Retrato de Luís Lavoura

Fala-se muito dos países ditos "ocidentais" como sendo paradigmas da democracia, mas na realidade trata-se de democracias muito imperfeitas. Dou três exemplos, tirados de alguns dos países mais ocidentais que há na Europa:

(1) No Reino Unido, um partido (o partido conservador) aumenta a sua votação de uma eleição para a outra mas vê o número de deputados eleitos decrescer substancialmente.

(2) Na França, um partido (o En Marche) tem na primeira volta das eleições apenas um quarto dos votos, mas no final da segunda volta tem cerca de dois terços dos deputados eleitos.

(3) Na Espanha, pretende-se impedir a realização de um referendo, inclusive recorrendo à força policial para tal efeito.

(Sobre o último exemplo, faço notar que o resultado de um referendo, isto é, a vontade do povo, pode ser contrário à Constituição; mas, a realização do referendo nunca pode, num país democrático, ser anticonstitucional.)

Retrato de Luís Lavoura

No seu blogue, Vital Moreira afirma-se a favor da continuada proibição de partidos regionais. Acontece que tal proibição é, pura e simplesmente, antidemocrática. Os interesses regionais, regionalistas, eventualmente independentistas, têm tanto direito a fazer-se representar no sistema político como quaisquer outros interesses particulares.

Retrato de Luís Lavoura

É lamentável a atuação da candidata do PS (e atual presidente da Junta) a uma Junta de Freguesia do concelho da Covilhã, em que rebaixou e gozou com o seu opositor, candidato do CDS, por este ser um ex-emigrante retornado da Venezuela.

É claro que o PS (ou qualquer outro partido) dificilmente pode exigir um grande nível de elevação de todos os seus candidatos, até a uma recôndita Junta de Freguesia. Mas tem a obrigação de se demarcar desta atitude xenófoba da sua candidata, desautorizando-a.

Tal como os imigrantes estrangeiros em Portugal, também os emigrantes portugueses retornados devem gozar de todos os seus direitos políticos, e não podem ser rebaixados nem humilhados devido à sua origem.

O PS deveria imediatamente demarcar-se desta sua candidata, desautorizá-la, retirar-lhe o seu apoio.

Retrato de Luís Lavoura

Deu muito brado durante as últimas semanas da silly season o facto de a Porto Editora ter editado uns livros de atividades para meninos da pré-primária com distinção entre os sexos - uns livros para meninos, outros para meninas.

Não me pronuncio sobre o conteúdo dos livros, que desconheço.

O que questiono é a necessidade ou conveniência de editar dois livros diferentes. Já tenho dois filhos, os quais andaram em infantários, os infantários não eram separados por sexos, meninos e meninas eram supostos, no infantário, praticar as mesmas atividades e brincadeiras. Nunca ouvi referir qualquer conveniência de, em tão tenra idade, fazer meninos e meninas praticarem exercícios ou atividades distintos.

Editar dois livros é certamente mais caro do que editar apenas um. Dá mais trabalho, as tiragens são menores e os custos de distribuição são maiores. Para que se deu a Porto Editora a mais trabalho e despesa sem qualquer necessidade didática que o justificasse? (Se houvesse necessidade didática, então também haveria infantários segregados por sexo. Ou então, mesmo nos infantários não segregados, as educadoras atribuiriam atividades diferentes aos meninos e às meninas.)

A razão é simples: o mercado. A Porto Editora sabe, ou julga saber, que há pais que querem dar uma educação supostamente diferenciada aos seus rebentos. Que há pais que querem explicitamente que os seus filhos realizem atividades e tenham livros supostamente adequados ao seu sexo.

O problema não está na Porto Editora. O problema está nos adultos que compram estes livros para as suas crianças. São eles que são sexistas. A Porto Editora limita-se a pressentir a existência de um mercado para o sexismo e a explorar esse mercado.

Retrato de Luís Lavoura

No passado sábado, cerca das 7:30 da manhã, eu estava em Cascais, quando comecei a ouvir na rua, pela janela aberta, um estranho crepitar. Fui à varanda e, com espanto, vi um incêndio, ainda numa fase muito inicial, num lote abandonado de terreno, coberto de erva alta e seca, que há junto ao prédio.

Naquela manhã bem fresca, mas soalheira, não havia qualquer causa natural para a ignição.

Na rua não se via vivalma, embora não seja raro haver, por ali, pessoas a passear cães àquela hora.

A ignição foi de causa humana, sem dúvidas. Mas o que poderá ter sido? Fogo posto? Um cigarro mal apagado atirado da janela de um dos prédios em volta? Um cigarro mal apagado atirado por alguém que estava a passear o cão?

Retrato de Luís Lavoura

Chegou a chuva! Aleluia, aleluia, que tanta falta tem feito!!!

Retrato de Luís Lavoura

Os incêndios são consequência direta do abandono da agricultura de subsistência que se praticava em Portugal até à década de 1960.

Até essa década Portugal era muito densamente povoado e os portugueses ganhavam o pão-nosso-de-cada-dia cultivando batatas, trigo, centeio e milho. Trata-se de culturas anuais que exigem limpeza intensiva dos campos. Em junho e julho as batatas e o trigo são apanhados e só fica nos campos o restolho; o milho só é apanhado em setembro, mas só ocorre em terras bem irrigadas e frescas. Os campos cultivados com estas culturas anuais estão sempre limpos e não ardem.

A partir da década de 1960 a agricultura de subsistência foi abandonada. As pessoas passaram a ganhar a vida nas cidades ou no estrangeiro. Os campos que antes serviam para cultivar batatas e cereais passaram a ser ocupados, ou com floresta ou com culturas perenes, como vinhas ou olivais, que não são tão intensamente tratados  e que ardem.

Continua a não haver incêndios no Alentejo, uma vez que este continua em grande parte a ser objeto de agricultura (e de pastoreio, que retira das terras as ervas que mais facilmente ardem).

Os incêndios são uma consequência do abandono da agropecuária de subsistência. É difícil ver como é que se pode, no nosso clima, acabar com os incêndios sem que haja quem cultive os campos. E o problema é que cultivar os campos, que em Portugal são montanhosos (Portugal é um país extraordinariamente montanhoso por padrões europeus) e de solos pobres, não é economicamente competitivo.

Não vale a pena comparar Portugal com outros países do sul da Europa. Na Europa do sul costuma chover mesmo no verão, e o Mediterrâneo assegura que o ar é muito húmido. Espanha não é assim, mas Espanha é um planalto com boas terras agrícolas: grande parte de Espanha é uma imensa seara de trigo.

Retrato de Luís Lavoura

Na década de 1980 a URSS enfiou as suas tropas no atoleiro do Afeganistão. Perdeu lá dinheiro e homens e, ao cabo de oito anos, teve que de lá retirar sem glória.

Hoje a NATO está a cometer o mesmo erro, mas há mais tempo do que a URSS. Já há 16 anos que a NATO está a combater, ingloriamente, no Afeganistão. Agora os EUA decidiram enviar para lá mais 4000 soldados e o secretário-geral da NATO aplaudiu.

Cabe perguntar quando é que a NATO aprenderá a mesma lição que a URSS (e outros antes dela) teve que aprender, e se retira de vez daquele atoleiro.

Retrato de Luís Lavoura

A chanceler alemã e o seu marido todos os anos assistem ao festival de ópera de Bayreuth. Pagam os seus bilhetes do seu próprio bolso, tal como qualquer cidadão. Apesar de, naturalmente, tanto a organização do festival como muitas empresas privadas alemãs terem todo o prazer em lhes oferecerem bilhetes.

Não se entende por que raio algumas figuras do Estado português não fazem o mesmo quando querem assistir a jogos de futebol da seleção nacional. É claro que tanto a Federação Portuguesa de Futebol como muitas empresas privadas, por exemplo a GALP, têm todo o prazer em lhes oferecer bilhetes para o jogo, e até a viagem e os hotéis. Mas: não há necessidade. Só mesmo um político palerma é que se expõe a críticas por receber de oferta bilhetes para um espetáculo de futebol. E, se o político é tão palerma que o tenha feito, então esse político deve ser posto fora do governo.

Não se trata de uma questão de corrupção ou (im)probidade, trata-se de uma questão de idiotice.

Retrato de Luís Lavoura

Os recentes atentados terroristas na Europa, em que veículos automóveis são lançados contra peões, só reforçam a necessidade de as cidades protegerem os peões através da instalação de pinos (ou eventualmente mobiliário urbano, como por exemplo floreiras, ou árvores) a proteger e delimitar os passeios e as zonas pedonais. Havendo pinos, árvores, candeeiros, ecopontos, bancos de jardim, floreiras, ou seja o que fôr, não somente se evita o estacionamento desordenado e a invasão do espaço que é dos peões pelos automobilistas, como também se evita este tipo de ataques terroristas.

Nem se compreende, aliás, como é possível que na Rambla, uma grande avenida pedonal de Barcelona, o espaço dos peões pudesse ter sido tão facilmente invadido por um veículo automóvel. Oxalá as autoridades públicas de Barcelona aprendam a lição! É preciso proteger os peões dos automobilistas abusadores.