Retrato de Luís Lavoura

Sob o nome de "Orçamento Participativo", a Câmara Municipal de Lisboa decidiu pedir aos cidadãos a sua opinião sobre onde deve gastar parte da verba de que dispõe para investimento. Colocou online um sítio no qual qualquer pessoa info-incluída pode votar num de cerca de 200 diversos projetos de investimento. Até aqui, tudo bem, pormenores técnicos à parte.

Acontece que a maioria dos projetos de investimento colocados a votação são de âmbito meramente local dentro da cidade. Do tipo "arranjo do jardim X", "alargamento do passeio na rua Y" ou "construção de uma creche no bairro Z". É evidente que projetos desse tipo interessam apenas às pessoas que residem ou utilizam certas partes da cidade. A votação em tais projetos coloca pois, inevitavelmente, cidadãos de diferentes freguesias (chamemos-lhes assim) da cidade uns contra os outros. A maioria das pessoas votantes irá, inevitavelmente, votar naqueles projetos que beneficiam a parte da cidade que conhece, onde reside ou que utiliza.

Eu considero esta uma forma completamente errada de fazer política. Não se pode colocar os cidadãos a votar em projetos de investimento que beneficiam apenas partes locais da cidade (ou do país). Correto seria pôr os cidadãos a votar sobre se querem investir preferencialmente em, por exemplo, recuperação de jardins, bombeiros ou estacionamento público - ou se preferem que nenhum desses investimentos seja feito e que, em vez dele, a Câmara poupe o seu dinheiro e incentive os privados a fazer as coisas. Mas as opções devem ser sempre colocadas em termos de temáticas gerais, e não ao nível de obras particulares. Porque a política de investimentos não se deve reduzir à distribuição daquilo a que nos EUA se chama pork barrel e que em Portugal adquiriu o nome de "queijo limiano".

Muito bem observado!

Anónimo (não verificado) on Sexta, 08/01/2010 - 15:37

Muito bem observado!

Olá Luís e equipa Vim

João Soares (não verificado) on Quarta, 06/01/2010 - 16:45

Olá Luís e equipa
Vim desejar-vos um Bom Ano Novo. E que todos os 365 novos dias sejam um desafio e continuação de preservação da natureza, harmonia e paz. Um abraço.
João Soares, editor do blogue ambiental BioTerra

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