Retrato de Miguel Duarte

Caros cidadãos do mundo, a espécie humana encontra-se a caminhar para o abismo no que toca à gestão do ambiental de um planeta que é a nossa única casa. Os últimos estudos de carácter científico apontam que a situação actual está muito longe de ser sustentável e que se desejamos que os nossos descendentes possam vir a ter um planeta onde possam viver, são necessárias medidas radicais para resolver a situação. Eu, reuni-me com os líderes de todos os países do mundo e decidi tomar medidas para resolver este grave problema.

Por uma questão de justiça, decidi que todos os cidadãos terão direito a um quinhão igual dos recursos do planeta onde habitam, residam eles actualmente num país desenvolvido, ou num país subdesenvolvido, sendo que para as minhas contas recorri aos últimos modelos que têm como base o conceito de pegada ecológica. Reconheço que isto irá exigir fortes sacrifícios por parte daqueles que têm recursos económicos mais elevados, mas, tal será em nome do bem comum.

Além de sacrifícios no que toca ao conforto de cada um, e dado que mesmo que estes fossem tomados, não seria suficientes, face à população actual e tecnologias actuais, decidimos também que teremos neste século não só parar o crescimento populacional, mas reduzir a nossa população para metade.

Medidas de Urgência:

- Proibição imediata da venda de automóveis para utilização por particulares;
- Proibição da construção de novas centrais de energia que emitam carbono;
- Implementação da política 1 casal = 0,5 filhos. Todos os cidadãos no momento do seu casamento, terão direito a participar num concurso que lhes dirá se terão direito a reproduzir-se ou não;
- Proibição do uso de embalagens não biodegradáveis;
- Proibição da construção de residências uni-familiares maiores que 50 m2;
- Proibição do consumo de carne;
- Imposto ecológico de 500% sobre o transporte aéreo de passageiros;
- Proibição, com pena perpétua, da entrada de seres humanos em qualquer reserva natural, excepto os pertencentes a tribos com residência histórica no local, transformando imediatamente em reservas todas as florestas tropicais.

Medidas de Longo Prazo:

- Produção de energia apenas baseada no nuclear ou em energias renováveis;
- Proibição da venda de motociclos a particulares;
- Bolsa global para a venda de direitos individuais de poluição tendo como base uma quota da pegada ecológica a que cada cidadão tem direito;
- Imposto ecológico a 500% de todos os alimentos pré-confeccionados;
- Obrigatoriedade do conceito de desenvolvimento com 0% de emissões.

Nota: Obviamente o texto acima é uma ficção, mas, representa muitas das medidas que teriam que ser tomadas para que a nossa existência neste planeta fosse sustentável. Apenas pergunto, será que seria possível tomar estas medidas a nível mundial de uma forma pacífica e democrática? Se acharam radical o que foi proposto acima, façam a simulação da vossa pegada ecológica aqui e vejam se conseguem obter o valor =< "1", que seria o valor sustentável para a população actual com a tecnologia actualmente existente. Basicamente, a nossa pegada ecológica em termos de emissões de Carbono(num país desenvolvido como o nosso), deve-se em 1/3 à utilização do automóvel, 1/3 aquecimento e uso da energia na habitação e 1/3 transporte de alimentos até à nossa mesa.

Palestra Pública

pedro viana (não verificado) on Quarta, 28/03/2007 - 15:23

Para todos os interessado nas consequências do aquecimento global, mas especialmente para o Miguel Duarte, que como futuro potencial decisor político tem o dever de formar a sua opinião de modo cientificamente fundamentado, deixo aqui o anúncio duma conferência publica sobre o assunto, dada na próxima sexta-feira, dia 30 de Março, pelo responsável pelo estudo científico - SIAM - das consequências do aquecimento global em Portugal, Filipe Duarte Santos.

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Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

PALESTRA PÚBLICA - 30 de Março

Alterações Climáticas Naturais e Antropogénicas

O OAL retomou as suas Palestras públicas mensais, que como habitualmente têm
lugar no Edifício Central, pelas 21h30 da última sexta-feira de cada mês.

A próxima palestra terá lugar no dia 30 de Março e abordará o seguinte tema:
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NATURAIS E ANTROPOGÉNICAS
Filipe Duarte Santos
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Componentes do sistema climático. Causas da variabilidade climática. Causas das
eras glaciares e dos períodos glaciares e interglaciares. Variabilidade solar.
Evolução do Sol e consequências para a vida na Terra. Balanço radiativo na
atmosfera terrestre. Efeito de estufa e intensificação antropogénica do efeito
de estufa. Perturbação do ciclo do carbono. Alterações climáticas
antropogénicas. Cenários climáticos futuros para Portugal.

A palestra terá videodifusão ao vivo na internet no endereço
http://live.fccn.pt/oal/

A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente
ao Instituto Superior de Agronomia.

No final de cada palestra, e caso o estado do tempo o permita, fazem-se
observações dos corpos celestes com telescópio. Nesta noite os corpos celestes
alvo serão o planeta Saturno e a Lua.
Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios
caso queiram realizar as suas próprias observações ou ser ajudados com o seu
funcionamento.

Para mais informações use o telefone 213616730.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Aumento Populacional

Filipe Melo Sousa on Segunda, 26/03/2007 - 11:52

Vivemos um período de grande incerteza no que diz respeito à população mundial, pela conjugação de dois factores

- Nunca o aumento (nominal) da população do planeta foi tão grande como hoje
- Nunca a redução da população foi tão acentuada como hoje.

Dêm uma olhada na lista de média de filhos por mulher, por entre todos os países do mundo. Entre 2000 e 2006 a média reduziu-se de 2.80 para 2.59 filhos por mulher. Já em Portugal, existe um défice de nascimentos. Como quase toda a gente sabe, os 1,47 filhos em média para a mulheres portuguesas não são suficientes para renovar a quantidade de pessoas na geração seguinte. Em suma: somos cada vez menos portugueses. O pequeno aumento que ainda constatamos advém apenas do envelhecimento da população.

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_and_territories_by_fertility_rate

O que mais me preocupa nesta lista é a quantidade de filhos que nascem em países onde não existem quaisquer condições para os criar. Hoje em dia, os países ricos têm possibilidades e recursos para sustentar e alimentar essas pessoas caso assim o desejem. Dentro de uma geração, duvido muito. Pergunto-me se os países ricos não terão o direito de interferir na política de natalidade destes países, de modo a evitar a miséria generalizada e grandes conflitos no futuro.

Mal por 1, mal por 1000....

Pedro Pinheiro (não verificado) on Segunda, 26/03/2007 - 10:37

Miguel,
Segundo a página que calcula a nossa pegada ecológica, é impossível, sem melhoria da eficiência da economia, ter um sistema sustentável até com as escolhas mais espartanas que são dadas, vejamos:

I live in the United Kingdom, I travel mostly by walking/cycling and usually holiday close to home. I live in a zero emission development (ZED) that I share with more than six others. I am a vegan and usually eat mostly fresh, locally grown produce. I produce half the average amount of domestic waste, most of which is recycled.

Mesmo assim, seria preciso ter 1.2 planetas terra para suportar uma pessoa com tais hábitos tão... esbanjadores. Não sei qual é a fonte (não do consumo) mas do que está disponível globalmente.

Eu acredito que o segredo não é sermos completamente espartanos, mas de sermos elegantes nas escolhas que fazemos e nos hábitos que temos. O exagero de posições faz com que as pessoas desistam de tentar fazer pelo planeta, e não por tentar melhorar, porque o que vale caminhar para objectivos impossíveis?

Retrato de Miguel Duarte

Exactamente

Miguel Duarte on Segunda, 26/03/2007 - 11:10

O que tenho estado a dizer é que todos estamos dispostos a fazer um pouco pelo ambiente, mas esse pouco não chega. Mesmo que fizessemos muito, dificilmente chegaria até porque teríamos todos que o fazer. Pode ser desmotivador, mas é a realidade.

Obviamente que o link que te dei é um modelo, que como todos os medelos tem limitações e este provavelmente bastantes subjectividades.

Mas com esta discussão tenho chegado à conclusão, que entre muitas outras coisas, temos mesmo que inverter, e rapidamente, o crescimento populacional.

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