Eu gostaria de, numa discussão de competitividade, comparar-nos com a Finlândia, a Suécia, o Canadá ou a Holanda.

Mas por questões óbvias não o posso fazer. Infelizmente tenho de fazer a comparação com países bem menos desenvolvidos: República Checa, Ucrânia, Singapura, Roménia, etc.

A grande ameaça que temos pela frente é que a maioria destes países está em franca fase de crescimento e tal como a Polónia, há uns anos atrás, a maioria deles está a passar-nos à frente.

Na competição pelo investimento um dos factores a que devíamos dar importância e não estamos a dar é a idade média da classe profissional executiva.

Um país onde a média das idades dos profissionais ronda ou ultrapassa os 40 anos de idade, não tem a mesma capacidade de inovação ou adaptação à mudança que um país onde a idade média se aproxima dos 30.

De um dos lados da questão temos a idade da reforma que ao aumentar veio manter nos empregos pessoas mais velhas, que ainda que tenham a experiência a adicionar são pessoas mais resistentes à mudança e até menos produtivas.

Do outro lado da questão temos o fim da idade de educação. Se por um lado, é positivo haver mais ensino por outro, houve um falhanço claro nos objectivos de Bolonha. Segundo as ideias iniciais, os jovens estudantes tiravam em 3 anos um bacharelato e isso deixava-os prontos a trabalhar.

Contudo, as universidades não colaboraram com isto, chamaram licenciatura ao bacharelato (embora no estrangeiro continue a chamar-se bacharel) e criaram mestrados integrados que acabam por ter o mesmo que as licenciaturas antigas, acrescentando-lhe uma tese. Claro que entretanto o mestrado perdeu o seu valor quando deixou de ter pessoas com experiência profissional.

Claro que os estudantes colaboraram com isto, pois com o seu medo de enfrentar o mercado de trabalho quiseram todos ser mestres e agora temos milhares de mestres sem experiência profissional.

Se não forem tomadas medidas para reduzir a idade média da classe profissional, Portugal não conseguirá competir num mercado de elevada inovação e mudança.

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Mais novo

Luís Lavoura on Terça, 15/09/2009 - 14:35

Toda a gente que fala da Segurança Social neste país refere o problema de as pessoas viverem até cada vez mais tarde e de por isso haver cada vez mais reformados por trabalhador.

Neste post é focado um problema igualmente bem real, mas do qual nunca ouço falar: o problema de as pessoas cada vez começarem a trabalhar mais tarde, o que tem o mesmo efeito de diminuir o número de trabalhadores por reformado.

Não basta que as pessoas trabalhem até mais tarde (até aos 70 anos em vez de até aos 65, por exemplo). É também desejável que as pessoas comecem a trabalhar mais cedo (a partir dos 18 anos em vez de a partir dos 25, por exemplo). O que tem o benefício acrescido de que os trabalhadores jovens são mais inovadores do que os trabalhadores idosos.

Luís Lavoura

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Aprovo

João Mendes on Terça, 15/09/2009 - 15:35

Hm, parece-me que não é por puro e simples medo de enfrentar o mercado de trabalho que há muita gente a fazer mestrados. Parece-me que um factor é também relevante, nomeadamente a falta de flexibilidade do mercado de trabalho, sendo que os estudantes são "outsiders". Para além disso, todos tiram mestrados precisamente também porque todos tiram mestrados; quem não tiver, pensa que fica para trás.

De qualquer forma, este é um tema que me preocupa especialmente, não só por estar agora a começar a procurar o primeiro emprego/estágio, mas também em geral. A atitude da Ordem dos Advogados em relação ao Processo de Bolonha foi aliás paradigmático, relativamento ao que tu dizes. Fizeram tudo para evitar passar o curso de Direito para três anos, fizeram tudo para que toda a gente tenha de ter Mestrado... E aqui, de facto, entram os alunos, porque eu conheço vários que foram nas argumentações da Ordem (que é preciso cinco anos para ter todas as ricas cadeiras que eles acham importantíssimas, que cadeiras semestrais são piores por isto e aquilo, etc.). Na Católica, onde eu ando, Bolonha foi abrçado como uma oportunidade, parte de uma renovação do curso para o tornar mais competitivo a nível global e isto foi, aliás, um factor importante para eu ter ido para a UCP. (Nota: eu sei que o exemplo dos advogados não está tão ligado à lei laboral por causa do estatuto dos advogados, mas a atitude da Ordem foi precisamente a que descreveste, o que leva ao resultado que tu mencionas.)

Voltando ao geral, concordo em absoluto com o que tu dizes. Parece-me importante que as pessoas consigam uma boa formação e estejam capazes de começar a trabalhar mais cedo em Portugal, caso assim o desejem. Mas isto também passa, a meu ver, por alterações ao regime laboral, para além de alterações a nível de educação superior.

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