Retrato de Luís Lavoura

Escreve um médico: "Só a liberdade de escolha pode proteger a competência. Só quando os doentes puderem livremente escolher os seus médicos e hospitais é que os profissionais mais competentes passarão a ser valorizados porque a concorrência valorizará a qualidade."

Estas afirmações estão, a meu ver, completamente erradas, e ilustram a razão pela qual a providência dos serviços de saúde (tal como dos de educação) não deve ser deixada simplesmente ao cuidado do mercado livre - que tão bom é a providenciar múltiplos outros serviços e produtos.

É que, precisamente, os consumidores dificilmente podem avaliar da competência clínica de um médico ou de um hospital. Os consumidores podem facilmente avaliar se um médico é gentil, solícito e simpático; e se um hospital é confortável. Mas dificilmente, e em geral só tarde de mais, os consumidores podem avaliar das capacidades clínicas de um médico ou de um hospital.

O mesmo se diga de um professor. Dificilmente os alunos, ou os seus encarregados de educação, podem avaliar em tempo útil se um professor é bom e se ensina a matéria que deve ser ensinada. Mesmo que sejam mal ensinados, em geral só muito mais tarde - se é que alguma vez - se aperceberão disso.

É esta a natureza singular da saúde e da educação. O mercado livre é muito bom a fornecer os consumidores com, digamos, sapatos ou relógios que satisfaçam os seus desejos. Mas raramente o consumidor sabe identificar se o serviço de saúde ou de educação que lhe é fornecido satisfaz as suas necessidades.

Luís Lavoura, excelente

Sérgio (não verificado) on Quinta, 05/07/2012 - 09:51

Luís Lavoura, excelente post!
Eu iria mais longe, porém: todos os bens de procura inelástica devem ter a actiividade económica em seu redor regulada.

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Quinta, 05/07/2012 - 10:40

Creio que aquilo que eu escrevi no post nada tem a ver com a elasticidade da procura.

De certa forma, todos os bens têm procura elástica. A saúde e a educação inclusivé. Por exemplo, quando as taxas moderadoras aumentam, algumas pessoas deixam de ir às urgências hospitalares.

A inelasticidade da procura foi um argumento utilizado, por exemplo, no tempo de Guterres para justificar o congelamento do preço dos carburantes (gasóleo e gasolina). Como hoje em dia é evidente, afinal a procura de carburantes é, como todas as outras, elástica. Se o preço do gasóleo aumenta, algumas pessoas deixam de ir passear ao Alentejo no fim de semana, outras passam a ir para o trabalho de motoreta em vez de de carro.

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