O dirigente sindical dos professores (de liceu e escola primária, que para os universitários valem regras totalmente diferentes) Mário Nogueira veio dizer que, agora que o PS está em minoria na Assembleia da República, urge que os partidos da oposição legislem no sentido de acabar com a avaliação dos professores e com a divisão da sua carreira em dois (2, o número mais pequeno a seguir a 1) escalões diferentes, de acordo com as posições que assumiram na legislatura anterior.
Eu acho que Mário Nogueira tem toda a razão. Chegou a hora da cobrar as dívidas. E o PSD e o CDS puseram-se a jeito na legislatura anterior, devem agora pagar a dividazinha que contraíram com os queridos professores e com o seu admirável dirigente sindical. Vamos a ver se terão a coerência de o fazer, ou se preferirão ser ideologicamente coerentes.
(Já agora, podem aproveitar a ocasião e abolir também a avaliação dos professores universitários, e abolir a nefanda divisão da sua carreira em três (3, que horror, um número tão grande!) categorias diferentes - professor auxiliar, professor associado e professor catedrático. Professores universitários todos iguais e todos na mesma categoria, é aquilo que se deseja.)














eu tambén não entendo
Anónimo on Sexta, 02/10/2009 - 15:26Sinceramente não entendo o problema dos escalões. Há alguma carreira profissional que não a tenha? Os professores do secundário por favor que expliquem qual a diferença entre a sua carreira e a docente universitária. Também me faz comichão que os profissionais da avaliação, que são os professores, não queiram ser avaliados. É que todos os argumentos contra as avaliações das carreiras se aplicam às avaliações dos estudantes - as injustiças criadas pelos processos de avaliação são universais - sendo que não ouvi nenhum professor pretender abulir esta última.
Haja coerência caso contrário amanhã teremos os profissionais do exército pretendendo abulir os escalões: todos generais é o que se quer!!!
Miguel Araújo
Ora eu nem sequer entendo
artur baptista on Quinta, 01/10/2009 - 16:47Ora eu nem sequer entendo esta lógica da "carreira". Desculpem lá mas como nunca trabalhei na Função Publica, e como a minha evolução profissional foi feita pela avaliação do meu trabalho, e quando senti necessidade de evoluir lá fui pedindo emprestimos para poder pagar o Mestrado e Pós-Graduações (até porque considero que se tratam de investimentos e não custos) para depois voltar a entrar em listas de Selecção em que todos partiam da mesma posição de partida, não consigo perceber essa lógica.
Isto é, ao entrarmos para uma profissão no Estado fica logo definido á partida que daqui a algum tempo terei determinado nivel (ou escalão) com determinado nivel salarial e de responsabildade, mesmo se eu for menos competente que outro!
Faz-me lembrar o que me disse uma vez o meu Orientador de Dissertação e que tinha responsabilidades de gestão do seu departamento "quando eu quero reter um funcionário que é bom, tenho de dar muito má nota na avaliação, pois os que tem boa nota podem pedir trasnferencia para uma outra area, e saem daqui"
O Criterio Unico tem de ser o Mérito e não a Equidade. Ponto.
resposta
Luís Lavoura on Sexta, 02/10/2009 - 08:28"ao entrarmos para uma profissão no Estado fica logo definido á partida que daqui a algum tempo terei determinado nivel (ou escalão)"
Isso não é assim, aliás eu expliquei que, na carreira de professor universitário, há muitos profissionais que passam toda a sua carreira no mesmo nível, porque nunca chegam a ser abertas vagas nos níveis superiores.
Na função pública tem (em geral) que haver carreiras com níveis de remuneração definidos, uma vez que o Estado - ao contrário dos privados - tem a obrigação de tratar todos os cidadãos de forma igual, isto é, tem a obrigação de não discriminar nem privilegiar. Decorre dessa obrigação que os salários de cada profissional têm que estar padronizados, e a metodologia para progressão na carreira também tem que estar padronizada. Ao contrário daquilo que acontece com um empregador privado, o qual tem (ou deveria ter) o direito de, a seu bel-prazer, promover ou despromover trabalhadores, dar a uns maior salário do que a outros, etc.
Luís Lavoura
Para quem vem de gestão...
João Cardiga on Quinta, 01/10/2009 - 13:27"Isto para mim, que trabalho numa universidade, é completamente óbvio e natural. Espanta-me que haja para quem não possa ser."
Para quem vem de gestão isto é completamente contra-natura e, na minha opinião pessoal, é um dos graves problemas de gestão em Portugal.
Confunde-se muito gestão técnica com gestão de instituições. O único nível que me parece normal estar incluído na carreira de um professor é a gestão de equipas de professores. O que esta divisão de carreira solidifica é a monopolização do cargo de gestão da instituição pelos professores.
E porque é que isso é errado: porque um técnico, neste caso o professor tem uma visão particular da instituição e o gestor tem de ter uma visão da totalidade/abrangente da instituição. São duas visões opostas.
O que defendo é que a carreira de docente termina, a nível hierárquico na gestão de equipa de docentes, daí para cima é uma carreira completamente paralela na qual não é necessário ser-se docente (e na minha opinião pessoal até é bom que não seja) para seguir essa carreira, que chamaria de gestão de entidades publicas.
Agora fazendo um àparte, gostava de referir que o outro erro fatal de gestão em Portugal é a confusão entre empresário e gestor. Também aqui cada um destes tem duas visões opostas (e muitas vezes contrárias) que não devem ser desempenhadas pela mesma pessoa (isto é, a não ser que a pessoa seja esquizofrénico ;)).
Honestamente para darmos um pulo qualitativo em Portugal (por exemplo a nível de criação de riqueza) é necessário resolver estes problemas.
Divisão da carreira
João Cardiga on Quinta, 01/10/2009 - 11:38Pessoalmente concordo que esta divisão de carreira deve ser abolida.
Ela foi completamente errada e encerra um principio que para mim é profundamente errado: de que só pode gerir uma escola quem seja professor...
Depois o topo da carreira de um professor tem de estar ligada à função principal de docência sob pena de se estar a dar os estímulos errados aos professores e diminuir significativamente a qualidade do nosso ensino!
resposta
Luís Lavoura on Quinta, 01/10/2009 - 11:50Eu considero que a divisão da carreira de professor liceal ou primário é correta, tal como é correta a divisão da carreira de professor universitário - e pelos mesmíssimos motivos.
Nas universidades, um professor catedrático continua a ensinar (a dar aulas). As aulas de um professor catedrático não são necessariamente piores, nem melhores, do que as dos outros professores. A diferença é que um professor catedrático é normalmente (mas não necessariamente) mais velho, e tem responsabilidades na gestão da universidade e na avaliação dos professores de nível mais baixo, que os professores de nível mais baixo não têm.
A mim parece-me óbvio que nos liceus e escolas primárias deveria passar-se exatamente o mesmo. Os professores mais jovens e de nível mais baixo só dariam aulas. Os professores mais experientes dariam talvez menos aulas, mas teriam além das aulas responsabilidades na gestão da escola e na avaliação (e correspondente promoção) dos professores de nível mais baixo. E, naturalmente, aufeririam um salário maior.
Isto para mim, que trabalho numa universidade, é completamente óbvio e natural. Espanta-me que haja para quem não possa ser.
Note-se, já agora, que nas universidades é normalíssimo (embora seja motivo de grande desagrado) haver professores que passam toda a sua vida no escalão mais baixo, sem nunca chegarem a ser promovidos. Boa parte dos professores universitários reforma-se no mesmo posto (professor auxiliar) em que iniciou a sua carreira. A imensa maioria dos professores universitários nunca chega a catedrático.
Luís Lavoura
Não em tudo
Miguel Duarte on Quinta, 01/10/2009 - 13:12Não me parece que a gestão de uma escola ou universidade deve ser um exclusivo dos professores. Sempre que falamos em questões não pedagógicas parece-me que um licenciado em gestão será certamente melhor para o cargo. Não faz sentido desperdiçar um suposto bom profissional na área do ensino ou da investigação com tarefas que outras pessoas, com formação adequada, podem fazer provavelmente melhor e com mais motivação.
Por que raios hás de desperdiçar professores em trabalhos como gerir fornecedores, instalações, contabilidade, etc.?
Por isso o país não anda
Miguel Duarte on Quinta, 01/10/2009 - 09:55Se até os partidos de "Direita" andam com promessas eleitorais assim.
E depois ainda nos vêem acusar de ser demasiado à esquerda.
Algo me diz que iremos ser
João Cardiga on Quinta, 01/10/2009 - 11:33Algo me diz que iremos ser apelidados muito de esquerda pela direita e muito de direita pela esquerda.
É um dos "benefícios" de estar ao centro...
demasiado à esquerda
Luís Lavoura on Quinta, 01/10/2009 - 10:45Eu faço comentários em diversos blogues. Nos próximos do PS sou acusado de ser insuportavelmente direitista (por ser pró-mercado), nos próximos do PSD de ser insuportavelmente esquerdista (por ser progressista).
Luís Lavoura
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