Retrato de Luís Lavoura

Muito apropriada esta comparação feita pelo Fernando Martins:

"Em 1976, os deputados portugueses votaram e aprovaram uma Constituição que [...] arrastou consigo uma pesada canga ideológica que custou a Portugal e aos portugueses muitos trabalhos e desgostos. Vale talvez a pena recordar que a Constituição de 1976 falava, entre muitas outras coisas absurdas, da abertura do "caminho para uma sociedade socialista"; do facto de Portugal ser uma "República soberana [...] empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes"; ou em "assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras". Nada disto reflectia a vontade dos portugueses. Era tão somente o peso de transitórias circunstâncias que não importa aqui detalhar.

Trinta e cinco ou trinta e seis anos depois, o CDS e parte do PSD [...] querem introduzir na Constituição, quando nada os obriga a isso, um conjunto de disposições que limitem o endividamento público e o deficit das contas públicas. Aparentemente, esta vontade decorrerá de compromissos assumidos e a assumir na "Europa" (i.e. Alemanha) por causa do euro. [...] é óbvio que parte do PSD e o CDS pretendem usar um pretexto, uma circunstância histórica que reputam favorável, para se apropriarem política e ideologicamente da Constituição, repetindo aquilo que a esquerda radical e o PCP conseguiram em 1976 [...]. Se o desiderato PSD-CDS se materializar, será mais uma machadada na dita e no regime. [...] Como não foi o PCP em nome de Moscovo, serão o CDS e o PSD em nome de Berlim?"

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

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