Retrato de Luís Lavoura

O presente charivari em torno da RTP ilustra um dos perigos da privatização parcial de serviços públicos: os privados começam a protestar para que o serviço que se mantem público não lhes faça concorrência supostamente desleal. Os privados não se importam de que continue a haver serviço público, desde que este se remeta a uma posição de inferioridade.

A história é simples: a RTP decidiu comprar os direitos de transmissão da Liga dos Campeões, oferecendo por esses direitos uma quantia muito superior à que a TVI oferecera. O que é perfeitamente normal: entre dois concorrentes, um oferece mais do que outro. A SIC até nem ofereceu nada.

Mas, como a RTP é pública e a TVI é privada, esta última resolveu protestar por a RTP oferecer muito mais do que ela. Como se fosse ilegítimo uma estação oferecer mais do que outra. Repito: a SIC até nem ofereceu nada.

Como a TVI protestou e o poder político atual é quem é, resolveu escutar o protesto e dar-lhe seguimento. Agora anda tudo à discussão para saber se é legítimo que a RTP, sendo pública, ofereça mais num leilão do que as estações privadas.

Ou seja: a TVI e a SIC concordam perfeitamente que exista RTP e que ela seja pública. Desde que não lhes faça concorrência ativa.

O liberalismo e a concorrência são coisas muito bonitas - desde que não ocorram no meu setor de atividade!

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