Retrato de Luís Lavoura

As recentes votações na Grécia ilustram de forma vívida a contradição insanável que existe entre a democracia e o capitalismo.

Na democracia mandam as pessoas, de acordo com o princípio "um homem, um voto". No capitalismo, pelo contrário, manda quem tem capital.

A maioria dos gregos é hoje pessoas pobres ou em vias disso, que foram fortemente prejudicadas com a política de austeridade. Votaram, pois, para terminar essa política. Elegeram o Syriza e, no recente referendo, confirmaram essa escolha.

Mas os gregos ricos ou com algum dinheiro temem o Syriza. Perante a escolha da maioria dos seus concidadãos, começam a retirar maciçamente o dinheiro que têm dos bancos. Os bancos ficam sem dinheiro, colapsam, e com eles colapsa a economia.

Temos assim que a escolha democrática ("um homem, um voto") é sabotada pelas opções dos possidentes de capital. A democracia é, na sua plenitude, incompatível com o capitalismo.

A democracia só pode ser compatível com o capitalismo enquanto houver uma grande classe média, ou seja, enquanto a maioria das pessoas tiver alguma riqueza. Quando a classe média se erode, como no caso da Grécia por efeito das políticas de austeridade, a maioria das pessoas passa a ser pobre e passa a ter opiniões inerentemente contrárias às dos detentores do capital. A partir desse momento, a incompatibilidade entre a democracia e o capitalismo torna-se patente.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação