Retrato de Luís Lavoura

A saúde e a educação são dois setores economicamente melindrosos por (pelo menos) dois motivos. O prmeiro motivo é porque são dos poucos setores económicos (conjuntamente com a construção civil) nos quais, ao longo dos últimos decénios, não se têm registado ganhos de produtividade assinaláveis. O segundo motivo é porque são setores nos quais são os fornecedores do serviço (os médicos e os professores) quem sabe do que é que o cliente necessita - o cliente, verdadeiramente, não o sabe.

Por causa deste segundo motivo, nesses dois setores a preferência dos clientes não indica, necessariamente, maior qualidade do serviço.

Suponhamos dois médicos que dão consulta privada lado a lado. O médico A tem muitíssimos mais clientes do que o médico B. Quererá isto dizer que A é melhor médico que B? Não necessariamente! O médico A pode ter mais pacientes por  más razões (por exemplo: porque receita aos clientes prontamente medicamentos de que eles julgam necessitar, embora não necessitem; porque dá aos pacientes atestados médicos apesar de eles não estarem doentes).

Da mesma forma, e contrariamente àquilo que a direita tem propagandeado ao longo dos últimos tempos, o facto de os pais preferirem uma determinada escoa em detrimento de outra não significa necessariamente que a primeira escola seja melhor. Ela pode ser preferida por más razões - porque dá com maior facilidade boas notas aos alunos, apesar de eles não as merecerem; porque não permite a inscrição de alunos vistos pelos restantes pais como indesejados (por exemplo, alunos deficientes, alunos autistas, alunos ciganos, alunos mal comportados); porque é mais tolerante em relação a alunos que chegam tarde às aulas; etc.

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