Retrato de Luís Lavoura

As pessoas, revoltadas com o "sistema", não vão votar. Culpam o "sistema", culpam os partidos. Mas, em minha opinião, deveriam em grande parte culpar-se a si próprias, ou então aos seus concidadãos.

Vejamos: nas eleições do próximo domingo haverá cerca de 15 listas concorrentes. Porém, apenas 4 partidos alguma vez estiveram representados no "sistema". As pessoas apenas se podem queixar desses 4. De nenhum dos outros 11 podem dizer grande mal - eles nunca foram eleitos, nunca defraudaram o eleitorado, nunca se deixaram corromper, nunca deixaram de cumprir promessas, nunca roubaram o povo. Portanto, não há qualquer razão para que as pessoas não votem neles, a não ser as seguintes duas:

(1) Não voto nesse pequeno partido porque esse seria um voto perdido, uma vez que mais ninguém vota nos partidos pequenos. Sim, mas isso não é culpa dos partidos, nem dos grandes nem dos pequenos, nem do "sistema"; isso é culpa dos cidadãos eleitores, que resolvem todos votar nos partidos grandes. Não se deve culpar o "sistema" por algo de que apenas o eleitorado, no seu todo, é culpado.

(2) Não voto nos partidos pequenos porque não sei o que pretendem eles fazer. Sim, mas se não sabemos, isso é nossa culpa, que poderíamos tentar informarmo-nos. Não devemos culpar os partidos, nem o "sistema", por não conhecermos as suas propostas, por não nos darmos ao trabalho de as tentar conhecer.

Eu ainda não sei em quem vou votar. No BE, no PCP, no PS ou na AP não votarei, certamente. Nem em alguns outros partidos. Mas, ainda assim, tenho 3 ou 4 listas em que considero poder, em honestidade, votar. Escolha não falta. Não há qualquer razão para deixar de votar.

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