Há ideias que por vezes partilhamos, mas que não as expressamos porque soam a demagogia. Mas não dizer algo por soar a demagogia é tão grave quanto dizê-lo apenas por ser demagogia.
E o que eu gostaria de dizer é que o mal não está nos funcionários públicos mas sim na função pública.
Digo isto porque acredito, e penso ser apoiado pela ciência da área, que o mesmo trabalhador pode ser extremamente competente numa empresa e improdutivo numa outra empresa na mesma área. Os factores que fazem com que tal aconteça são vários: motivação, liderança, recompensa, ambiente de trabalho, clareza dos objectivos, etc.
A natureza da função pública é certamente culpada por muitas destas questões. E se por um lado é verdade que algumas empresas abusam dos trabalhadores, também é verdade que muitos trabalhadores abusam dos seus empregadores sempre que têm hipótese. A tal questão dos direitos dos trabalhadores tem sempre dois lados. E certamente seria muito mais fácil conceder direitos a quem deles não abusasse.
Mas a minha alusão à corrupção tem uma razão de ser.
Segundo a grande obra de estratégia (A Arte da Guerra) quando o general é fraco e os soldados são fortes surge a insubordinação ou lassidão. Ou seja, deixam de existir regras, normas e funcionamento de equipa. A corrupção surge assim como uma ampliação dessa insubordinação.
Outra indicação interessante de Sun Tzu é o facto de que um exército ao entrar mais profundamente em território inimigo torna-se mais próximo e coeso. Ajudam-se mutuamente e confiam no seu líder. Curiosamente, na função pública não existe concorrência, logo não existe inimigo, portanto não existe uma razão para se manterem unidos a trabalhar por um objectivo.
É por todas estas razões que defendo que o Estado tem de evoluir de um Estado executante para um Estado contratualista.













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