Retrato de Luís Lavoura

O Bloco de Esquerda (BE) repetiu ontem a proposta que, com roupagens diferentes, já por várias vezes anteriormente fez, de iniciar um grande programa de reabilitação urbana das cidades portuguesas. Segundo o BE, tal reabilitação daria emprego a muita gente e faria as cidades ficar com muito melhor aspeto. Eu penso que, nestas duas coisas, o BE tem toda a razão. Infelizmente, no entanto, a proposta do BE parece-me imensamente estúpida e, socialmente e economicamente, positivamente criminosa.

A questão que deveria afligir o BE é: quem paga? E para que paga? A quem serve que os prédios e casas das cidades portuguesas sejam reabilitados? Quem está disposto a pagar para isso?

O BE deveria ter consciência de que Portugal já hoje tem casas a mais. E que já hoje há, nas cidades portuguesas, montes de casas em bom estado disponíveis para vender ou arrendar. Não faltam casas nas cidades portuguesas para quem tenha dinheiro para pagar a sua manutenção. E o problema é que não há - não há compradores nem inquilinos para todas as casas que estão disponíveis - compradores ou inquilinos com dinheiro para pagar aquilo que elas custam a construir e a manter, que é o que interessa.

O programa d BE consiste em o país ir enterrar dinheiro a reabilitar casas que depois ninguém quererá ocupar ou, sobretudo, pagar. Consiste, de facto, em aumentar um problema que já hoje o país tem - o problema da ocupação e manutenção das construções existentes. Num país no qual a construção civil teve ao longo das últimas décadas um peso económico desproporcionado, o BE quer prolongar esse problema. Chama-se a isto - manter um modelo económico esgotado. Pecisamente aquilo que Francisco Louçã tanto gosta de criticar!

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