Retrato de Luís Lavoura

O Expresso do passado fim de semana deu uma "notícia" muito estranha: que o primeiro-ministro terá autorizado Isabel dos Santos a comprar (supostamente muitas) ações do BCP.

Eu tenho por regra desconfiar das "notícias" do Expresso, e uma pequena investigação (basta guglar "estrutura acionista BCP") confirma, neste caso particular, as minhas desconfianças. O BCP tem imensos acionistas, e o primeiro-ministro não tem nada que autorizar, nem pode proibir, qualquer desses acionistas de vender as suas ações a Isabel dos Santos. Os grandes acionistas do BCP, que são cinco, apenas detêm 30% da totalidade das ações, e nenhum deles pertence ao Estado português, pelo que nenhum deles pode ser proibido pelo primeiro-ministro de vender as suas ações a Isabel dos Santos; e, afora esses grandes acionistas, há milhares de outros acionistas. Certamente que, se Isabel dos Santos quiser comprar algumas ações do BCP, e se oferecer um bom preço por elas, não terá qualquer dificuldade em encontrar quem lhas venda.

Enfim, tal como, infelizmente, se verifica repetidas vezes, a "notícia" do Expresso é uma não-notícia. O primeiro-ministro de Portugal, mesmo que os quisesse ter, não tem poderes nem para permitir nem para impedir Isabel dos Santos de comprar (eventualmente muitas) ações do BCP.

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