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Embora, em termos quantitativos, se tenha registado face a 2001 um aumento de 2% da população residente em Portugal (à custa do saldo migratório), importa, também, assinalar algumas transformações estruturais:

- Num período de dez anos, a proporção de população idosa passou de 16 para 19%;

- O índice de envelhecimento cresceu de 102 para 128, ou seja, por cada 100 jovens existem 128 idosos;

- Perdeu-se população em todos os grupos etários (quinquenais) abaixo dos 30 anos;

- Verificou-se um aumento de 26% da população com 70 e mais anos.

Em suma, os Censos 2011 confirmam a tendência de envelhecimento demográfico, em conformidade com o que ocorre nas sociedades ocidentais. Neste âmbito, os dados reforçam a urgência de reformar o sistema da segurança social em função do agravamento do desequilíbrio entre potenciais contribuintes e potenciais beneficiários.

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juventude

Luís Lavoura on Quinta, 22/11/2012 - 14:55

a tendência de envelhecimento demográfico. Neste âmbito, os dados reforçam a urgência de reformar o sistema da segurança social

 

Em compensação, a cada vez menor natalidade deverá conduzir a poupanças ao nível dos cuidados com as crianças e jovens. Poupanças não apenas ao nível estatal, mas também, e principalmente, ao nível das famílias. Onde antes as pessoas tinham em casa três filhos para alimentar, agora terão possivelmente dois idosos de que cuidar. Gasta-se mais de um lado, mas também se poupa do outro.

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desafios

David Cruz on Quinta, 22/11/2012 - 19:56

Luís,

A perspectiva de “balança” que apresentas é bastante interessante. Vislumbro alguns desafios para a sociedade em função desse cenário:

1) Estarão as famílias dispostas a prestar apoio financeiro e/ou prestar cuidados aos familiares seniores, se considerarmos que a afectividade por uma criança é diferente da que existe por um idoso? De resto, é provável que a proporção que apresentas venha a ser, na verdade, mais desequilibrada: há os pais, os sogros e, até provavelmente, os avós.

2) Estarão as classes profissionais que prestam serviços às crianças e aos jovens (exemplo: professores) dispostas a ceder há desvalorização (quantitativa) destas profissões? Ao invés, estarão as pessoas dispostas a ocupar profissões socialmente menos valorizadas relacionadas com os cuidados prestados aos idosos?

Julgo que algumas destas questões já começam a actuar no presente.

Nesta equação importa, também, ter presente que as características dos idosos de hoje não serão as mesmas dos idosos de amanhã: serão mais qualificados e viverão mais anos.

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resposta

Luís Lavoura on Sexta, 23/11/2012 - 09:49

Claro que esses desafios são muito problemáticos.

Note-se entretanto que as "crianças" hoje também vivem mais tempo, e esse é um problema tão grande como o dos idosos que vivem mais tempo. Enquanto outrora uma criança começava a trabalhar e, portanto, deixava de constituir um encargo por volta dos 14 anos de idade, hoje em dia os pais continuam a ter encargos com os filhos até aos 25 anos de idade ou mais. Ou seja, os adultos têm problemas dos dois lados: filhos que nunca mais terminam a sua educação e pais que nunca mais morrem.

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geração sanduíche

David Cruz on Sexta, 23/11/2012 - 12:37

É a designada "geração sanduíche".

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pois

Luís Lavoura on Sexta, 23/11/2012 - 14:45

E este efeito de as crianças permanecerem mais tempo dependentes (por a educação ser mais longa) contrabalança o facto de haver menos crianças. Ou seja, por um lado há menos crianças, mas por outro lado cada uma delas depende dos adultos durante mais tempo, pelo que, na prática, os gastos (dos pais e da sociedade em geral) com a educação das crianças e jovens permanecem mais ou menos os mesmos.

(Eu cada vez mais me convenço que o ideal é vivermos à custa da imigração. Podemos perfeitamente não ter filhos se deixarmos cá entrar imigrantes à vontade. Dessa forma poupamos os gastos com a educação, na medida em que os imigrantes chegam cá já mais ou menos educados.)

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