Retrato de Luís Lavoura

Estamos em bom tempo para a polícia propagandear operações de rotina. Neste tempo, qualquer dessas operações aparece como uma valorosa intervenção contra a criminalidade galopante. Mas há outras operações que, não sendo de rotina, mais parecem oportunistas. É o caso, aparentemente, de uma mega-operação que a GNR hoje levou a cabo em Sesimbra. Houve um homicídio nessa vila. O comandante da GNR no distrito de Setúbal (salvo erro) explicou aos microfones da rádio a operação: "Nós tínhamos uma mega-operação planeada, para ter lugar a qualquer momento e em qualquer lugar do distrito. Quando soubemos do homicídio em Sesimbra, desencadeámos imediatamente a operação lá." Temos portanto uma mega-operação planeada contra um adversário incerto, uma mega-operação de largo espetro, que tanto serve para caçar assaltantes de bancos como homicidas como traficantes de haxixe, e que tanto podia ser desencadeada em Grândola como em Palmela, tanto fazia. Para azar dos sesimbrenses e turistas em Sesimbra foi lá que ocorreu o homicídio, portanto foi lá que se desencadeou a mega-operação. Todas as entradas e saídas da vila foram bloqueadas durante algumas horas, toda a gente e todos os carros revistados. No final da operação, como seria de esperar, não se capturou o homicida nem ninguém com ele parecido. Foram detidas quinze pessoas, cinco das quais relacionadas com o furto de uma única viatura, alguns dias antes em Lisboa. As outras dez, presumo, terão sido detidas pela posse de estupefacientes ou por outros delitos de lana-caprina. Pergunto: a GNR estava mesmo à caça do homicida, ou só a querer dar nas vistas?

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