Afinal o Saramago sempre se excedeu.
O próprio admitiu. Portanto, esse ponto está decidido.
A outra questão é se a Bíblia é um manual de maus costumes. O próprio Saramago disse que isso é um mau comentário que não devia ser levado a sério. Algo como uma liberdade de autor. Portanto, não é para ser levado a sério.
Outro ponto discutido é se a bíblia deve ser lida à letra e o representante da igreja presente no debate disse que a bíblia não é para ser discutida à letra.
O Saramago disse ainda que não gosta de criar polémica gratuita indicando que esse comportamento não é correcto.
Falta saber então porque o fez.
O direito ao respeito também é uma liberdade.













???
Miguel Duarte on Domingo, 25/10/2009 - 09:10Desde quando é que existe o direito ao respeito? E desde quando é que a bíblia é um livro para se levar a sério?
Aliás, algo que não percebo em ti é esse politicamente correcto (porque é isso mesmo), de quereres respeitar todas as religiões, mesmo quando elas não merecem minimamente o nosso respeito.
Se um representante da Igreja diz que a bíblia não é para ser levada à letra, ainda bem. Mas isso só dá razão aos comentários iniciais do Saramago. A bíblia é um "manual de maus costumes", pelo que o melhor é não levá-la à letra e não seguir as suas sugestões. É um livro sobre ética e a origem do mundo e mais umas quantas histórias cheias de imaginação, com milhares de anos que se tornou irrelevante devido ao passar do tempo. Se a Igreja quer o meu respeito, então, mais vale abandonar a bíblia como texto sagrado de uma vez por todas (aliás, só o facto de alguém acreditar que existem textos de origem divina é uma questão para eu não levar a sério essa pessoa).
E mais grave, existe muito gente que quer levar esse livro cheio de maus exemplos à letra (porque os tem, como tu já o admitiste), gerando por isso montes de abusos.
ódio
Hugo Garcia on Domingo, 25/10/2009 - 21:18Bem,
não percebo de onde vem esse ódio.
A origem do mundo a bíblia são 2 ou 3 páginas. Achar que a biblia é isso ................
A igreja não é o vaticano. São as pessoas que regem a sua religião pelo catolicismo (ou outra).
Como sabes eu também tenho um certo ódio ao Rato Zinger por decisões ultrajantes que ele tomou. Mas daí a odiar as pessoas que se revêm na religião católica vai um mundo e meio.
Lembro-me que também houve uma altura em que lias a constituição portuguesa à letra e revoltavas-te.
Pelo que percebi, entretanto já te explicaram e hoje até concordas com os direitos fundamentais.
Talvez um livro que não traz leis, mas romances, cartas e histórias (umas parcialmente outras totalmente ficção) pudesse levar um bocadinho mais de tolerância.
Ódio?
Miguel Duarte on Segunda, 26/10/2009 - 08:49Hugo, tu tens que compreender uma coisa, pois acho que algum religioso te fez uma lavagem ao cérebro.
Criticar algo ou alguém não é odiar esse algo ou alguém, é meramente criticar. Uma religião está sujeita a ser criticada como qualquer outra actividade do homem. E é bom que assim seja, para que a sociedade evolua. Se não existisse quem se opusesse às religiões, ainda hoje estávamos com a inquisição à porta.
A bíblia tem muitos mais "pecados" que os extractos de ignorância científica e o João já aqui foi muito explícito. Mas se queres ver exemplos bastava procurares na Internet, por exemplo 1093 exemplos aqui ou 127 exemplos aqui. O Deus da bíblia é um deus vingativo e extremamente violento e que dá exemplos de comportamentos violentos. Basta pensares em exemplos como o dilúvio para chegares a essa conclusão.
A Igreja hoje em dia não é igual aos Talibã, porque pura e simplesmente foi precisamente alvo de críticas (e bem mais do que isso) ao longo de centenas de anos e aprendeu a dar essa volta linda ao seu texto sagrado que é, "o mesmo não é para ser levado à letra". Não me admiro nada que daqui a 20 anos a Igreja já aprove o uso do preservativo, o casamento de homossexuais ou qualquer outra coisa que hoje condene e que a evolução da sociedade vai tornando condenável a condenação da Igreja. É tudo uma questão de usar a imaginação e reinterpretar os seus textos sagrados (que, sejamos francos, dão para tudo).
"Talvez um livro que não traz leis, mas romances, cartas e histórias (umas parcialmente outras totalmente ficção) pudesse levar um bocadinho mais de tolerância."
Não estou a dizer para se queimar o livro, por isso não vejo onde está a minha falta de tolerância. Simplesmente afirmo que o livro é péssimo como exemplo ético e moral. O livro não é um livro de romances ou ficção científica (quer dizer, para mim é, e para ti parece que também), o livro é um livro "sagrado" para muita gente, pelo que supostamente o que lá está escrito deve ser levado a sério. Se fosse um mero livro de ficção científica era irrelevante.
"A igreja não é o vaticano. São as pessoas que regem a sua religião pelo catolicismo (ou outra)."
O Vaticano é um constituinte da Igreja. E a Igreja como instituição tem representantes. Quanto às pessoas, felizmente, uma grande parte delas já não liga nenhuma ao que os representantes da Igreja dizem.
"A igreja não é o vaticano."?!?!
João Cardiga on Domingo, 25/10/2009 - 21:33"A igreja não é o vaticano."?!?!?
Não percebo, parece-me que é precisamento o contrário, a Igreja é o Vaticano (que é diferente de dizer que a religião é o Vaticano). Estou a ver que está em marcha uma revolução que só tem precedentes em Lutero :)
"Talvez um livro que não traz leis, mas romances, cartas e histórias (umas parcialmente outras totalmente ficção) pudesse levar um bocadinho mais de tolerância."
Epá o livro traz leis. Já ninguém as segue, mas quem lê o livro (por exemplo o exodo) aquilo é um autentico código civil. Pessoalmente eu acho é que a cultura dos crentes em muito ultrapassou a cultura da Igreja, mas acho que é altura dos crentes começarem a fazer algo para mudar essa imagem.
É que eu não sendo crente o que vejo é que os crentes acabam por alimentar involuntariamente uma máquina que já não lhes diz muito...
O respeito conquista-se.
João Mendes on Sábado, 24/10/2009 - 17:40O respeito conquista-se. Saramago não é forçado a respeitar a Igreja, e a Igreja não é forçada a respeitar Saramago. Saramago não é forçado a respeitar a Bíblia e a Igreja não é forçada a respeitar os livros de Saramago. Vivemos numa sociedade livre, em que as opiniões são livres, e a expressão das mesmas também. Saramago pode ter a opinião religiosa que quiser e deve poder expressá-la, mesmo que a Igreja fique infeliz com a forma como a expressa. Da mesma forma que a Igreja pode expressar a opinião dela como quiser, mesmo que eu pessoalmente me aborreça com a forma como o faz.
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