Durante estes últimos anos tenho andado à procura de uma definição do que é o liberalismo.
Não procuro propriamente uma definição dos livros de ciência política mas sim de um denominador comum.

A verdade é que todos gostamos de Liberdade, sejamos liberais, socialistas, comunistas ou conservadores. Por isso necessitamos de algo mais preciso para definir Liberalismo.
O problema deriva da existência de uma diversidade de ideologias denominadas por Liberalismo. Tudo começou com a designação do "Laissez Faire", mas esta já está extremamente desactualizada.
Hoje entre os liberais encontramos os Liberais Social, os Liberais Conservadores, os Neo-Liberais e uma série de outros tipos de liberais. O problema é que todos eles são liberais no sentido em que defendem a liberdade e não existe nenhuma forma de se ser um liberal puro.
É impossível definir uma forma de liberalismo puro, pois quando damos liberdade a um estamos a tirar liberdade a outro.

O que distingue então a forma de pensar de um Liberal de todos os outros?
O denominador comum que encontro consiste nesta importância dada à cenoura e ao chicote. A metáfora da cenoura e do chicote representa a recompensa e o castigo. O liberal acredita que todos temos de lutar por aquilo que queremos e que assim é que deve ser.
Os liberais, sejam eles socias, neo-liberais, conservadores ou outros, defendem que qualquer sistema onde tudo nos seja dado ou tirado à partida é uma artificialidade que destrói o espírito humano.
Contudo deve existir uma certa naturalidade nesta cenoura e no chicote.
O Socialista geralmente é aquele que acredita que as cenouras devem ser dadas a todos. As cenouras devem ser grátis e que toda a gente merece cenouras. Contudo o mesmo socialista gosta de empunhar um grande chicote para todos aqueles que comem demasiadas cenouras e para os que comem as cenouras que não eram deles ou que simplesmente deviam ter dado a quem ainda não tinha.

Nós, os liberais, acreditamos que temos de lutar por aquilo que queremos e quando alguém nos dá o nosso objectivo está, na verdade, a roubar-nos a nossa força para lá chegarmos.

O título deste post mais

Anónimo (não verificado) on Quinta, 30/03/2006 - 06:43

O título deste post mais parece o nome de um filme pornográfico!! Vocês curem-se e vão trabalhar, isto é só blá blá que não traz nada de produtivo.

Reposta

Pedro Fontela on Quarta, 29/03/2006 - 16:56

Não resisti e escrevi a minha própria análise do tema...

"Nós, os liberais,

Pedro Viana (não verificado) on Quarta, 29/03/2006 - 16:17

"Nós, os liberais, acreditamos que temos de lutar por aquilo que queremos e quando alguém nos dá o nosso objectivo está, na verdade, a roubar-nos a nossa força para lá chegarmos."

Ah... suponho então que o Hugo acha que a existência de polícia é um dos factores que explica a moleza do homem actual. Se tivessemos que lutar (a sério! só assim é que dá mesmo prazer conseguir algo) constantemente para defender o que consideramos mais precioso para nós, como por exemplo as "cenouras que não eram deles", de certeza que a vida era bem mais ::divertida, interessante e promotora do verdadeiro espírito humano::.

Defender a Liberdade quer dizer defender a liberdade das pessoas serem como são, o seu direito de serem como são e como querem ser, desde que não prejudiquem outras. Não se defende a Liberdade achando que as pessoas devem ser obrigadas a deixarem de ser quem são, a deixarem de agir como bem entendem, obrigando-as a "lutar". Por outro lado, em qualquer sociedade a "luta" envolve frequentemente a "luta" contra outras pessoas, significando que haverá vencedores e vencidos, ou seja, transferência de poder: o vencedor passa a poder mais do que o vencido, passa a poder coartar a liberdade do vencido. Em resumo, o Hugo defende que as pessoas devem ser obrigadas a lutar pela sua liberdade, pelo poder de serem e terem o que querem: se a perderem a culpa é delas, se a ganharem, por exemplo criando um Estado que garantido-lhes segurança lhes protege a sua liberdade, então o que devem fazer é desistir dele. E assim por diante, até que suponho eu a sociedade se transforme numa oligarquia em que aqueles que ganharam a "sua liberdade" esmagam a "liberdade dos perdedores, os que não merecem ser livres". Então o Hugo ficará satisfeito.

que leitura mais extremista

Hugo Garcia on Quarta, 29/03/2006 - 18:40

Como é que é possível alguém ler o que escrevi dessa forma?

Já agora gostava que tivesse dito se se considera liberal, socialista ou comunista. Pelo tipo de resposta, estou a pensar em Marxista Trotskista.

Uma pessoa deve ter liberdade (educação, paz, justiça) para lutar (trabalhar, estudar, investir) para atingir os seus sonhos (casa à beira-mar, sistema surround, obras-de-arte).

Naturalmente que não concordo que a liberdade de um se sobreponha à liberdade de outro. Até porque aí estaria a roubar a hipótese de outra pessoa lutar pelos seus sonhos.

Mas devo presumir que o seu ideal de vida é ganhar o euromilhões e não ter de fazer nada para o resto da vida ?
Duvido que as pessoas que o ganham sejam mais felizes que as que têm de trabalhar. Duvido mesmo muito.

"Como é que é possível

Pedro Viana (não verificado) on Quinta, 30/03/2006 - 10:23

"Como é que é possível alguém ler o que escrevi dessa forma?"

É tão possível que o Pedro Fontela, que de seguida colocou um post dele, leu de maneira semelhante.

"Já agora gostava que tivesse dito se se considera liberal, socialista ou comunista."

Eu considero-me Liberal. Porque acho que a Liberdade é essencial à Felicidade. Acho que a maximização da soma da Liberdade de todos é condição essencial para maximizar a soma da Felicidade de todos numa sociedade. Tal implica necessariamente que defendo a Liberdade individual desde que não prejudique a Liberdade de outros.

"Uma pessoa deve ter liberdade (educação, paz, justiça)"

E a educação e a justiça são grátis? Como é que é possível possibilitar o acesso de todos à educação e à justiça se o Hugo Garcia não concorda que "As cenouras devem ser grátis e que toda a gente merece cenouras (...) um grande chicote para todos aqueles que comem demasiadas cenouras e para os que comem as cenouras que não eram deles ou que simplesmente deviam ter dado a quem ainda não tinha." ? A educação não é uma cenoura? Acha que as crianças não deviam ter acesso a educação grátis, independentemente da vontade de "lutar" dos pais? Acha que há justiça se houver quem "coma cenouras que não eram deles"? Acha que é possível assegurar educação, alimentaçnao e saúde gratuita para todas as crianças que dela necessitam se não houver obrigação social (i.e. impostos) de dar "cenouras" a quem delas precisa?

"para lutar (trabalhar, estudar, investir)"

E quem quer proibir o Hugo de trabalhar, estudar ou investir?

"para atingir os seus sonhos (casa à beira-mar, sistema surround, obras-de-arte)."

Já agora reflicta nisto: quantas pessoas é que acha que podem ter casa à beira-mar? Porque é que acha que umas a podem ter e outras não? Porque merecem mais? Porque é que merecem mais controlar um pedaço de terra, coartando a Liberdade de outras pessoas o usufruirem, que desde sempre existiu e para quem em nada contribuiram para a sua existência?

"Naturalmente que não concordo que a liberdade de um se sobreponha à liberdade de outro. Até porque aí estaria a roubar a hipótese de outra pessoa lutar pelos seus sonhos."

Continua a haver aqui alguma confusão. A Liberdade é de ser, ter, fazer. Lutar implica na maior parte das vezes interacção conflituosa com outro, levando a perda de Liberdade. O resultado duma luta implica quase sempre que a liberdade de um se sobrepõe à liberdade de outro. Pense nisso. O que está a defender é a liberdade de alguém roubar a liberdade de outro.

"Mas devo presumir que o seu ideal de vida é ganhar o euromilhões e não ter de fazer nada para o resto da vida ? Duvido que as pessoas que o ganham sejam mais felizes que as que têm de trabalhar."

Não, não é. E concordo consigo, o trabalho é uma fonte de realização pessoal. Quando: as pessoas gostam do que fazem; têm um bom ambiente de trabalho; se sentem recompensadas pelo trabalho que fazem; se sentem seguras sobre a sua situação futura. Ou seja, não tenho muitas dúvidas que genericamente a maioria das pessoas são hoje mais felizes do que antes do aparecimento do Estado Social, quando então é que "lutavam" imenso...

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