Retrato de Luís Lavoura

Está bem visto que é mais fácil entrarem dois países na União Europeia (UE) do que entrar só um.

Este fim-de-semana, a UE ofereceu mais um dos deploráveis espetáculos com que nos últimos anos nos tem repetidamente brindado.

À última hora, um (só) país de entre os 25 resolveu fazer uma birra e não permitir que se iniciassem negociações de adesão com a Turquia a não ser que elas fossem também iniciadas com a Croácia.

Por vias intermédias mais ou menos mal alinhavados, esse país alcançou os seus intentos.

Sugiro, Portugal poderia ter aproveitado para entrar na onda e, ainda mais à última da hora, não ter admitido que fossem iniciadas as negociações de adesão com a Croácia e a Turquia a não ser que se iniciassem também desde já as negociações para a adesão de Cabo Verde.

(Ao fim e ao cabo, se a Turquia está parcialmente na Europa, pode-se argumentar que Cabo Verde, sendo constituído por ilhas, também talvez esteja parcialmente na Europa. Aliás, não é líquido que Chipre não seja um país asiático.)

É bem claro que, se entrar 2 países na UE é mais fácil e barato do que entrar só 1, então entrar 3 países será mais fácil e barato do que entrar só 2.

De facto, com os países é como com os filhos: à dúzia saem mais baratos.

Regista-se mais esta peça de mau gosto com que a UE nos brinda. Passemos à frente.

Cabo Verde na UE

Ricardo Alves (não verificado) on Sexta, 07/10/2005 - 22:09

Exacto. Se a Grécia impôs a entrada da ilha asiática e a Áustria (e a Alemanha, mais discretamente) impuseram a entrada primeiro da Eslovénia e depois da Croácia, porque não haveremos de pressionar pela entrada de Cabo Verde?
Se nos despacharmos, ainda vamos antes de a Grécia começar a pressionar pela entrada da Sérvia-Montenegro...

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