Retrato de Luís Lavoura

As notícias internacionais que nos são servidas nos telejornais são importadas de agências noticiosas norte-americanas. Como nos EUA há muitos judeus e Israel é um país muito querido dos EUA, a recente guerra de Israel contra Gaza foi muito importante para essas agências noticiosas. Por isso, diariamente essa guerra era-nos servida nos noticiários, e ficámos a saber que nela morreram aproximadamente 2000 pessoas.

Há uma guerra mais próxima de nós na qual até agora também já morreram 2000 pessoas - a guerra da Ucrânia contra a sua região separatista no Leste. É uma guerra a sério, tão a sério como a de Israel contra Gaza. Há artilharia e aviões a bombardear cidades, prédios destruídos, centenas de civis feridos e mortos, cidades sem eletricidade nem água. Tudo por obra do exército de um Estado civilizado - a Ucrânia - que ataca os civis maioritariamente desarmados de uma determinada zona. Tal e qual como no Médio Oriente.

Mas deste caso praticamente não se fala, porque o governo dos EUA não está particularmente interessado que se saiba as selvajarias que o exército do país seu amigo anda a fazer. Para as agências noticiosas norte-americanas e, portanto, para a televisão portuguesa, a guerra no Leste da Ucrânia não existe ou não interessa. Ali não se vêem os prédios destruídos, os civis em fuga (para a Rússia), os aviões e as explosões. A consciência pública ocidental tem apenas a vaga ideia de que no Leste da Ucrânia está a haver umas escaramuças ou uma guerra de guerrilha; não sabe que é uma guerra a sério, que já fez tantos mortos como a de Israel e Gaza.

E por isso ninguém faz nada para travar essa guerra, para convencer o Estado civilizado que não é legítimo atacar assim populações civis indefesas.

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