Segundo ouvi ontem no Telejornal, o Reino Unido e a França declararam que, no conflito líbio, estão do lado dos rebeldes e contra Ghadafi. Foram passadas imagens de um representante do governo francês dizendo que Ghadafi "deve partir".
Isto suscita-me três questões:
(1) Que eu saiba, a União Europeia tem uma alta-representante para a política externa, que, por sinal, o Reino Unido até fez questão que fosse uma britânica. Essa alta-representante é quem deve elaborar e ser a porta-voz da política de negócios estrangeiros da União. Mas, pelos vistos, (pelo menos) dois países importantes da União estão-se nas tintas para estas regras e preferem ter uma política externa própria e independente da dos restantes países da União. Não é desta forma, evidentemente, que a política externa da União Europeia irá longe, ou que a União Europeia poderá alguma vez ter voz relevante em questões internacionais.
(2) Parece evidente que Ghadafi não irá de motu proprio satisfazer a vontade do governo francês e "partir". Pergunta-se então, estão o Reino Unido e a França dispostos a juntar os atos às palavras e a forçar, manu militari, Ghadafi a sair do poder? Ou, como de costume, o Reino Unido e a França acobardar-se-ão e ficarão à espera que os EUA avancem por eles? É que, se o Reino Unido e a França não atuarem, desde já, com as suas Forças Armadas, para apoiar os rebeldes e depôr Ghadafi, só podemos concluir que as suas tomadas de posição são inócuas e insignificantes.
(3) Supondo que ninguém (nem os EUA, nem a França, nem o Reino Unido) atua militarmente contra Ghadafi e que este vence a atual guerra civil - possibilidade razoavelmente provável, dado que os rebeldes não dispõem de força aérea - com que cara ficarão depois o Reino Unido e a França? Que relações poderão eles ter de futuro com a Líbia de Ghadafi? E como ficarão a União Europeia e as suas relações com a Líbia?
A mim parece-me que o Reino Unido e a França deveriam ter mais juízo e mais tento na língua e não tomar posição fora de tempo e em desconsideração dos outros Estados-membros da União Europeia, incluindo alguns, como a Itália e Portugal, que têm todo o interesse em ter boas relações com a Líbia - esteja no poder líbio Ghadafi ou outro qualquer.














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