Retrato de Luís Lavoura

Diversas pessoas (sobretudo de direita) defendem que o Tesouro português deve emitir obrigações de muito longo prazo. Outras pessoas (sobretudo de esquerda), pelo contrário, defendem que o tesourp deve emitir dívida de curto prazo (digamos, de seis meses a dois anos). Quem tem razão?
Trata-se de uma questão de expetativas sobre a taxa de juro. Não deveria ser encarada como uma questão política (direita versus esquerda), mas como uma questão de expetativas. A taxa de juro de longo prazo anda atualmente pelos 3%; a taxa de juro de curto prazo ronda os 0%. Logo, só faz sentido emitir dívida de longo prazo se se previr que, a breve trecho, a taxa de juro de curto prazo vá subir de 0% para mais de 3%. Prevê-se isso? Ou não?
Cada participante nos mercados financeiros tem as suas expetativas. Pessoalmente, encaro a crise financeira pela qual passámos como uma grave "crise de folha de balanço" e acredito que ela imporá taxas de juro muito baixas ainda por um decénio ou mais. (O Japão teve uma crise similar em 1990 e ainda hoje tem taxas de juro baixíssmas.) Considero, portanto, que a melhor política será a de privilegiar a emissão de dívida de curto prazo.
Aceito que outras pessoas tenham opinião diferente - mas devem fundamentá-la em expetativas sobre a evolução da taxa de juro, não em preferências políticas.

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