Antes de escrever este artigo, e porque poderá existir muito leitor distraido gostava de transcrever um textozinho que está aqui ao lado na nossa politica editorial:
"Este é um espaço de liberdade de expressão, destinado a todos aqueles que concordem com a nossa declaração de princípios. Devido a este facto, as opiniões aqui expressas são pessoais e não representam a posição oficial do MLS. Todas as tomadas de posição do MLS, são colocadas na página principal do nosso site."
Como tal, espero que fique esclarecido que o que escrevo de seguida é a minha opinião pessoal, e que caso alguém faça confusão com a politica do MLS tal só poderá ser derivado de uma grotesca iliteracia ou de uma profunda má-fé!
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Não obstante a existência de outras soluções (que não pretendo discutir neste artigo) a realidade é que vivemos num país que tem um Salário Minimo Nacional. Assim todos os os anos existe uma discussão à volta do seu valor. Este ano não foi excepção e uma vez mais vêm os arautos das desgraça defender que o valor é demasiado elevado, etc...
Ora este ano saiu uma noticia que parece que passou despercebida mas que eu queria transcrever:
Esta é uma noticia que nos devia envergonhar a todos. Mas em especial devia envergonhar os nossos empresários, pois significa que andam a discutir "migalhas" e a fazer pressão para que as pessoas percam condições de vidas. Parece-me que no minimo, num país que assistiu a um aumento do PIB real nesse periodo, que se modernizou e enriqueceu, que o SMN tivesse acompanhado a inflação. Mais, o facto de um aumento como este poder significar mais despedimentos apenas demonstra a incompetência que os mesmos tiveram em tornar os seus negócios em negócios de valor acrescentado e por isso imunes aos aumentos do SMN.
Mais estranho para mim é que gastem tanto dinheiro a fazer lobby e pressão nesta temática quando não é de todo o maior custo da sua empresa.
Honestamente estou cansado de ouvir o discurso economico girar à volta dos recursos humanos e de como os problemas das empresas portuguesas derivam do mesmo. Se a ideia é motivar esses mesmo recursos a produzirem mais, então não poderia ser pior discurso. Se em vez disso concentrassem os seus esforços a fazer pressão para ter um Estado menos pesado e estrangulador, a investir esse dinheiro em Investigação que diminua os outros seus custos talvez hoje Portugal estivesse um bocadinho melhor.
Aliás se fosse um empresário a ultima coisa que queria que as pessoas soubessem é que a minha empresa depende das más condições que dou aos meus empregados. Teria bastante vergonha e a ultima coisa que faria era tornar publica esta vontade de não aumento do Salário Minimo Nacional.
Mas já agora este valor e esta noticia não deveria apenas envergonhar de morte os empresários. Existe um outro grupo que deveria ainda ter mais vergonha, aliás que deveria ter vergonha suficiente para pedir desculpa aos trabalhadores que os mesmos dizem defender. Sim falo dos Sindicatos! Este facto (a perda real do valor do SMN) é o melhor reflexo da incompetência dos nossos sindicatos. Distraidos em jogos politicos, concentrados em fazer barulho em vez de procurar soluções, neste ultimos 35 anos os sindicatos falharam clamorosamente o seu fim. Deixaram que o trabalho se tornasse muito precário e não conseguiram o minimo exigivel, que seria o de manter o poder de compra do SMN. Estes, mais ainda que os empresários, deveriam reflectir muito bem no que andam a fazer!
A mim resta-me sentir vergonha e responsabilidade por isto ter acontecido no meu país e tentar lutar para que nos próximos anos tal não se volte a repetir. Não me parece muito exigir a um país, que viu a sua riqueza aumentar, que os mais pobres mantenham pelo menos o seu poder de compra!














Negociar o salário dos outros?
Filipe Melo Sousa on Quinta, 24/12/2009 - 09:53Cá por mim, o salário é uma questão privada. Ninguém devia interferir no negócio e na vida dos outros. As negociações colectivas sempre me fizeram espécie. Conheço tanta gente que "trabalha" e que não vale 400 euros por mês sequer.
Não é dos outros...
João Cardiga on Sábado, 26/12/2009 - 15:50Antes demais, tendencialmente não estarás a negociar os vencimentos dos outros, pois existe uma adesão voluntária ao sindicato que faz as negociações.
Depois poderás pôr em causa o facto da negociação colectiva se sobrepor à negociação individual mas isso é justificado pelas condições laborais que saem da negociação colectiva em comparação à negociação individual. E a não ser que estejas disposto a abandonar uma das tuas crenças (que o individuo prefere sempre mais a menos), não conseguirás argumentar contra pois não existe registo de uma negociação individual dar uma melhor posição negocial que uma negociação colectiva.
Pessoalmente julgo que o que deveria ser a tendencia era a de as negociações colectivas passarem a ser mais individualizadas (não estou a falar de negociações individuais) para que obtenho o melhor dos dois mundos: a força de uma negociação colectiva e a maximização da liberdade individual.
"Conheço tanta gente que "trabalha" e que não vale 400 euros por mês sequer."
Bem aqui entras em contradição com outra das tuas convições: a determinação do valor pelo mercado. Isto é, ou apenas estás a falar de pessoas que recebem o salário minimo (o que eu duvido), ou então o trabalho dessas pessoas vale aproximadamente o valor do salário delas e tu não poderias concluir o que concluiste...
Não consegues perceber?
João Mendes on Sexta, 25/12/2009 - 17:31Não consegues perceber que um grupo dá maior poder negocial que um trabalhador individualizado? Não me parece complicado perceber isto. Posso não concordar com o regime laboral em Portugal, mas não me parece difícil de perceber a negociação colectiva.
Muito bem.
antibalas (não verificado) on Segunda, 21/12/2009 - 14:21Muito bem.
Obrigado
João Cardiga on Segunda, 21/12/2009 - 18:30Epá muito obrigado pelas tuas palavras. É sempre bom ouvir isso...
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