Retrato de Igor Caldeira

Não tinha muitas dúvidas quanto ao meu voto nas Europeias, embora ainda balançasse entre o PS e o PSD. O início da campanha tornou-se contudo esclarecedor.

Primeiro foram os cartazes do PSD: "Pelo interesse nacional, eu assino por baixo" não podia ser pior lema.
E depois veio a estocada final. A crítica bacoca aos comícios conjuntos do PS e do PSOE veio denunciar a deriva ideológica do PSD, partido que sempre foi profundamente europeísta. Um certo anti-espanholismo marialva e a incapacidade de perceber a importância simbólica de os diversos partidos assumirem as suas afinidades além-fronteiras vieram fazer exactamente o contrário daquilo que eu esperaria que um partido sério, de centro e pró-europeu fizesse.

Em vez de pedagogia, o PSD decidiu fazer demagogia. E, tal como o restaurador Olex nos ensinou, o que é natural e fica bem é cada um a fazer o que faz bem - e o PSD não chega aos calcanhares do CDS na peixeirada, na mão na anca, na conversa a puxar para o chinelo. Paulo Rangel meteu a pata na poça e em vez de competir com o PS, decidiu discutir votos com o seu companheiro de Direita - companheiro, refira-se também, de grupo parlamentar europeu.

Será que é por ter vergonha de admitir que votar no PSD é o mesmo, em termos europeus, que votar no CDS, que decidiram atacar o referido comício? Quão constrangedor seria se o líder do Partido Popular espanhol viesse a Portugal apoiar o PSD num evento à tarde, e à noite fosse fazer o mesmo para o CDS.

E aqui é que está a questão: no Parlamento Europeu não se representa interesses nacionais (isso é tarefa do Conselho) mas as orientações ideológicas dos cidadãos. E era ensinar aos eleitores este facto, singular na História da Humanidade, de ter 500 milhões de indivíduos pertencentes a povos, línguas, religiões, culturas distintas, com Histórias de inimizades plurisseculares, representados democraticamente num único órgão que um partido europeísta deveria fazer.

O PSD pode com isto caçar uns votos da Direita trauliteira. Mas perde os votos do Centro europeísta. Óptimo. Esperemos que a breve trecho um novo partido lhes ocupe o lugar.

Retrato de Luís Lavoura

utilidade

Luís Lavoura on Quinta, 28/05/2009 - 09:13

O Igor é um partidário do voto útil: hesita entre o PS e o PSD.

Eu prefiro votar inútil.

Luís Lavoura

Retrato de Igor Caldeira

Europeísmo

Igor Caldeira on Quinta, 28/05/2009 - 23:39

O "voto útil" é uma lógica aplicável aos simpatizantes dos pequenos partidos de cada um dos dois pólos que preferem concentrar os seus votos no maior partido do seu pólo. Não é o caso.
Podias dizer que eu era partidário do voto no centro. Não é bem isso. Eu votaria no BE ou no CDS se fossem os partidos mais europeístas nestas eleições.

A questão é que neste momento só há um partido europeísta a concorrer. A campanha tem-me surpreendido porque eu estava convicto que iria votar num mal menor, e pelas propostas que têm saído (como a do imposto europeu, que todos os demais imbecilmente atacaram) afinal vou votar num bem em si. Por muitas discordâncias que possa ter com o PS, é inegável - eles merecem os votos de todos os europeístas. Sobretudo numa altura em que amiúde se põe em causa os benefícios do projecto de construção europeia.

Retrato de Miguel Duarte

Todo o voto é útil

Miguel Duarte on Quinta, 28/05/2009 - 10:37

Não existem votos inúteis. Todo o voto é útil. E a forma mais útil de voto é no partido que acreditas te irá representar melhor na assembleia em causa.

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