Como já devem ter percebido eu leio (mais ou menos) o Público.

Com toda esta conversa de CO2, aquecimento para todos (ou seja, global) e alterações climáticas, talvez esteja a dar mais atenção ao assunto. É que, nos últimos dias, pelo menos, tem aparecido no mínimo uma notícia no dito jornal de referência.

Hoje, a meio do jornal, leio a notícia "Florestas perderam 30 megatoneladas de CO2 nos incêndios dos últimos dez anos". Pareceu-me grave.

Depois passei ao P2, mais "light" e, mesmo a meio, lá estava: "Um gigante que pode desfazer-se até 2030".

Fui então tentar saber se o resto do mundo, para além do Al Gore, também falava do mesmo e é então que acho um artigo no Diário Económico sobre como tirar o CO2 da consciência. Uff

Eis a solução:

"With TerraPass you can balance it out"

Trata-se da compra de créditos “pessoais” de CO2 de modo a compensar as emissões dos automóveis privados, do aquecimento da casa ou das viagens aéreas de negócios ou férias.

Oh yes, estes americanos andam sempre um passo à frente. E eu a dar-lhe na poupança de água...

(Já agora, para quem queira ler, as ditas notícias)

"Florestas perderam 30 megatoneladas de CO2 nos incêndios dos últimos dez anos"

29.03.2007, Ana Fernandes

Redução da biomassa implicou que o país perdesse muito carbono que estava armazenado nas árvores, tendo agora menos capacidade de sumidouro

Portugal perdeu muita da sua floresta na última década, em grande parte devido aos incêndios. Segundo dados do inventário florestal nacional, houve uma redução de 27,5 milhões de metros cúbicos de biomassa no país, sobretudo no pinhal. José Miguel Cardoso Pereira, investigador do Instituto Superior do Agronomia fez as contas e conclui que este défice implica que se esfumaram 30 megatoneladas de dióxido de carbono que estavam armazenados nas árvores. Ora o país emite, no total, 88 megatoneladas por ano através, sobretudo, da produção de energia, indústria, serviços e transportes.
Esta estimativa de Cardoso Pereira, ontem apresentada na conferência sobre o papel das florestas no mercado de carbono, parte de contas simples feitas a partir do inventário florestal, explica o investigador. No próximo mês, deverá ser divulgada a contabilidade do carbono nas florestas na última década, fazendo já uma filtragem mais fina de todas as variáveis envolvidas, como a regeneração. Porém, acredita José Miguel Cardoso Pereira, os valores finais não poderão ser muito diferentes, já que há de facto uma efectiva perda de biomassa no país nos últimos anos, patente no inventário florestal. Culpa dos incêndios, sublinha.
A confirmarem-se estes números, salvaguarda Júlia Seixas, da empresa EValue, Portugal está a perder capacidade de sequestro (captura e fixação) de carbono. O cenário é mais preocupante sabendo-se que o país incluiu a gestão florestal e de solo como uma ferramenta para reduzir 800 mil toneladas das suas emissões. A incidência dos incêndios põe em risco este objectivo.
Em determinadas zonas de Portugal, como é o caso do interior-centro e norte, os intervalos entre os incêndios são de 22 a 30 anos. Isto põe em causa a capacidade de sumidouro (consumo) de carbono da floresta, salienta Cardoso Pereira. E altera a paisagem rural, já que incide sobretudo em áreas de pinhal que acabam por ser substituídas por matagal ou eucalipto, o qual é cortado a cada 12 anos, tendo assim mais hipóteses de sobreviver no intervalo entre fogos.
Com base em cartografia das áreas queimadas em Portugal, Cardoso Pereira conseguiu recuar até aos anos 70 verificando que, ao contrário do que tem sido divulgado, embora exista uma tendência crescente da incidência de fogos, ela não tem sido tão forte como se julga. "A boa notícia é que a tendência não é tão acentuada como se pensava, a má notícia é que o problema persiste em Portugal há já muito tempo", diz o investigador.
A diferença é que as estatísticas oficiais partem de uma base mais reduzida do que a realidade, pois, além de não existirem dados para os anos 70, os anos 80 foram subavaliados. Na verdade, em 1985, por exemplo, arderam 300 mil hectares, mais do dobro do que indicam os números oficiais.

"Um gigante que pode desfazer-se até 2030"

29.03.2007

Enormes blocos de gelo continuam a soltar-se de um dos maiores glaciares da América do Sul, o Upsala, nos confins da Patagónia

Quando chega ao lago Argentina, no Sul da Patagónia, o Upsala faz jus ao estatuto de protecção especial do Parque Nacional Los Glaciares. A sua parede frontal tem mais de 60 metros de altura e é de lá que se desprendem os imensos blocos de gelo cuja espectacular queda atrai multidões de turistas. Para trás, para o norte, estende-se a sua imensa língua, com 60 quilómetros de extensão. Cobre uma superfície total de 595 quilómetros quadrados.
Tal como a maioria dos glaciares andinos, o Upsala tem vindo a recuar ao longo dos anos, estimando-se que a um ritmo médio anual de 14 metros. Mas há cientistas que falam em 200 metros por ano. As divergências no ritmo a que o Upsala está a liquefazer-se resultam de a frente do glaciar ter recuado quatro quilómetros entre 1968 e 1995 e, depois, ter-se criado a ideia de que se tinha estabilizado. Contudo, um trabalho realizado com base em fotografias de satélite não confirma o cenário mais positivo, pois verificou-se novo recuo entre 2001 e 2005.
Jorge Rabassa, um cientista argentino que tem estudado a evolução dos glaciares no hemisfério sul, prevê que o conjunto destes "rios de gelo" existente na Patagónia possa desaparecer até 2020 ou 2030 se o ritmo do aquecimento global se mantiver. No conjunto dos Andes, tal seria catastrófico, pois em países como o Peru, a Bolívia, o Equador e a Colômbia as populações dependem da água que esses rios libertam para o consumo doméstico e a agricultura. E nalguns desses países há glaciares que hoje estão reduzidos a um quinto da dimensão que tinham quando foram reconhecidos cientificamente, em meados do século XIX.
A primeira destas imagens, em que o Upsala ainda cobria uma parte importante do Lago Argentina, é de 1928. A outra foi tirada a 31 de Janeiro para a Greenpeace. A perspectiva é a mesma, a paisagem é que mudou radicalmente.

Retrato de Luís Lavoura

Pá, se alguém aí estiver

Luís Lavoura on Sexta, 30/03/2007 - 09:10

Pá, se alguém aí estiver muito preocupado com as emissões de CO2 do seu automóvel, eu vou agora plantar umas árvores numas terras que tenho. Quem quiser contribuir para a plantação é benvindo. Tenciono gastar alguns milhares de euros a plantar pinheiros bravos, carvalhos americanos, carvalhos franceses, e sobreiros. Quem quiser contribuir com algum, fará um bom favor ao ambiente e ajudará a destruir o maldito CO2 que o seu carro emite. E far-me-á um bom favor a mim também.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Como se contribui?

Filipe Melo Sousa on Sexta, 30/03/2007 - 09:20

Caro Luis Lavoura,

a contribuição será monetária, ou terá mesmo de ser através do esforço pessoal a trabalhar na plantação das mesmas?

Retrato de Luís Lavoura

É monetária.

Luís Lavoura on Sexta, 30/03/2007 - 09:52

É monetária.

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