Diversas pessoas têm afirmado que a presente crise financeira marca o fim do liberalismo, enquanto ideologia e prática política.
Neste ponto importa afirmar que, tal como no comunismo o importante não era estudar as utopias e elocubrações teóricas de Karl Marx, mas sim olhar para o "socialismo realmente existente" (real existierende Sozialismus) da URSS, da China ou de Cuba, também no liberalismo o importante não é estudar as utopias e elocubrações teóricas de diversos autores, mas sim olhar para as democracias liberais atualmente existentes no mundo real e para a sua prática quotidiana.
Ora, aquilo que se vê no liberalismo realmente existente, é que não há nenhum país do mundo onde o setor financeiro não esteja fortissimamente regulamentado pelo Estado. A regulamentação chega a tal ponto que uma empresa financeira pública (um banco) não pode ter os diretores que quiser, pois que os nomes desses diretores têm que ser aprovados, um a um, por uma entidade reguladora estatal. Um empresário não se pode lançar livremente à aventura no setor financeiro - como a Dona Branca, a "banqueira do povo", o fez em Portugal há muitos anos atrás - sem que o Estado imediatamente intervenha para pôr cobro a tais desvarios. A regulamentação é severa e, se uma empresa tenta, de forma sub-reptícia, passar do setor dos bens tangíveis para o setor financeiro - como a espanhola Afinsa recentemente fez -, imediatamente o Estado intervem para destruir essa empresa. Porque uma empresa de bens tangíveis não necessita de estar regulamentada, mas uma empresa financeira tem que o estar.
Não tenhamos pois ilusões: no liberalismo realmente existente, o setor financeiro sempre esteve e terá que estar severamente e estritamente regulamentado e supervisionado por entidades estatais.














Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?
Deixar uma resposta