E' marcante e, se fiquei surpreendido ao principio, com segundas consideracoes achei coerente. Resta dizer que aposto que estes 20% sao os melhores de todos os licenciados.

Eu proprio faco parte destes 20%. Efectivamente, para quem gosta de ambientes de alto nivel, Portugal tem muitas poucas opcoes. E' um pais pouco exigente, com poucas ferramentas de trabalho e com pouca cultura de inovacao. E' um pais de servicos classicos com modelos de negocio ultrapassados, salvo honrosas excepcoes (como as operadores de telecomunicacoes).

Sobra as universidade. Pessoalmente, recusei terminantemente continuar ligado 'a Universidade assim que acabei o curso. Trata-se de um ambiente fechado, sem ligacao 'a sociedade civil e dominado por prepotencia de quem esta' "acima" de mim.

Notar que este comentario nao e' exclusivo para tecnicos. E' valido para todos.

Finalmente, um comentario a proposito. Fiquei a saber ha' uns dias que na Holanda, um pais pequenino mas com uma actividade incrivel, existem fortes incentivos para estrangeiros qualificados (que e' necessario provar). Para alem disso, qualquer site de universidades holandesas tem um link para doutoramentos. Ao contrario de Portugal, onde, genericamente, um doutoramento e' visto como um premio para uma certa fidelidade, na Holanda as universidades aliciam as pessoas e competem entre si para atrair os melhores cerebros.

Sao 3 passos (pelo menos) 'a frente: cerebros que nao fogem, cerebros que sao atraidos, cerebros em potencia que sao desenvolvidos.

Antes de mais, peco desculpa

Cavaleiro Andante (não verificado) on Terça, 16/01/2007 - 18:01

Antes de mais, peco desculpa pelo mau jeito na acentuacao mas de onde vos escrevo nao ha teclado condizente.

Sou jovem, licenciado e vivo no estrangeiro. A decisao nao foi facil. Por mais que se "mascare" a situacao com um bom salario, amigos internacionais e um estilo de vida mais consentaneo com o jovem europeu central, e sempre com alguma tristeza que se libertam as amarras e abandona-se o pais onde crescemos e onde toda o nosso input cultural foi criado.

No entando, qual a alternativa? Como tantos outros, tambem percorri toda a espiral laboral existente em Portugal. Estive em empresas de toda a especie, desde a familiar cheia de vicios e intrigas as empresas impessoais em que o trabalhador e tratado como apenas "mais um".

Com o devido distanciamento que apenas o tempo permite, Portugal parece-me agora... uma quimera, um quasi-pais a espera de algum D. Sebastiao que, por artes magicas, transforme uma economia decrepita e asfixiante numa outra qualquer realidade alternativa.

Conversa de emigrante saudoso? Quica. E no entanto...

No entanto se penso em voltar e ganhar nao mais de 800 ou 900 Euros (sim, pois a minha area nao e tecnica nem ultra especializada)...

Como competir com o que ganho no pais que me acolheu? Como competir num ambiente de trabalho em que me telefonam para casa a perguntar se preciso de algo quando estou adoentado?

Sim, custa pagar o triplo ou o quadruplo por um cafe que e uma zurrapa e nao ter as praias e as paisagens lusas. Mas como diria um amigo meu: "Este e um pais optimo para quem tem algum dinheiro de reserva, entao tens uma vida fantastica" mas como aceder a esse estado se os ordenados sao de miseria, as pessoas estao sempre de pe atras e meritocracia nao passa de uma ilusao????

No dia em que Portugal oferecer melhores salarios e condicoes de trabalho serei o primeiro a voltar. Ate la, nao me pecam para cantar o fado... ja foi tempo!!

Os «cérebros» portugueses que emigram

Vital Veríssimo (não verificado) on Sexta, 28/10/2005 - 13:11

Não vou comentar o conteúdo do seu escrito, vou pedir-lhe que, antes de emigrar,aprenda a escrever em português.

Caro Vital Verissimo

Vitor Jesus on Segunda, 31/10/2005 - 09:06

Caro Vital Verissimo,

Aqui ficam alguns esclarecimentos.

1. nao emigrei coisa nenhuma (e tb nao tinha mal nenhum se o tivesse feito). Continuo portuguesissimo, pago 6 eur por 3 cafes todos os dias, janto 'as 20h, cozinho como portugues, pago IRS e Seg Social em Portugal, pertenco aos quadros de uma empresa portugesa e tenho namorada portuguesa. Simplesmente trabalho fora de Portugal.
A UE tem destas coisas...

2. Desafio-o (e agradeco) a encontrar erros ortograficos, semanticos ou gramaticais nos meus textos. Atencao que erros tipograficos nao contam, incluindo a falta de acentos e cedilhas. E' que normalmente escrevo estes textos a partir de um teclado onde nao posso instalar o layout de teclado portugues. Para piorar, escrevo estes textos bem de manhazinha, o que ainda menos garantias da' ja' que o meu cerebro so' comeca a funcionar 'as 10h (portuguesas). ;)
O software tem destas coisas...

3. Igualmente, convem nao confundir registo com tecnica. Para dar exemplos, o registo do Miguel Sousa tavares e' jornalistico (?), o de Mia Couto e' poetico (?) e o de Saramago e' oralizante (?). O meu anda muito perto do oral.
A lingua portuguesa tem destas coisas...

Com os melhores cumprimentos,
Vitor Jesus

PS: O seu comentario tem um erro sintatico. Antes de "vou" deveria estar ou um ponto final, ou uma conjuncao (?... e.g.: "e", "mas", "portanto", etc.) para separar as duas oracoes. Uma virgula e' que nao me parece correcto.

Licenciados fora de Portugal

Daniel Romeiro Ferreira (não verificado) on Domingo, 06/11/2005 - 23:22

Primeiro, o menos importante:
- as vírgulas podem ser usadas como parêntesis, e parece-me que é esse o caso do comentário do Vital Veríssimo. De qualquer modo, o dito comentário não tem nada de construtivo.
- apostar que os 20% que trabalham no estrangeiro são os melhores para logo a seguir se incluir nesse grupo não fica bem; esses 20% serão dos melhores (eventualmente, até porque a empresa é portuguesa), e (isso sim) fazem parte dos mais curiosos e aventureiros (no bom sentido).
Segundo, o mais importante: Vítor Jesus tem razão no que escreve, mas a única novidade é a percentagem de licenciados no estrangeiro. E os que querem ficar cá para tentar pôr o país a funcionar? A esses interessa mais saber como promover a mudança de cultura, a fim de aumentar a concorrência (que conduz à exigência), a iniciativa privada (que conduz à inovação e ao emprego), a autonomização/responsabilização (que conduzem à eficiência), etc. O que é necessário é agir, porque as más práticas nacionais e os bons exemplos estrangeiros já são do domínio público…

pelo lado positivo...

FM Pires (não verificado) on Sexta, 28/10/2005 - 10:42

O número é impressionante mas não acho que seja necessariamente negativo.

Ao contrário das vagas de emigração dos anos 60 a 80, a emigração hoje não é feita para colmatar trabalhos precários em países mais ricos, mas sim para preencher postos qualificados nesses mesmos países. Grande parte destes 20% nem sequer vai à procura de rendimentos maiores (embora ajude, claro), mas sim à procura de uma formação melhor e de um emprego mais qualificado.

Segundo li no expresso há uns tempos mais de 80% destes jovens regressam em menos de 5 anos e vêm com frequência a Portugal durante esse período, ou seja nunca se dá um afastamento verdadeiro do país.

Na ausência de condições os jovens estão a saber encontrar a solução, e não estão a ser conformistas. Representam uma mais-valia importante ao regressarem com outro know-how e outra cultura empreendedora.

Para terminar, temos bons exemplos de Universidades que graças a um óptimo trabalho criaram polos de conhecimento e investigação que é preciso desenvolver, Universidade do Minho e Universidade de Aveiro são exemplos a seguir.

Já agora, dentro do meu universo (Economia) todos os sites de universidades têm um link para o doutoramento, embora concorde que depois o acesso não é fácil.

Abraço

E' um bom ponto de vista. Se

Vitor Jesus on Domingo, 30/10/2005 - 16:13

E' um bom ponto de vista. Se a ideia e' portar know-how de fora para dentro, ou se leva os profissionais para Portugal ou se desloca os portugueses temporariamente. Ambas me parecem correctas e ate' me apetece dizer que a segunda ainda e' melhor.

Mas voltamos 'a questao da estrategia. Qualquer das duas formas e' boa e a regra deve ser caso-a-caso. Mas, para cada caso, ou se da' condicoes para estrangeiros qualificados viverem em Portugal ou se da' condicoes para os Portugueses voltarem para tras. Nao duvido que a maior parte dos portugueses queiram voltar. E' preciso e' dar-lhes condicoes para isso.

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