Em tempos, o bafejado foi o Sr. Cardeal Pina Moura.
Agora saíu o Euromilhões a umas das faces prominentes da famosa 3ª via socialista - O Sr. Schröder.

Nem por sombras se deve pensar que, neste blog liberal, se revela ou revelará algum tipo de epicondilose (vulgo "dor de cotovelo") contra a criação de riqueza (pessoal ou colectiva).
Mas, na hipótese remota de algum destes personagens acreditar na dignificação da "classe" dos políticos, talvez fosse boa ideia começar por não aceitar empreguinhos nas áreas de decisão política onde esteve (ou estiveram) envolvido(s).

Como bem apregoam, os socialistas/estatistas passam pelo poder decisório para tirar o "povo que mais ordena" da miséria.

Habitualmente começam (e acabam) por si próprios...

Luis:

Cirilo Marinho on Quarta, 14/12/2005 - 18:39

Luis:

A tua argumentação é totalmente defensável (mas não na condição de liberal). Os comentários de Vitor resumem bem o que penso. Há subjectividades e objectividades, como em tudo. Quem é Professor Universitário antes do período de governação pode ter a legítima espectativa de o voltar a ser, à saída.
Retiro duas conclusões:
1. Conheces as habilitações académicas e qualificações profissionais dos referidos para o exercício dos cargos que foram contratados? É que o problema reside aqui. Se, em teoria, não existir nenhum benefício por parte do estado, os privados tentam contratar os mais qualificados, não ex-governantes.
2. O liberalismo tem como um dos fundamentos defender os seres individuais dos potenciais abusos colectivistas (leiae estado). Se nós (MLS) não acharmos que este comportamento é eticamente reprovável, então estaremos a aceitar a o estado glutão e o estado tentacular.

Abraço-s

Retrato de Luís Lavoura

Mas no caso do Pina Moura

Luís Lavoura on Quarta, 14/12/2005 - 10:46

Mas no caso do Pina Moura pode-se argumentar que ele acredita firmemente que a Iberdrola é uma excelente firma e que, como tal, enquanto governante favoreceu a Iberdrola de acordo com as suas convicções mais profundas.

Suponhamos um ecologista que, depois de ter estado numa associação ambientalista a lutar contra a incineração de resíduos, encontra emprego numa firma que trata esses resíduos por um qualquer outro método. Pode-se argumentar que esse indivíduo está a ser coerente: ele sempre acreditou que os resíduos devem ser tratados por um método que não a queima, e lutou por isso em termos primeiro políticos, depois empresariais.

Um político é a mesma coisa. Pode-se argumentar que Gerhard Schroeder sempre acreditou que um gasoduto através do mar Báltico era uma coisa boa para a Alemanha. Lutou por esse gasoduto primeiro em termos políticos, e agora em termos empresariais. Está a ser coerente.

Ha' situacoes claras e

Vitor Jesus on Quarta, 14/12/2005 - 10:29

Ha' situacoes claras e subjectivas. A de Cavaco Silva favorecer a UCatolica e' altamente subjectiva. Alias, uma coisa e' haver tendencia e outra e' haver intencao.

A de Pina Moura e' objectivissima. Entao o homem da' parte da EDP aos espanhois e um ano depois vai gerir aquilo que cedeu?

Nao estou a desconfiar das intencoes de Pina Moura pq nao gosto de entrar por ai.

E' apenas uma questao de natureza humana. Havendo a possibilidade de alguem usufruir de uma medida que pode tomar em cargos oficiais, deve criar-se mecanismos que impecam a "tentacao" de se tornar real e a o detentor do cargo publico a dada altura nao conseguir resistir a legislar em causa propria.

A Iberdrola seguramente nao tem culpa nenhuma: acho bem que procure as melhores pessoas para gerir os seus negocios. Pina Moura e' que, por uma questao de etica, nao deveria ter aceitado. E nao deveria ter aceitado pq, na altura em que era ministro das financas, deveria ter tomado a decisao intima de dizer: vou liderar este projecto mas manter-me ao maximo objectivo e defensor dos interesses do Estado portugues.

Agora, legislar sabendo que haveria a hipotese de, em pouco tempo, gerir o objecto das medidas, e' mesmo para cegar qq um. Por muitas boas intencoes que tenha -- pq tb as ha' menos boas, simplesmente, nao acho que seja util ir por essa linha de discussao.

A mistura e a sequencia dos eventos e' que esta' demasiada sujeita a desconfianca.

Retrato de Luís Lavoura

É bastante difícil fazer

Luís Lavoura on Quarta, 14/12/2005 - 09:53

É bastante difícil fazer regras para estas coisas.

É normal que as empresas procurem pessoas bem relacionadas para os seus quadros de pessoal. Um político é uma pessoa bem relacionada.

É também natural que um político desempregado procure um emprego satisfatório, e no qual possa aplicar o seu know-how.

Imaginemos a situação oposta, por exemplo a de Cavaco Silva que, passado o seu tempo como primeiro-ministro, voltou ao seu anterior emprego na Universidade Católica. Poder-se-ia argumentar que ele, de facto, nunca se desligou desse emprego e que, enquanto primeiro-ministro, fez todo o possível para favorecer a Universidade Católica. Que fez tudo tendo em vista que, passado o seu tempo como pimeiro-ministro, voltaria ao seu emprego anterior, no qual conviria estar bem-visto.

A única forma de impedir quaisquer suspeitas seria obrigar todos os antigos governantes a, daí para a frente, empregarem-se como homens do lixo numa Câmara Municipal. O que é manifestamente impossível!

Dizes tudo.. tb nao tenho

Vitor Jesus on Quarta, 14/12/2005 - 09:44

Dizes tudo.. tb nao tenho nada contra ninguem ter um emprego de milhoes. Mas nao e' etico estas misturas.

A do Pina Moura foi escandalosa e continua a ser. Um enorme falta de senso da coisa-publica.

epicondilose? :)

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