Retrato de Luís Lavoura

Segundo Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, existe uma "diferença entre o parlamento [europeu] e os que realmente decidem" e, de facto, essa diferença até "é muito clara para os cidadãos [europeus]".

Okay. Fico informado sobre como devo votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Se é para votar em quem nada decide, mais vale não me dar ao trabalho.

Retrato de Luís Lavoura

O governo embandeira em arco com as boas novas que aparecem: a descida das taxas de juro das obrigações portuguesas no mercado secundário, o crescimento económico, a descida da taxa de desemprego.

Faz o seu trabalho de propaganda, o governo, ao embandeirar em arco, o que é tanto mais compreensível quando se avizinham eleições. E tem bons motivos para isso. Infelizmente, esses motivos são bem pouco profundos e não resistem a uma pequena raspadela superficial.

A descida das taxas de juro tem bem pouco a ver com a melhoria das contas públicas portuguesas e tudo a ver com a euforia que se vem registando no mercado das obrigações de países bem pouco recomendáveis em geral. Na edição desta semana a revista The Economist salienta-o e adverte os investidores contra a participação nessa euforia irracional. O défice do Estado português desceu bem pouco como percentagem do PIB, muitíssimo menos do que aquilo que a troica tinha inicialmente programado. É claro que a troica, perante os maus resultados que Portugal consistentemente apresentou na redução do défice, foi diminuindo as suas metas, de tal forma que o resultado final obtido pelo governo em 2013 até pareceu muito positivo - quando na verdade é negativo. Portugal continua com um défice muito elevado nas contas do Estado e a dívida acumulada apresenta-se dificilmente sustentável. A verdade é que a euforia nos mercados obrigacionistas não tem quaisquer fundamentos reais.

A economia está a arrebitar, é um facto, mas é difícil ver como possa isso ser grande mérito do governo. Em geral, a economia porta-se bem ou mal muito mais por (de)mérito dos agentes privados do que dos governos. E, de qualquer forma, não só o crescimento económico é exíguo e não permite grandes esperanças de alguma vez o Estado português vir a pagar as suas enormes dívidas, como esse crescimento económico não é uma originalidade portuguesa - a Grécia e a Espanha estão a crescer aproximadamente tanto como nós.
Quanto à descida do desemprego, não duvido que ela resulta em grande parte da descida da população trabalhadora, por via da emigração por um lado e da desistência de procurar trabalho (e/ou das reformas antecipadas) por outro. Todos os economistas concordam que um crescimento económico tão baixo quanto aquele que Portugal exibe é em geral insuficiente para causar uma descida do desemprego, na ausência desses outros fatores.

Em suma: os bons resultados pelos quais o governo embandeira em arco ou não são tão bons assim, ou não são mérito do governo.

Retrato de Luís Lavoura

É óbvio que as pensões de reforma se têm que adaptar à capacidade económica e demográfica do país que as sustenta. Não pode haver reformados ricos no meio de um país pobre. Não podem as pensões de reforma evitar decrescer quando há cada vez mais reformados a ser sustentados por cada vez menos trabalhadores ativos.
A adaptação pode ser feita a bem ou a mal, gradualmente ou de uma só vez. Mas adaptação terá que haver.
Aliás, há sempre adaptação. Já no governo de Sócrates foram feitas importantes mudanças no sistema de pensões, pelo que não se vê por que motivos deva o Partido Socialista rejeitar, em princípio, a necessidade de mudanças.

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O golpe de Estado do 25 de abril foi levado a cabo por muitos militares. Muitos deles já terão falecido. O principal operacional, o capitão Fernando Salgueiro Maia, foi vítima de cancro já há dezenas de anos. O principal ideólogo do Movimento das Forças Armadas no pós-25 de abril, Ernesto Melo Antunes, também já faleceu há alguns anos.
Esses oficiais intermédios tiveram vários ideais políticos. Não tinham ideias políticas uniformes.
Hoje há uma associação que diz representar esses homens que fizeram o 25 de abril. Mas não os representa a todos, representa apenas alguns de entre eles. A começar, claro, pelo facto de que não representa os já falecidos. E também não representa aqueles que, como Salgueiro Maia, nunca se meteram muito na política após o golpe de Estado.
Devemos respeito a esses militares que libertaram Portugal de uma ditadura. Mas não os devemos confundir com a pequena associação de alguns, poucos, de entre eles.
Não vejo por que se deve confundir os capitães do 25 de abril com um somente de entre eles, Vasco Lourenço, e por que se deva dar a esse senhor o direito de os representar a todos discursando perante a Assembleia da República.
A não ser, é claro, que se goste particularmente e especialmente das atuais ideias de Vasco Lourenço.

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Estou 11% de acordo com esta opinião de Ron Paul: "my goal has always been to have cooperation and diplomacy rather than antagonism and talking back at each other, and sanctions; they don’t do any good at all! So, I’ve always been more on the optimistic side since the Cold War ended, because we were trading more, and talking more, and traveling more with Russia and China and different places in the world. So, to me, if you trade with people, you do better. So any time you suspend anything like that, it’s negative."

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Eu jamais peço fatura com número de contribuinte, porque receio que o Estado me obrigue a ficar com um automóvel de que não necessito e que odiaria ter.

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Mais uma vez, na sexta-feira surgiu na comunicação social um apelo lancinante para que o Estado preste atenção à descida da natalidade e faça alguma coisa (que ninguém sabe bem qual possa ser) para que os portugueses tenham mais filhos. O risco, dizem, é que Portugal em breve tenha apenas 6 milhões de habitantes (como se isso fosse algum desastre - Portugal já teve 6 milhões de habitantes e nem por isso era menos país do que é hoje).

Há muitas coisas que eu não entendo nesta tese, e a principal delas é: se Portugal já hoje é incapaz de dar emprego a todos os seus jovens, para que raio querem que Portugal tenha ainda mais jovens? Será que Portugal tem falta de mão-de-obra? Não tem, evidentemente, como se vê pelo nível do desemprego no país. Mas, se a economia portuguesa não tem falta de mão-de-obra, para que raio querem que os portugueses produzam ainda mais mão-de-obra? Não a tem o país a suficiente para si próprio e, ainda, para forçar tantos portugueses a emigrar?

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Muito instrutiva, a entrevista que Elisa Ferreira (eurodeputada eleita pelo PS) deu este sábado à Antena 1.

Ela disse, entre outras coisas, que Portugal tem que perceber que é um "acionista", de pleno direito, da União Europeia. Não é um "aluno" dela, mas sim um acionista com tantos direitos como os outros. E, tal como os restantes acionistas da União defendem os respetivos interesses, também Portugal tem que, sem rebuço, defender os seus.

Se Portugal quisesse deixar de ser um (bom) aluno da Europa, então uma das primeiras coisas que deveria fazer seria abandonar o sistema da hora de inverno - hora de verão e passar a ter sempre a mesma hora. Portugal passaria a usar sempre a hora que atualmente usa no verão, que era a hora que sempre teve antes do 25 de abril e antes de os governos de Cavaco Silva (que foi tão péssimo primeiro-ministro como é péssimo presidente da república) terem adotado essa postura de Portugal como "o bom aluno da Europa".

Portugal deveria declarar a sua independência, o seu opting out, das políticas europeias (estúpidas, aliás, mesmo para a Europa do norte, pois não há qualquer prova de que a mudança de hora contribua para poupar energia) que não lhe convêem. E deveria, para começar, recusar-se a alterar a sua hora do verão para a de inverno.

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É muito positiva a proposta hoje avançada por sete economistas de diversos países europeus, entre os quais o português João Ferrreira do Amaral, no sentido de que a Zona Euro seja desmantelada, não através da saída dos países mais pobres, mas sim através da saída dos países mais ricos.

Com efeito, essa seria a única forma de desmantelar o Euro sem introduzir penalizações excessivas para os países que iniciassem o processo de saída e sem causar perturbações excessivas nos mercados financeiros.
É claro que o desmantelamento da Zona Euro será uma forma suave de "depenar" os investidores, nomeadamente aqueles que investiram em obrigações emitidas nos países mais pobres da Zona Euro, pois que esses investidores iriam receber de volta o seu dinheiro num Euro que já não seria a moeda utilizada nos países mais ricos da Europa. Porém, dando de barato que alguns investidores terão necessariamente que, mais tarde ou mais cedo, ficar "a arder", parece-me que a forma de os "depenar" com um mínimo de dor é esta, através da saída da Alemanha da Zona Euro.

A grande esperança para as próximas eleições europeias é pois: Alternative fuer Deutschland!

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São naturalmente benvindas as medidas legislativas ontem anunciadas pelo governo no sentido de liberalizar os saldos e os horários de abertura dos estabelecimentos comerciais e de eliminar algumas taxas e obrigações de comunicação que atualmente impendem sobre os comerciantes.

Não se pense, no entanto, que essas medidas farão grande diferença prática. O facto é que, na prática corrente, Portugal sempre foi um dos países mais liberais em matéria de legislação comercial. Lembro-me que, quando vivi na Alemanha, há 25 anos, os horários de abertura do comércio nesse país eram notoriamente rígidos e desfavoráveis para os consumidores - e nem por isso a Alemanha deixava de prosperar. Na prática, já hoje as lojas em geral fazem saldos quando querem e abrem ou fecham quando lhes apetece, mesmo se ao arrepio da lei. É sabido que os portugueses sempre tiveram uma atitude relaxada perante a lei...

A liberalização é de saudar por princípio, não por na prática ir fazer grande diferença.