Retrato de Luís Lavoura

O orçamento de Estado para 2010 configura uma derrota em toda a linha - melhor seria dizer uma rendição incondicional - do PSD. Esse partido defendeu durante a campanha eleitoral uma recusa das grandes obras públicas, nomeadamente do TGV. Pois bem, o orçamento planeia avançar com todas as grandes obras públicas. O TGV avança a todo o vapor, não somente em direção a Espanha como também em direção ao Porto e já a estudar uma linha para Faro. O novo aeroporto de Lisboa - num momento em que muitas companhias aéreas europeias se estão a ver atrapalhadas por falta de clientela - começa a ser construído. Para o financiar privatiza-se a ANA - trocando um monopólio público por um monopólio privado, o que dificilmente poderá ser bom para os consumidores. Autoestradas e novas estradas são uma dúzia por todo o país. É um verdadeiro regabofe de obras públicas. Tudo isto vai ser aprovado com a abstenção do PSD. Custa a crer nesta rendição completa e incondicional. Que mosca terá mordido o PSD?

Na minha opinião, este orçamento é um desastre para o país. Portugal afunda-se em obras públicas desnecessárias e que jamais terão clientela que as pague. A pretexto de estimular a economia para a fazer sair da crise, o Estado faz aquilo que vem fazendo desde há 25 anos: betão e mais betão. Vai ser um festim para as empresas de construção civil. A economia portuguesa vai concentrar-se ainda mais num setor não transacionável e depender cada vez mais do apoio do Estado. Portugal estava à beira do abismo; com este orçamento, dá um grande passo em frente.

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