Retrato de Luís Lavoura

Foi um disparate o governo ter decretado tolerância de ponto para hoje, 12 de maio, devido à visita papal.

O argumento da tradição - de que governos anteriores também decretaram tolerâncias de ponto por ocasião de anteriores visitas papais - não colhe. A tradição tem que ser jusificada a cada momento: ou ela faz sentido, aqui e agora, ou não faz. E, se não fizer, ela deve ser abandonada (pelo menos nesta ocasião). Não se mantem um mau hábito apenas por ele ser habitual.

Ponto um: nem o dia 12 de maio nem o dia 13 de maio têm qualquer especial relevância para a religião católica. Nenhum católico é obrigado a guardar esses dias.

Ponto dois: nenhum católico é obrigado a ver o papa ao vivo sempre que tenha ocasião para tal.

Ponto três: uma peregrinação a Fátima tem o mesmo valor em qualquer dia do ano. Há peregrinos a ir a Fátima (e a Santiago de Compostela, e a todos os outros santuários católicos) em todos os dias do ano.

Portanto, não há qualquer sustentação na fé católica para se defender que um católico português seja suposto aproveitar o dia de hoje para ir a Fátima ver o papa.

Ademais, e isto é muito importante, amanhã é sábado. Qualquer católico português que queira mesmo aproveitar esta ocasião para ir a Fátima, pode fazê-lo esta noite: mete-se no arro depois do trabalho, faz a viagem durante a noite, e vê o papa na missa que ele amanhã de manhã celebrará.

Não somente não há qualquer obrigação de um funcionário público português católico ir ver o papa em Fátima como, se o quisesse fazer, poderia fazê-lo sem necessitar da tolerância de ponto: o papa estará em Fátima amanhã de manhã, que é sábado.

Em suma, foi um disparate. Não tem nada a ver com laicismo, tem a ver com não haver necessidade.

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