Alguém diria que isto (o insecto):

é ingrediente disto (o iogurte Adagio Frutíssimo):

Pois, mas é, sob a denominação de "Corante Natural: Carminas", a Adagio/Lactogal coloca num iogurte um "corante vermelho que é um glicósido fenólico presente nos ovos e tecidos gordos da fêmea de uma cochonilha" e que ainda por cima é fonte de alergias (fonte).
E como descobri isto? A minha mulher é vegetariana e estava-se a queixar que lhe substituiriam no escritório os iogurtes e bebidas que tinham na máquina automática por outros de outra marca que estava cheia de "E's" nos ingredientes. Eu quis descansá-la e fui investigar o que eram as "Carminas". Acabei com nojo do produto, que ainda por cima apregoa no seu marketing o facto de ser "natural". O pior é que estas "Carminas" são usadas um pouco por todo o lado, desnecessariamente, pois existem corantes vegetais que as substituem perfeitamente (e, sinceramente, para quê corantes em iogurtes!).
Obviamente, longe de mim querer impedir que as pessoas comam insectos. Cada um pode comer o que desejar. A única questão é que as pessoas têm direito a ser informadas e o actual sistema é insuficiente. E não, não me estou a queixar como aprendiz-de-político, estou-me a queixar como consumidor.
Adoraria que em Portugal se adoptasse o sistema de semáforos que existe no Reino Unido:

e que se passasse a ter informações adicionais, como por exemplo se o produto é aceitável para vegetarianos (o que me evitaria comer insectos em iogurtes):

ou até ter mais produtos orgânicos:

Se lá fora conseguem ter estas coisas simples, tenho a certeza que por cá também é possível. E eu como consumidor agradeço, em vez de andar a fazer má publicidade aos iogurtes Adagio (e todos os outros produtos produzidos com ingredientes extraídos de corpos secos de insectos fêmeas).














Insectos onde menos de espera...
Andreia (não verificado) on Quinta, 22/09/2011 - 17:59Sou vegetariana e, como tal, leio toda a lista de ingredientes dos alimentos e busco informações acerca do que desconheço.
Tinha mesmo agora um inofensivo chupa chups em casa e ia comê-lo, lol. Contudo, tratei de tirar a embalagem com cuidado para ler os ingredientes antes de o consumir, até que vejo um tal corante 'carminas'... Resolvi pesquisar e então vejo o nojo que estava prestes a ingerir... E muitos pais dão isto às crianças...
Concordo com o facto de que os produtos devam estar mais explícitos quanto à sua composição pois, quando vamos às compras, não podemos levar a internet às costas para pesquisar todos os nomes desconhecidos...
E será que sabemos assim
Marta (não verificado) on Quarta, 01/09/2010 - 11:51E será que sabemos assim tanto daquilo que comemos?
Perdoem-me a intromissão, até porque vos achei por acaso, quando procurava o que sería o corante natural 'beta caroteno':) que está presente no iogurte de manga! Das carminas já eu sabia, mas como quem procura um, vi o outro também. Este 'beta carotena´não é de bichos, é natural dos frutos e legumes laranjinhas!
Também sou vegetariana, não vegan, e não vegetariana daquelas que comem só peixe! Vegetariana. E não sou fundamentalista, e acho que devemos sim saber daquilo que comemos. No entanto, parece-me muitas vezes que essa é uma informação que apenas nos aconchega. Isso de vê-la escrita nas embalagens!
Sou frequente assídua do Celeiro, e de vez em quando vou a mercados biológicos, não tanto como gostaria, porque concluí que para se ser 'alternativo', ecológico, biológico, sustentável e outras modernidades destas, é preciso tabém ser-se (quase) rico. Trabalho como secretária para poder dar aulas de yoga que é o que gosto de fazer:) e por isso não dá para ser 'moderna'. No entanto, obrigam-me a sê-lo e nem sei se por alguma razão válida! Dizia eu que enquanto cliente do Celeiro, agora (porque nem sempre foi assim) 'obrigam-me' (posso sempre não ir lá, mas aí não há opção!)a comprar embalagens e cereais, farinhas, pães, biscoitos, massas e afins, como sendo produtos/ cereais de origem biológica. Diz no rótulo. E serão? Quem sabe que são? Saberá o meu corpinho que são? O corpo funciona melhor porque são integrais e sendo um alimento integral, todos sabemos que é melhor, ou já ouvimos dizer! Mas terei muito mais saúde, viverei muitos mais anos, porque é biológico?
O meu lema é pensar que todo o alimento que ingiro me vai fazer muito bem!
Sabendo que tem carminas, também não como! E é certo que também vejo os rótulos e ingredientes, aliás, por isso mesmo uso quase tudo marca branca, no que toca a detergentes e coisas do género. Mas e 'penso eu de que:)' apenas aceitamos a informção que queremos aceitar, e por isso é bom também aliviar um pouco, caso contrário a nossa cabeça não pára, e não faltarão coisas destas para nos ouparmos. É bom ser e estar consciente mas de forma desapegada, senão vira loucura! E é um direito nosso estarmos e sermos informados, mas vá lá saber-se se é verdade ou não... o melhor é pensar que faz sempre bem.
Se é uma opção minha, sendo eu uma pessoa consciente, tudo o que entra no meu 'espaço vital' far-me-á muito bem:)
Gostei das vossas conversas
a cochonilha em Voltaire
Rui Tavares (não verificado) on Sexta, 22/06/2007 - 14:24de facto, a cochonilha é usada há muitos séculos, na alimentação mas principalmente nos têxteis onde era usada para produzir "carmim de cochonilha". era uma das matérias-primas que os europeus mais procuravam no continente americano. mas de lá trouxeram outras coisas, como a sífilis. a seguinte passagem do Cândido de Voltaire (cap. 4) faz uma ligação entre estas duas consequências da globalização colombina:
"Pangloss respondeu nestes termos: «Ó meu querido Cândido! conheceste Paquette, aquela airosa dama-de-companhia da nossa augusta Baronesa; provei nos seus braços as delícias do Paraíso, que produziram estes tormentos do Inferno em que me vedes devorado; ela estava infectada, e pode ser que esteja morta. Paquette recebeu este brinde de um Franciscano muito sábio que havia subido à fonte, pois o apanhara com uma velha Condessa, que o tinha recebido de um Capitão de Cavalaria, que o devia a uma Marquesa, que o obtivera de um Pajem, que o recebera de um Jesuíta, que, quando era noviço, o ganhara em linha directa de um dos companheiros de Cristóvão Colombo. Quanto a mim, não a darei a ninguém, porque vou morrer.
— Ó Pangloss! exclamou Cândido, que estranha genealogia essa! não virá ela da casta do Diabo? — Nada disso, replicou o grande homem; era uma coisa indispensável no melhor dos mundos, um ingrediente necessário: pois se Colombo não tivesse apanhado numa ilha da América esta doença que envenena a fonte das gerações, que frequentemente entrava a geração propriamente dita, e que evidentemente se opõe ao grande objectivo da natureza, não disporíamos hoje de chocolate nem de carmim de cochonilha; há que observar que até aos dias de hoje, no nosso Continente, esta doença nos distingue a nós apenas, tal como a controvérsia. Os Turcos, os Indianos, os Persas, os Chineses, os Siameses, os Japoneses, ainda não a conhecem; mas há uma razão determinante para que a conheçam por sua vez dentro de alguns séculos. Enquanto esperamos, ela fez já maravilhosos progressos entre nós, e sobretudo nesses grandes exércitos compostos por honestos estipendiários bem educados, que decidem o destino dos Estados; podemos assegurar-vos que, quando trinta mil homens combatem na batalha alinhados contra tropas iguais em número, há cerca de vinte mil infectados de cada lado."
Um abraço e boa sorte para o MLS.
Abraço
Luís Lavoura on Sexta, 22/06/2007 - 14:55Um abraço também para ti, Rui Tavares, o melhor blogger que este país já teve!!!
Luís Lavoura
Interessante
Filipe Melo Sousa on Sexta, 22/06/2007 - 10:19O E120 é um corante largamente utilizado na indústria alimentar. É utilizado industrialmente há largos séculos, desde a colonização espanhola da América. Até hoje não houve contra-indicações de notar.
Se procurarmos a fundo os produtos que consumimos diariamente, haverá sempre algum ingrediente com o qual se poderá implicar. As pessoais mais fundamentalistas então implicam com tudo. Códigos alimentares há para todas as religiões: judeus, islâmicos, cristãos, vegans.. Eu pessoalmente não sou adepto da comida kosher.
Ah.. também não estou interessado em pagar produtos mais caros por causa das exigências histéricas de alguns.
E és livre de o fazer
Miguel Duarte on Sexta, 22/06/2007 - 13:33Eu prefiro que não coloquem corantes na minha comida, principalmente vindos de insectos (quer o fabricante ache que isso faz mal ou bem). A única coisa que quero como consumidor é saber o que de facto que está na comida, por forma a poder tomar a minha decisão. Depois, obviamente, sou livre de o comprar ou não comprar (no meu caso, não comprar).
Tal como já o faço com outros produtos, em que pago mais caro para serem biológicos e dou-me ao trabalho de procurar produtos sem aditivos.
Sabes, algo básico para que o mercado funcione: informação (está nos livros de economia).
Se o consumidor não está informado, não pode decidir e não me parece que indicar a origem (vegetal ou animal) dos ingredientes de um produto alimentar ou a % de sal do mesmo aumente o preço dos produtos que tu compras. Aliás, neste caso específico, se a decisão do consumidor levasse a que não se colocasse corante no produto, o preço deveria baixar, pois o dito corante até é caro.
PS: É irrelevante para o caso, mas este corante especificamente é alérgico para algumas pessoas, por isso não é tão seguro como estás a pintar.
O que falta?
Filipe Melo Sousa on Sexta, 22/06/2007 - 16:16Tu sabes o que tens na comida. Se a indicação Carminas não estivesse no rótulo, são o saberias.
Obviamente que ao dizeres que o sistema actual de etiquetagem é insuficiente, deduz-se que se deve interferir no entendimento entre produtores de consumidores. Alguém deverá portanto ordenar o modo segundo o qual estes comunicam entre si. Significa portanto que aquele que não consome o produto tem um direito preferencial sobre aquele que o consome para ditar a informação nutricional, o seu marketing, o seu modo de etiquetagem, acrescentando assim elementos à cadeia de custo que o consumidor não pediu. Existirá um organismo estatal dirigido por um burocrata iluminado a ordenar o que é a "boa comida", a "má comida", o "bom corante" e a boa "ética alimentar".
Isso já existe e é necessário
Miguel Duarte on Sexta, 22/06/2007 - 17:51Mas essa entidade já existe e é essencial. Se não existisse tinhas neste momento vários aditivos cancerígenos na cadeia alimentar, algo que deduzo que dispensas. Infelizmente existe uma grande diferença de poderes entre o consumidor e o produtor, pois o segundo tem conhecimento de coisas que o primeiro não tem.
E sim, a etiquetagem deve ser controlada pelo Estado, pois, é graças a esse estado que tens ingredientes na embalagem e que tens os famosos "E's" que ajudam os tipos como eu a perceber minimamente o que lá está escrito. Agora, o sistema deve ser melhorado, por forma a dar ao consumidor ainda mais poder na escolha do produto que é melhor para si. Se isso te custa em teoria mais 0,001 € quando comprares a tua próxima pizza congelada? Paciência, no geral, todos, incluindo tu, ficaram a ganhar em termos de liberdade de escolher bons produtos e de obrigar o mercado a servir-te melhor.
E este artigo não é mais do que o mercado a funcionar. Vê isto como um consumidor a exprimir aos produtores aquilo que quer ver nos seus produtos ao mesmo tempo que aproveita e diz mal de um produto que considera que o está a enganar (os iogurtes da Adagio).
"orgânicos"
Luís Lavoura on Sexta, 22/06/2007 - 09:55Correção: o inglês "organic" traduz-se em português por "biológico".
São produtos cultivados (e processados) sem a utilização de pesticidas, fertilizantes ou aditivos químicos sintéticos (embora na prática a regulamentação exata daquilo que é permitido por vezes seja algo polémica).
Luís Lavoura
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