Retrato de Luís Lavoura

Portugal está neste momento a ser mantido à tona da água exlusivamente pelo Banco Central Europeu (BCE). "Os mercados interbancários estão fechados para os bancos portugueses" afirma a economista-chefe do BPI, pelo que os bancos portugueses estão a recorrer exclusivamente a empréstimos do BCE. Esses empréstimos aumentaram de Janeiro para Fevereiro em 56 milhões de euros, de Fevereiro para Março aumentaram mais 162 milhões de euros, de Março para Abril aumentaram ainda mais 2266 milhões de euros, e de Abril para Maio aumentaram mais 18334 milhões de euros. Ou seja: houve em Maio, literalmente, uma explosão nos pedidos de empréstimos de bancos portugueses ao BCE.

 

Enquanto o BCE estiver disposto a continuar desta forma a emprestar dinheiro a Portugal, Portugal sobrevive. Quando o BCE achar que já é de mais, Portugal colapsa.

 

E não será só Portugal: a situação é idêntica para os bancos espanhóis, gregos e irlandeses, e também alguns bancos italianos e franceses estarão agora, julga a mesma economista, a sobreviver à custa do BCE.

 

Tudo isto se passa porque os bancos europeus, em massa, estão intoxicados por uma nova forma de ativo tóxico - os empréstimos que fizeram a Estados europeus que hoje estão virtualmente falidos. Perante esta intoxicação em massa de bancos, os bancos desconfiam uns dos outros e recusam-se a emprestar dinheiro uns aos outros.

 

Com grandes partes da Europa a viver à custa de injeções maciças de dinheiro por parte do BCE, não sei que solução restará para a Europa a não ser dar rédeas largas à inflação, para que esta possa comer progressivamente os valores de todas as dívidas em causa. Porque claramente o que está em causa aqui não é só um problema de Portugal ou da Grécia, isto é, dos devedores, é um problema de todo o sistema bancário europeu, isto é, dos credores também.

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