Retrato de Luís Lavoura

Ontem houve cheia em Albufeira.

Agora querem que o Estado ajude.

Mas o Estado não tem nada que ajudar, porque a cheia era expetável e quem se coloca naquele lugar sabe que, mais tarde ou mais cedo, vai ficar sem os seus haveres.

Albufeira foi construída pelos árabes, recorde-se, numa encosta. É lá que está a maior parte das casas. A Baixa é uma zona predominantemente turística. Quem, por sua comodidade e para obter maior lucro, coloca a sua loja na Baixa, deve saber que, mais ano menos ano, essa loja ficará inundada.

A baixa de Albufeira situa-se entre dois morros, um a leste e outro a oeste. A norte tem mais morros, embora menos escarpados. É evidente que, quando chove muito, toda a água que escorre dos morros confluirá para a Baixa.

Para piorar a situação, a Baixa foi pavimentada com um agradável pavimento muito lisinho, bom para os peões e também para a água. É evidente que, chegada àquele pavimento, impermeável e liso, a água adquire velocidade em direção ao mar. E leva tudo à sua frente.

Houve uma cheia em setembro de 2008. As pessoas estavam avisadas. A Câmara já tinha visto uma cheia e sabia que, mais ano menos ano, outra ocorreria.

E que fez a Câmara, de 2008 para cá? Pavimentou mais um bom pedaço da praia dos Pescadores. Uma zona que era de areia foi pavimentada para que nela os turistas pudessem passear de Segway. É claro que, quanto mais pavimentação, mais depressa a água escorre.

Agora querem que o Estado ajude. Mas o Estado não tem nada que estar a ajudar o turismo e quem dele lucra.

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