Retrato de João Cardiga

Este post (e os que se seguirem) é uma resposta às reacções de algumas pessoas(ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui) ) a esta notícia do CM.

O CM hoje noticia que “Sócrates foi apoiado por blogues alimentados em informação e argumentários feitos por assessores.” A notícia em papel é um pouco mais contundente argumentando que não apenas foi utilizados assessores do governo, como meios do estado.
Existe efectivamente uma grande imprecisão nesta notícia, é que não foi Sócrates que foi apoiado mas sim o PS, dado que a campanha é do partido e não de uma pessoa. Mas, adiante. Entretanto a reacção foi rápida e contudente como poderão verificar nos links que disponibilizei e para mim foi também algo assustadora.

Por exemplo o deputado Miguel Vale de Almeida diz:

“Já agora: eu fiz parte desse blog, o Simplex, fui candidato do PS e se precisasse naturalmente recorreria a informações do PS ou do governo ou dos seus assessores para argumentar melhor alguma ideia que quisesse expandir. O contrário é que seria absurdo. Pelo menos em democracia e com liberdade de expressão. Simplex.”

E isso é grave, pá! Este tem sido um dos argumentos utilizados por todos os bloggers, e neste caso tem uma gravidade acrescida pois estamos a falar de um deputado. Eu vou tentar explicar o mais simples e básico possível para ver se todos entendem:

- o governo, o Estado e o partido não são, na nossa democracia liberal, a mesma coisa. Têm natureza significativamente diferente (aliás julgo que basta ir à constituição para se perceber isso)!

E ao contrário do que querem transmitir, e principalmente nos tempos que correm, não é nada normal que assessores pagos pelo erário público utilizem e forneçam informações apenas a um blogue de apoio ao PS. Ou bem que davam esses elementos a todos os partidos ou então não poderiam utiliza-los. É o grande problema de se ir para o governo para quem exerça ou queira exercer uma vida partidária activa. Assim que passa a governante, ou funções similares, todo o conhecimento que detém tem de ser dado a todo os partidos e de preferência a todos os cidadãos ou então não poderá ser utilizado por nenhum.

Existe um exemplo perfeito disso levado a um extremo: a Madeira. E se bem me recordo, todos os que acham normal, indignaram-se pelo caso da Ferreira Leite, e bem. E isto não é uma questão de metros, ou de qualquer outra medida quantitativa, é pura e simplesmente uma questão de princípio. Julgo que foi na Dinamarca que uma presidente de câmara se demitiu quando foi tornado público que a mesma tinha dado um ramo de flores com dinheiro público a um amigo que estava doente. Não sei se é necessário chegar a este extremo, no entanto julgo que por cá estamos a chegar ao extremo contrário. Aqui tudo é permitido a quem é governante. E o pior é que ao agirem dessa forma minam mais do que ninguém os valores que dizem defender.

P.S. Existe efectivamente uma visão que não distingue estes três elementos e os torna uno e indivisíveis: a visão fascista da sociedade. Com isto não quero dizer que uma pessoa é fascista, mas somente que tem uma visão fascista do poder político. Aliás esta dificuldade em distinguir estes conceitos deriva muito do nosso (fraco) passado liberal.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação