Na sua maioria crianças e mulheres grávidas.
Mas o importante é que ninguém se alarme. Sabe-se lá o que é que poderia acontecer se as pessoas entrassem em pânico.

Segundo as autoridades de saúde existe um cenário provável de contaminação de 25% da população portuguesa com a Gripe A. Segundo as mesmas autoridades, a taxa de mortalidade desta gripe é muito baixa. Para ser mais preciso uma taxa de mortalidade de 0,4% dos infectados.

Ora bem. 25% de 10 000 000 são 2.500.000.
0.4% de 2.500.000 são 10 000 portugueses.

Neste caso os 10 000 não serão na sua maioria idosos, porque as gerações mais velhas tendem a ser mais resistentes à gripe A.

São as crianças e as pessoas com outras doenças que têm maiores probabilidades de falecer perante a infecção.
As crianças são também dos grupos de maior risco de contaminação, devido a hábitos que facilitam o contágio como por as mãos na boca e à proximidade que têm umas com as outras.

Fica então a minha pergunta?
Quantos milhares de crianças vão ter de morrer em Portugal para podermos entrar em pânico?
Talvez até cometer loucuras como não “vir do México com crianças e levá-las para a escola no dia seguinte”.

A maioria das empresas não tem qualquer tipo de prevenção. As escolas e creches não tomam as mínimas precauções. E muita gente continua a não lavar as mãos depois de ir à casa-de-banho.

Durante quanto tempo vamos continuar a fingir que as ameaças não existem e que as catástrofes não acontecem?

Retrato de João Mendes

Subscrevo o que disse o

João Mendes on Segunda, 13/07/2009 - 15:42

Subscrevo o que disse o Stran.

Nunca há motivos para panico...

Stran on Segunda, 13/07/2009 - 14:12

Julgo que está a existir uma perfeita histeria à volta desta gripe, em muito induzida pelos media. O ano passado foi a questão de segurança, este ano é outro tipo de segurança a saude.

Julgo que se este nível de cobertura fosse feito todos os anos por causa da gripe sazonal já teriamos à muito morrido de ataque cardiaco.

Já imaginavam o que seria se o ano passado tivessem constantemente a fazer a contagem dos doentes de gripe, e depois também das suas mortes?

Obviamente esta gripe é motivo de preocupação, principalmente por causa do risco de se transformar em algo mais perigoso (por se tratar do tipo A e não B). Ora para mim, em termos de informação seria mais importante que as contagens e exploração dos caso existentes, saber-se o que é mais benefico, uma maior propagação agora na epoca de calor em que mais facilmente o virus é combatido ou tomar medidas demasiado restritivas e aguardar para a pior epoca: o inverno para uma propagação?

Por exemplo, outra coisa muito mais importante de se saber é se, ganhando imunidade natural a esta gripe se aumenta a probabiblidade de ganhar imunidade a uma nova variante desta gripe?

Mas preocupação é muito diferente de panico ou de tomar medidas extremas, como algumas que o Hugo propõe. Algumas das medidas só serviriam para dar uma falsa sensação de segurança que iria aumentar a situação de panico, e atenção que o panico aqui pode ser brutal pois facilmente os portugueses aceitaram medidas parecidas às que aconteciam com a peste bubonica e recorrem a auto medicação (esta ultima bastante grave e potenciadora de uma gripe mais perigosa).

Já agora, pessoalmente nunca existe motivo para pânico, pois quanto mais grave é uma situação mais deveremos agir com calma e perto da racionalidade. O pânico retira-nos isso e induz-nos a ter comportamentos irracionais e potenciadores de uma maior desgraça.

P.S. já agora se tivessemos a mesma reacção às mortes na estrada (quer por acidente, quer por atropelamento) como defendes para esta gripe já todos estavamos proibidos de conduzir e possuir um automóvel.

Que precauções tu sugeres efectivamente? Sendo que não deves estar a sugerir que todas as pessoas fiquem em casa, pois tal além de não ser possível, não era efectivo (assim que pusessem o pé na rua, a doença podia voltar a propagar-se pois as pessoas não tinham ganho a resistência ao vírus).

Pelo que me parece, a única coisa racional que se pode fazer é ter-se os cuidados acrescidos de higiene e assim que vier a vacina, quem está dentro de grupos de risco, tomar a mesma. Quem estiver dentro dos grupos de risco deve também consultar um médico, mesmo antes da vacina e provavelmente usar um anti-viral assim que uma gripe se manifestar (acho que quem tem problemas respiratórios que possam ser agravados pela gripe o melhor se calhar era ter o anti-viral em casa, mas enfim).

A gripe já se tornou global pelo que tomar cuidados especiais quando se vem de um país em particular não é exactamente muito relevante. O Mexico nem sequer é o país com mais casos relatados e mais mortes (são os Estados Unidos) e no Reino Unido já desistiram de relatar sempre que há um novo caso porque a contaminação já saiu da fase em que é controlável. Por que vai ser a mesma coisa, mais cedo ou mais tarde.

Esta gripe é contudo mais perigosa que a gripe habitual e isso significa que se devem ter mais algumas preocupações. A taxa de mortalidade da gripe normal é geralmente abaixo dos 0.05% (nos EUA nos últimos anos andou à volta dos 0,03% segundo uns relatórios e 0,1% segundo outros - a coisa nunca é muito fácil de se medir porque tal como esta gripe, as pessoas morrem geralmente de outra doença não da gripe em si) e até agora, a nível mundial, a taxa de mortes do H1N1 foi de 0,45%. Sendo que nos países desenvolvidos, com um sistema de saúde melhor tem sido mais baixa. Em Espanha tem andado à volta dos 0,2%, no Reino Unido 0,15%, na Austrália 0,21%. Já nos EUA está a ser de 0,66% e no México superou os 1%.

Dito isto, olhando para as taxas de morte na Europa, contudo, os teus números deveriam ser corrigidos para valores mais próximos da Espanha e do Reino Unido, dado que o nosso sistema de saúde, é, por incrível que pareça (segundo a OMS), melhor que o do Reino Unido e da Austrália e também baixar a taxa de pessoas que vai apanhar o vírus, pois o normal para a gripe comum é entre 5% e 15%. Ou seja, partindo do princípio que 15% da população portuguesa é afectada por esta variação do vírus e 0,21% vai falecer por complicações relacionadas com a doença, estamos a falar de 10,355,824*0,15*0,0021 = 3262 mortes numa visão pessimista do cálculo (a título comparativo, morreram 772 pessoas o ano passado em acidentes de viação).

o que fazer?

Hugo Garcia on Domingo, 12/07/2009 - 11:39

1º parar de fingir que a ameaça não existe
2º não permitir que as crianças sejam deixadas na escola no dia a seguir a virem de férias
3º fazer campanhas sobre higiene (isso devia ser sempre, mas agora ainda mais)
4º Inserir nos programas de qualidade medidas de contenção da gripe
5º Campanhas para desligar o ar condicionado e abrir janelas sempre que tal for possível
6º evitar grandes aglomerados quando possível

E preparar um plano de emergência que apenas deve ser utilizado em último caso. Algo como 3 dias de feriados sem empresas a funcionar, nem transportes públicos, nem lojas e centros comerciais. Naturalmente que isto devia ser feito em situação extrema. Mas os planos de emergência fazem-se quando não há emergência, para serem aplicados em último caso.

Os 25% que eu referi no post eram de um especialista que estava a dizer para não entrarmos em pânico e ter calma no jornal da SIC Notícias. Os 0.4% foi de outra especialista na TSF que dizia que essa taxa era muito baixa.
Os dados da gripe normal não me parece que sirvam de sustentação.

Lembro também que a taxa de mortalidade baixa deve-se apenas a uma variante da gripe. Mas que se espera que este vírus possa evoluir.

Retrato de Miguel Duarte

Medidas

Miguel Duarte on Domingo, 12/07/2009 - 16:34

A ameaça existe e já existia antes (lembras-te da gripe das aves?). As pandemias que causas muitas mortes são frequentes e no século passado tiveste 3, a de 1918 que matou 20 a 100 milhões de pessoas no mundo inteiro, a de 1957/58 que matou 1 a 1,5 milhões e a 1968/69 que matou à volta de 1 milhão. E como tu disseste, um vírus relativamente benévolo pode passados alguns meses tornar-se num vírus mais mortal.

Como os tremores de terra em Lisboa, não sabemos quando vamos ser atingidos por uma nova pandemia com elevada mortalidade, mas sabemos que vamos algum dia sê-lo.

Quanto às tuas sugestões, a das crianças é duvidosa porque esse conceito de vir de férias é relativo, dado que a partir do momento em que gripe começar a propagar-se em Portugal rapidamente, uma criança pode apanhar o vírus em casa pelos pais ou na rua a brincar. As campanhas de higiene parece-me o mais correcto e eu até iria mais longe, a partir do momento que a pandemia claramente estiver estabelecida em Portugal, pedir às empresas para obrigar todos os funcionários a usar máscaras (para não pegarem aos colegas de trabalho eventuais gripes). Quanto ao ar condicionado, bem, se os técnicos assim disserem, que seja.

Acho que te esqueceste de uma coisa muito importante, os transportes públicos. Se vier uma pandemia muito grave a mim ninguém me vai apanhar nos transportes públicos durante uns tempos. O problema é que há pessoas que não têm alternativa.

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