantes (como se isso fosse algum desastre - Portugal já teve 6 milhões de habitantes e nem por isso era menos país do que é hoje).

Há muitas coisas que eu não entendo nesta tese, e a principal delas é: se Portugal já hoje é incapaz de dar emprego a todos os seus jovens, para que raio querem que Portugal tenha ainda mais jovens? Será que Portugal tem falta de mão-de-obra? Não tem, evidentemente, como se vê pelo nível do desemprego no país. Mas, se a economia portuguesa não tem falta de mão-de-obra, para que raio querem que os portugueses produzam ainda mais mão-de-obra? Não a tem o país a suficiente para si próprio e, ainda, para forçar tantos portugueses a emigrar?

Retrato de Luís Lavoura

Muito instrutiva, a entrevista que Elisa Ferreira (eurodeputada eleita pelo PS) deu este sábado à Antena 1.

Ela disse, entre outras coisas, que Portugal tem que perceber que é um "acionista", de pleno direito, da União Europeia. Não é um "aluno" dela, mas sim um acionista com tantos direitos como os outros. E, tal como os restantes acionistas da União defendem os respetivos interesses, também Portugal tem que, sem rebuço, defender os seus.

Se Portugal quisesse deixar de ser um (bom) aluno da Europa, então uma das primeiras coisas que deveria fazer seria abandonar o sistema da hora de inverno - hora de verão e passar a ter sempre a mesma hora. Portugal passaria a usar sempre a hora que atualmente usa no verão, que era a hora que sempre teve antes do 25 de abril e antes de os governos de Cavaco Silva (que foi tão péssimo primeiro-ministro como é péssimo presidente da república) terem adotado essa postura de Portugal como "o bom aluno da Europa".

Portugal deveria declarar a sua independência, o seu opting out, das políticas europeias (estúpidas, aliás, mesmo para a Europa do norte, pois não há qualquer prova de que a mudança de hora contribua para poupar energia) que não lhe convêem. E deveria, para começar, recusar-se a alterar a sua hora do verão para a de inverno.

Retrato de Luís Lavoura

É muito positiva a proposta hoje avançada por sete economistas de diversos países europeus, entre os quais o português João Ferrreira do Amaral, no sentido de que a Zona Euro seja desmantelada, não através da saída dos países mais pobres, mas sim através da saída dos países mais ricos.

Com efeito, essa seria a única forma de desmantelar o Euro sem introduzir penalizações excessivas para os países que iniciassem o processo de saída e sem causar perturbações excessivas nos mercados financeiros.
É claro que o desmantelamento da Zona Euro será uma forma suave de "depenar" os investidores, nomeadamente aqueles que investiram em obrigações emitidas nos países mais pobres da Zona Euro, pois que esses investidores iriam receber de volta o seu dinheiro num Euro que já não seria a moeda utilizada nos países mais ricos da Europa. Porém, dando de barato que alguns investidores terão necessariamente que, mais tarde ou mais cedo, ficar "a arder", parece-me que a forma de os "depenar" com um mínimo de dor é esta, através da saída da Alemanha da Zona Euro.

A grande esperança para as próximas eleições europeias é pois: Alternative fuer Deutschland!

Retrato de Luís Lavoura

São naturalmente benvindas as medidas legislativas ontem anunciadas pelo governo no sentido de liberalizar os saldos e os horários de abertura dos estabelecimentos comerciais e de eliminar algumas taxas e obrigações de comunicação que atualmente impendem sobre os comerciantes.

Não se pense, no entanto, que essas medidas farão grande diferença prática. O facto é que, na prática corrente, Portugal sempre foi um dos países mais liberais em matéria de legislação comercial. Lembro-me que, quando vivi na Alemanha, há 25 anos, os horários de abertura do comércio nesse país eram notoriamente rígidos e desfavoráveis para os consumidores - e nem por isso a Alemanha deixava de prosperar. Na prática, já hoje as lojas em geral fazem saldos quando querem e abrem ou fecham quando lhes apetece, mesmo se ao arrepio da lei. É sabido que os portugueses sempre tiveram uma atitude relaxada perante a lei...

A liberalização é de saudar por princípio, não por na prática ir fazer grande diferença.

Retrato de Luís Lavoura

A política da União Europeia para com a Rússia é uma idiocia sem fim.

Agora a União Europeia decidiu castigar duas dezenas de indivíduos russos, impedindo-os de levantar o dinheiro que eventualmente detenham em bancos de países da União e impedindo-os de viajar à União. Pergunto:

(1) Com que critério foram escolhidas essas duas dezenas de russos, que aparentemente são todos eles indivíduos de "segunda linha", quando foi o poder russo como um todo, e não apenas essas duas dezenas de indivíduos, quem decidiu anexar a Crimeia?

(2) Como pode a União Europeia esperar ter bancos atraentes, nos quais os estrangeiros queiram depositar o seu dinheiro, quando esses estrangeiros sabem que, a qualquer momento, podem ser separados do seu dinheiro por caprichosas ações dos políticos da União?

(3) Qual o prejuízo que a proibição de viajar à União Europeia terá para países como Portugal, nos quais o turismo de russos é muito importante? Não se refletirão estas proibições em descidas do número de vindas de russos a Portugal?

As sanções da União Europeia à Rússia são uma tolice que prejudicará sem sentido diversas empresas da União, não se sabe bem com que fim. Espero que Portugal se oponha claramente e terminantemente a esta idiotice pegada.

Uma política externa liberal só pode ser uma política em que os Estados não interferem com as liberdades dos seus cidadãos e empresas, nomeadamente a liberdade de eles negociarem com quem muito bem lhes apeteça no estrangeiro.

Retrato de Luís Lavoura

Muito interessante e reveladora, a posição da União Europeia sobre o referendo na Crimeia.

Apenas sabe dizer que esse referendo é "ilegal", sem explicar porquê.

A Crimeia e a Rússia convidaram explicitamente a Organização para a Segurança e Cooperação Europeias (OSCE) a enviar observadores que atestassem a seriedade do referendo. A resposta da OSCE foi negativa: o referendo é ilegal e por isso nem vale a pena verificar se ele é levado a cabo de forma correta. É ilegal e prontos!

Pergunta-se, qual será a posição da União Europeia sobre o previsto referendo sobre a independência da Catalunha? O governo espanhol afirma que ele é inconstitucional, será que a UE vai afinar por esse mesmo diapasão?

À União Europeia a democracia nada interessa. A democracia pode, de facto, ser "ilegal". Se a democracia é ilegal, então bane-se, não se lhe presta atenção. recusa-se-a.

A política externa desta União Europeia não me serve!