Seguindo a sugestão do Igor deixada aqui e fui ler o artigo. E concordo com ele, é sem dúvida um excelente artigo, não apenas pelo enquadramento que dá a esta questão como pela sugestão que dá para dividirmos esquerda e direita:
"As desigualdades - e a respectiva visão da igualdade - face às quais direita e esquerda se demarcam tanto podem ser de carácter natural como de carácter social. Mas a esquerda tende a considerar que a maior parte das desigualdades é de carácter social, enquanto a direita enfatiza o seu aspecto natural. (...)
Esta é uma das razões mais fortes para a desvalorização da agenda igualitária por parte da direita, face à promoção dessa mesma agenda por parte da esquerda. (...)
Assim, o binómio desigualdade / igualdade permite distinguir a direita da esquerda. Mas o mesmo não se passa com o binómio liberdade / autoridade. (...)
Num esforço de síntese - que tem já em conta a contribuição de Bobbio - Steven Lukes sugere que se adopte como critério distintivo entre a direita e a esquerda aquilo a que chama o «princípio de rectificação» (Lukes, 2003). A esquerda
é favorável a este princípio, enquanto a direita se lhe opõe."
Ora seguindo o conselho deste texto não tenho duvidas que sou de esquerda. O "principio da rectificação" é sem dúvida um principio que defendo. O que por seu lado levanta um grande desafio: como implementar essa rectificação?
Um social-democrata tem a vida facilitada pois soluciona esta questão através do Estado. Já um liberal tem a vida bastante dificultada.
Primeiro porque o nosso passado recente demonstra que o Estado pode não ser a melhor solução e que o tipo de soluções defendidas por sociais-democratas poderão levar a uma maior desigualdade.
Segundo porque, demasiadas vezes as soluções defendidas pelos sociais-democratas interferem directamente na liberdade individual, condicionando assim artificialmente a nossa vida. Ou seja, demasiadas vezes temos de ter um trade-off entre liberdade e igualdade. Algo que pessoalmente não julgo que seja assim tão linear.
Terceiro, porque a solução Estado implica vontade dos partidos em agir de determinada forma. Ora pragmaticamente os nossos partidos actuais estão demasiado dependentes de grupos de pressão que não representam as pessoas que sofrem mais com essa desigualdade, logo têm pouco incentivos a realmente "rectificar" essa situação.
Posto isto, julgo que uma forma de inovar seria criar, antes demais, uma força politica que seja livre dessas pressões. Para tal necessitará do apoio financeiro directo dos cidadãos que sofrem mais com essa desigualdade ou que estejam dispostos a "rectificar" estas situações de desigualdade. Após a criacção dessa força politica, então passará por implementar soluções que, ou não impliquem o trade-off entre igualdade e liberdade, ou o minimizem. Isto é, uma força politica que procure soluções que ampliem a capacidade dos individuos influenciarem directamente a sua vida e assim promoverem eles próprios a rectificação das desigualdades.
É talvez esta a grande vantagem de uma força liberal em Portugal, a de introduzir inovação na procura de soluções a problemas já antigos.














Como é que será do resto
João Cardiga on Sexta, 15/01/2010 - 01:36Como é que será do resto do membros do MLS?
Igor,
Se calhar a nossa discussão derivou por causa da nossa diferença na valorização da autoridade. O que achas?
Luis,
Um libertário em potência?
Eu sou um tipo moderado
Luís Lavoura on Quinta, 14/01/2010 - 10:24Harm 2.0
Fairness 3.3
Loyalty 1.2
Authority 1.5
Purity 1.0
Os últimos três índices indicam que, decididamente, não sou conservador (isso já eu sabia!). Os primeiros dois índices indicam que também não me integro bem na esquerda.
Luís Lavoura
Os meus
Igor Caldeira on Quinta, 14/01/2010 - 10:07Harm 4,5
Fairness 4,7
Loyalty 0,3
Authority 1,7
Purity 0,2
Jonathan Haidt
Francisco Burnay (não verificado) on Quarta, 13/01/2010 - 17:42As 5 medidas propostas de Jonathan Haidt para distinguir um liberal de um conservador de uma perspectiva moral é bastante interessante: http://www.ted.com/talks/jonathan_haidt_on_the_moral_mind.html
Obrigado
João Cardiga on Quarta, 13/01/2010 - 20:01Muito obrigado pelo link, que já fui ver. Adorei a explicação. Além das 5 medidas propostas julguei também muito interessante quando se referiu ao facto de grande parte da audiência ser liberal e da importância de ouvir o que os outros têm para dizer e o porquê das suas posições. Julgo que é algo fundamental.
A jeito de curiosidade fiz o teste (que está em www.yourmorals.org) para sabermos a nossa moral segundo essas medidas e os resultados foram os seguintes:
Harm:
Eu: 4.2
Liberais: 3.7
Conservadores: 3.0
Fairness:
Eu: 4.0
Liberais: 3.8
Conservadores: 3.0
Loyalty
Eu: 3.0
Liberais: 2.1
Conservadores: 3.1
Authority:
Eu: 0.7
Liberais: 2.1
Conservadores: 3.3
Purity
Eu: 0.3
Liberais: 1.3
Conservadores: 2.9
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