Retrato de David Cruz

Soutelo Mourisco é uma das 38 freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros, albergando as aldeias de Cabanas e Vilar Douro. Poderia ser mais uma das 4.250 freguesias existentes em território nacional. Contudo há uma particularidade. Trata-se da freguesia portuguesa com o menor número de habitantes. Segundo dados dos Censos 2011, residem 31 pessoas. O Presidente, o secretário e o tesoureiro da junta de freguesia constituem aproximadamente 10% da população total.

Soutelo Mourisco não é um mero acidente no mapa autárquico nacional. Identificam-se 115 freguesias com menos de 100 residentes, 1.420 com menos de 500 habitantes (perfazendo 33% do total de freguesias) e 2.291 com menos de 1.000 indivíduos (54% do total). Acrescenta-se que uma significativa parte destas unidades territoriais são fronteiriças.

Ao invés, na Área Metropolitana de Lisboa encontram-se as freguesias mais populosas: Algueirão-Mem Martins com 66.250 habitantes, Odivelas 59.559 habitantes, São Domingos de Rana 57.502 habitantes, Setúbal (São Sebastião) 52.542 habitantes, Santa Maria dos Olivais 51.036 habitantes. Embora se tratem de casos de dimensão populacional impressionante, na verdade, os respectivos organismos autárquicos têm sobrevivido e cumprido a sua missão perante os seus concidadãos. De resto, no território nacional identificam-se 29 freguesias com mais de 30 mil residentes (o correspondente a 0,7% do total de freguesias) e 232 freguesias com mais de 10 mil habitantes (5% do total).

Números para reflexão num período de contestação dos planos de redução do número de freguesias.

A organização territorial ideal

Luis Santos (não verificado) on Sexta, 07/12/2012 - 20:08

O Governo fez tudo ao contrário numa proposta que por princípio até era boa: em vez de começar pelos concelhos, começou pelas freguesias. A ideia falhou também porque se partiu de um ponto de discussão em que se considerava haver muitas freguesias desnecessárias e minusculas que deveriam ser extintas para outro ponto em que se passou a dizer simplesmente que os concelhos tinham muita freguesias e tinham que se reduzir estas, independentemente de qualquer princípio de equidade de habitantes.

Fez-se então uma proposta de reorganizaçãozinha mais espartana da coisa mantendo toda a construção histórica territorial que já não reflete os aglomerados atuais de população. E depois disto tudo planeado é que se propoem a avançar com uma possivel reorganização dos concelhos!

O ideal era acabar de vez com as freguesias e aumentar o número de concelhos, tornando-os uma unidade territorial mais equitativa e representativa da atualidade. Há certamente inúmeros exemplos de pequenos concelhos nortenhos que fazem menos que certas freguesias urbanas que justificam que esta seria a ação correta.

Retrato de Luís Lavoura

mas são essas?

Luís Lavoura on Sexta, 07/12/2012 - 14:14

2.291 [freguesias] com menos de 1.000 indivíduos (54% do total)

Mas são essas 2.291 freguesias que vão acabar? Não, não são. Porque o critério para a extinção (que eu não sei qual seja) está longe de ser apenas, ou sequer principalmente, o número de habitantes.

Por exemplo, a freguesia na qual eu tenho a minha casa de campo, na Bairrada, vai ser extinta apesar de ter 1.500 habitantes. Vai ser fundida com outra freguesia ao seu lado, a qual também tem mais de 1.500 habitantes.

Retrato de David Cruz

61%

David Cruz on Sexta, 07/12/2012 - 17:05

Na verdade, segundo os critérios, seriam extintas/agregadas 61% dessas freguesias com menos de mil habitantes (1.404 em 2.291). Não tenho dados do que será na prática...

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