Retrato de João Mendes

A ler este artigo, sobre a Universidade Lusíada de Famalicão ter sido condenada a pagar 90.000 euros à família de aluno morto em praxes. Infelizmente, o processo crime foi arquivado, dado que não se conseguiu descobrir quem é que matou, de facto, o aluno em questão. Mas pelo menos a universidade, que tentou lavar as mãos do assunto, acabou condenada.

Retrato de Luís Lavoura

Praxe? Culpa?

Luís Lavoura on Segunda, 28/09/2009 - 08:47

1) Tanto quanto percebo da notícia não se tratou de praxe nenhuma. O estudante morto era do 4º ano e tocava na tuna da universidade. Houve agressões físicas, mas não fizeram parte de uma qualquer praxe.

2) Ou me engano muito ou tratou-se de uma decisão judicial errada. É difícil conceber como é que a direção da universidade poderia prever e evitar o mal-estar e a agressão no interior da tuna. É para mim claro que o juiz, na tentativa de aplacar a justa ira de uma mãe, escolheu o bode expiatório mais fácil, porque mais rico - a Universidade Lusíada.

Luís Lavoura

Retrato de João Mendes

Luís, a notícia chama-se

João Mendes on Segunda, 28/09/2009 - 11:18

Luís, a notícia chama-se "Praxe: Lusíada tem de pagar 90 mil euros à família do aluno morto", que era aliás caloiro. O corpo da notícia não fala constantemente de praxes, mas dado o título, subentende-se que era a questão em causa. Além de que me parece que desresponsabilizar as universidades quando alunos são espancados até à morte no seu interior e se considera que podiam ter feito mais para o evitar é dar os incentivos errados às universidades.

Retrato de João Mendes

Acho muito bem que haja

João Mendes on Domingo, 27/09/2009 - 15:13

Acho muito bem que haja festas, que haja convívio entre antigos e novos alunos, e que quem queira ser pintado e andar pelas ruas a dizer parvoíces rodeado por gente em capas pretas o possa fazer à vontade. Mas esta pessoa morreu por causa da praxe. Foi um homicídio, sim. E foi também uma praxe. As praxes com consequências nefastas não deixam de ser praxes por isso.

De qualquer forma, participar nas praxes não é sempre "voluntário". Há fortes pressões de grupo para que se participe, sob pena de se ser posto de parte. Nem toda a gente é capaz de resistir a essas pressões, e nem toda a gente que anda com a cara pintada pelas ruas, acompanhado de pessoal de fatiota académica, está lá porque acha aquilo o máximo.

Tem de haver alternativas para integração dos alunos que vão para além destas actividades, que eles podem considerar humilhantes. Tem de haver forte controlo daquilo que os alunos mais velhos fazem, para evitar abusos, e tem de haver responsabilização das universidades e dos alunos quando as coisas correm mal.

Há também que dizer, com todas as letras, que quando as coisas correm mal durante uma praxe, continua aquilo a ser uma praxe.

P. S. Nas praxes, a própria noção de "caloiro" me aborrece. Não há "caloiros" e "alunos mais velhos", em hierarquia. Há alunos, sendo que alguns ajudam os outros a integrar-se numa comunidade que poderá ser nova para eles.

Sou um fervoroso adepto das

André Escórcio ... on Domingo, 27/09/2009 - 13:30

Sou um fervoroso adepto das praxes enquanto actividade de integração de novos alunos na vida das universidades.
Quando fui estudar para a universidade vinha de uma cidade diferente, naquela altura era tudo novo, as pessoas a cidade a escola, etc. E as praxes foram uma forma espantosa de integração.
Arrisco-me mesmo a afirmar que as minhas praxes foram um dos momentos que mais me marcou, pela positiva, na minha vida.

No entanto tenho consciência que nem todos tiveram a sorte de ter as praxes que eu tive, aquela primeira semana de actividades foi sem dúvida uma das melhores formas de integração que alguma vez vi, no entanto para outras pessoas noutras instituições foi dos piores momentos da sua vida.

Apesar disso, como digo todos os inícios de anos lectivos, a praxe acaba onde começa a violação da lei (que protege de forma geral todos os direitos humanos) e como tal esse aluno que morreu foi alvo não de praxe mas de um homicídio.

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