Retrato de Miguel Duarte

Aquecimento GlobalA questão do aquecimento global tem sido dada a muito polémica e como é habitual nestas coisas temos campos que se extremam. Às vezes até nem são os mais representativos da generalidade daquilo que pensa quem se ocupa desta matéria, mas acabam sempre por ser aqueles que têm direito a mais tempo de antena.

Podemos assim dividir:

- Aqueles que vêm um cenário catastrófico à sua frente, como o Al Gore com o seu “An Inconvenient Truh” (mas que é um óptimo filme de propaganda política para um potencial candidato presidencial);
- Aqueles que negam os primeiros, de que é exemplo este post de Melanie Phillips no Insurgente.

Como em quase tudo, quem radicaliza acaba por perder a razão. No entanto, lendo as entrelinhas conseguimos aperceber-nos da verdade:

- O clima está a mudar, mas ainda não sabemos bem porquê (desconfiamos que por nossa culpa);
- Existe modelos climáticos catastrofistas, mas que como todos os modelos, têm limitações;
- Temos que nos preparar para anos mais quentes, mas, não é a primeira vez que tal acontece na história do planeta;
- Nós, mas principalmente as próximas gerações, vão sofrer muito com isso.

O problema em tudo isto é que, psicologicamente, a grande maioria dos seres humanos prefere certezas (o seu bem estar actual), a incertezas (o clima alterar-se radicalmente durante este século), que nem vão afectá-los grandemente e quem nem sabem se é verdadeiramente culpa sua. Com a agravante que gerir a incerteza exigiria um esforço coordenado global, quase impossível de realizar.

Mesmo que a Europa corte 50% das suas emissões de carbono até 2020, teria que todo o resto do mundo fazer também esforços muito agressivos para se reduzir as emissões, com elevados custos económicos para todos e sem certezas quanto aos resultados finais.

Tomar medidas desde género, é quase impossível em Democracia (onde os políticos têm que agradar a todos e por isso adoram tomar medidas de cosmética), mas também em ditaduras com a China, que para se manterem no poder têm que manter a sua população satisfeita, algo que implica crescimento económico, pois neste último país ainda nem as necessidades básicas de toda a população estão satisfeitas.

O que vai então acontecer?

Nos próximos séculos, a terra, como um organismo vivo que é vai continuar viva. Apenas vai activar, um dos seus mecanismos de auto-regulação, que passa por alterar as condições climáticas, algo que até aconteceria inevitavelmente mesmo que nós não estivéssemos por cá. A vida para alguns dos seus seres vivos que nela habitam, seres humanos incluídos, vai-se tornar mais difícil, tal como para um vírus ou bactéria se torna mais difícil a vida no corpo de uma pessoa. E a evolução, tal como os mercados, seguirá o seu caminho, os mais aptos sobreviverão, os menos aptos desaparecerão. Penso que ainda não é desta que a espécie humana desaparecerá, mas, obviamente, teremos que nos adaptar, enquanto espécie e enquanto sociedade.

Tudo isto é na minha opinião inevitável e possivelmente, a melhor coisa que teríamos a fazer neste momento é pensarmos como nos vamos adaptar e a desenvolver as tecnologias que o vão permitir fazer.

Por exemplo, Portugal obviamente, com a inevitável subida do nível das águas que se aproxima (é irrelevante quem, ou o que o provoca), deveria preparar-se para defender a sua costa naquilo que pode ser defendida, algo que os últimos dias provaram, ainda não sabemos fazer. Caso não o façamos, ou mesmo que o façamos, irão evidentemente existir durante as próximas décadas fortes alterações na nossa economia e na localização dos nossos maiores núcleos urbanos, já para não dizer que muita gente terá que imigrar mais para o interior do continente (Espanha, aqui vamos nós) ou mesmo para climas mais moderados no norte da Europa, dado que o nosso sul poderá vir a desertificar.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Em relação à natureza humana

Filipe Melo Sousa on Sábado, 24/03/2007 - 11:02

O egoísmo tem sido criticado como nefasto, em detrimento de acções que beneficiam o outro. Um código de valores que se opõe à natureza humana. Cito então Ayn Rand:

“Through centuries of scourges and disasters, brought about by your code of morality, you have cried that your code had been broken, that the scourges were punishment for breaking it, that men were too weak and too selfish to spill all the blood it required. You damned man, you damned existence, you damned this earth, but never dared to question your code.

Your victims took the blame and struggled on, with your curses as reward for their martyrdom—while you went on crying that your code was noble, but human nature was not good enough to practice it. And no one rose to ask the question: Good?—by what standard? "

Eu acredito que a actividade humana cause aquecimento da terra. Mas temo que estejamos a cair na falácia do argumento legítimo mas irrisório, ex:
- Os concursos da RTP oferecem carros
- os carros provocam trânsito
- logo a culpa do trânsito em Lisboa é da RTP
Sim, 50 carros por ano serão 0,025% da culpa, assumindo 200.000 carros a andar por Lisboa.

E eu individualmente posso salvar o mundo? Ou o governo português? Se eu atirar um alfinete ao mar inundo a praia?

Sinceramente acho patética a cultura em que estamos a cair. Vejo amigos meus a guardar o óleo de fritar as batatas para dar a um amigo cujo pai tem um negócio de reciclar óleo gasto em combustível: o trabalho e o armazenamento darão uns míseros 2 litros de combustível, cujo valor antes de impostos rondará os 0,30€.

É a porcaria dos carros híbridos, que equivale a pagar dois motores, e acrescentar mais 5.000 € ao valor de compra do carro, para reduzir 1l/100 no consumo. Sinceramente mais vale comprar um diesel.

É o investimento desenfreado em aerogeradores quando esta tecnologia está numa fase embrionária, pois dentro de alguns anos poder-se-á com o metade do investimento produzir o dobro da electricidade. É tal como os écrãs plasma antigamente custavam 10.000 €. Hoje comprei um por 1.000€, de tecnologia superior. Não será preferível guardar esse precioso dinheiro para o investir em tempo útil? Afinal é devido a esse mau investimento que a EDP teve de aumentar as tarifas em cerca de 16%. Aumento que o governo colocou em prestações aos utilizadores, sob uma falsa aparência de 6% este ano, e o resto a pagar nos anos seguintes.

É ver as pessoas a apagar as lâmpadas todas dentro de casa, como se uns míseros 50W pudessem fazer diferença no consumo em relação aos outros aparelhos que temos em casa (exemplo: torradeira 1.500W, aquecedor 2.500W, máquina de secar 2.000W, secador 1.500W, forno 2.500 W). Então toca a comprar a porcaria das lâmpadas maravilha que demoram séculos a acender, e muito úteis para ter na casa de banho, onde só precisamos de entrar por 30 segundos para lavar as mãos. Mas o Dr. Sócrates agora cobra impostos acima do normal para as lâmpadas comuns. Assim compramos o produto que ele recomenda. Deve querer que deixemos de lavar as mãos e que regressemos à idade da pedra.

E vejo os 3 estados mais poluidores do mundo (India, China, EUA) a não querer reduzir as suas emissões. Esta fantochada toda serve para quê? E que tal pressionarmos a américa para reduzir as suas emissões mas é?? O problema é causado por quem polui, não por quem não polui, certo?

P.S.: agora devo ter baralhado o pedro viana. Ele devia achar que eu ia sair em defesa dos americanos LOL. Mas sabem, juízo têm eles que aproveitam o bem bom, enquanto o resto do mundo paga a despoluição para eles. Malandros? São é espertos. Conhecem bem a natureza humana deste mundo "onde todos procuram competir com todos procurando por todos os meios obter vantagem sobre os outros". Se estás em roma, sê romano.

Alguns comentários: não

pedro viana (não verificado) on Sexta, 23/03/2007 - 22:37

Alguns comentários:

não deixa de me parecer estranho que um liberal, diria que bastante radical, como o Filipe desvalorize a acção individual, afirmando que apenas a acção colectiva produz resultados; se acredita nisso, então não acredita numa das bases da "teoria liberal clássica" acerca da maior eficácia do agregado de decisões individuais sobre a decisão colectiva; pessoalmente, acho que em certas situações, basicamente todas em que a presença de free-riders inviabliza os resultados pretendidos, apenas a decisão e acção colectiva produz resultados, mas isso não quer dizer que a acção individual não seja importante, pois em particular origina um efeito bola-de-neve que facilita a geração dum consenso colectivo;

numa economia de mercado uma tecnologia só amadurece se fôr financiada através da compra de produtos que incorporem essa tecnologia: dito de outra maneira, hoje o Filipe não estaria a comprar ecrans de plasma a 1000 euros se eles não tivessem antes sido colocados à venda por 10000 euros e havido compradores para eles; se todos fizessem o que o Filipe advoga, a economia de mercado colapsava num instante, pois todos esperariam (indefinidamente) por melhores produtos a melhor preço!

as pessoas não fazem raciocínios puramente utilitários, optando por vezes por realizar ou não acções que possuem para elas um custo muito superior ao que teriam se fizessem o contrário; como o Público mencionou ontem, António Damásio acabou de publicar um artigo na Nature onde demonstra isso mesmo; ou seja, as pessoas são capazes de actos não-racionais, em particular de altruísmo. E felizmente que assim é. Senão a miséria humana ainda seria maior. Não haveria então grande hesitação em matar a torto e a direito.

"Pedro, vou dar uma resposta

pedro viana (não verificado) on Sexta, 23/03/2007 - 18:18

"Pedro, vou dar uma resposta que não mereces, dada à tua falta de argumentos"

1) vejo que incomodei o Miguel: ainda bem porque era isso que pretendia;

2) não sei a que argumentos se refere o Miguel, pois não apresentei argumentos, nem tinha intenção de o fazer, sobre as origens do aquecimento global, apenas deixando links onde a comunidade científica apresenta esses argumentos; o meu post apresenta é argumentos que apoiam a minha afirmação de que o Miguel está a deixar-se influenciar por fabricações ideologicamente motivadas, dando-lhes tanta credibilidade como a conclusões da comunidade científica. Isso é extremamente perigoso e anti-liberal. O liberalismo apenas é possível se assumirmos que o uso da razão e o espírito crítico são elementos essenciais da essência humana. Estas características estão na base da atitude científica, donde que um ataque ao método científico é um ataque ao liberalismo, ao iluminismo.

"Só vejo um extremo" - Só vê um extremo quem é cego e não procura saber a outra face. Tentarmos só ver o lado que queremos ouvir porque nos agrada é um erro muito comum."

Entâo suponho que o Miguel consulta endireitas, astrólogos, mediuns, adivinhas e acha que se deve ensinar o criacionismo na escola pública, Afinal há que ouvir o outro lado, ou não?...

"A diferença é que no caso do cancro consegues comparar vários indivíduos, no caso do aquecimento global tens apenas um indivíduo, o nosso planeta. Podes teorizar o que quiseres, mas nem sequer tens uma amostra estatística para provares que tens razão."

Tudo bem. Então suponho que o Miguel acha que se devem também "ouvir" os criacionistas, pois, afinal, apenas há um registo histórico nem sequer podemos seguir no presente o que se passa em termos evolutivos na espécie humana.

"Todos os modelos climáticos prevêem que no final do séc XXI a temperatura média à superfície da Terra terá aumentado de vários graus." - Cuidado com a visão única."

Todos. Dê-me um exemplo de um modelo que não o preveja.

"Concordo. Mas 6 biliões de pessoas não irão agir de uma forma coordenada para resolver o problema e isso está na teoria económica. Leia sobre a Tragédia dos Baldios:"

A imposição de punições associadas às regras de gestão, asseguram que a tragédia dos baldios é evitável. Senão porque é que não vivemos numa sociedade "anárquica", onde o roubo e a poluição desregrada são a regra? O Protocolo de Montreal está a funcionar ou não?...

"Sim, todos estão muito preocupados. Até ao dia em que lhes tiram o automóvel e dizem que só podem andar de transportes públicos e lhes aumentam o custo dos produtos que adquirem em 50%. Se a preocupação fosse mesmo forte, face à crise que se avizinha, terias partidos ecologistas no poder em muitos países do mundo, a realidade é que não tens."

Não tens porque as pessoas são conservadoras, e desconfiam de promessas que implicam custos a curto prazo e recompensas longínquas. Po outro lado, sabes muito bem que as democracias representativas são dominadas por interesses económicos que impedem a discussão ampla de qualquer mudança de paradigma económico. Sabes muito bem que regularmente os governos tomam decisões altamente impopulares. Achas que não existe um partido liberal em Portugal poruqe não há liberais em Portugal?!...

"E não é que acredito mesmo nessa frase. ;) Apenas tirava "todos" e colocava 90%. Se tu não acreditas nisso é porque vives noutro planeta que não este."

Nesse caso, Miguel, tenho imensa dificuldade em compreender como podes ser liberal. Gostaria que um dia fizesses um post e que justificasses o teu liberalismo como consequência daquilo que achas ser a natureza humana.

Retrato de Miguel Duarte

Respostas...

Miguel Duarte on Sábado, 24/03/2007 - 10:56

"Tudo bem. Então suponho que o Miguel acha que se devem também "ouvir" os criacionistas, pois, afinal, apenas há um registo histórico nem sequer podemos seguir no presente o que se passa em termos evolutivos na espécie humana."

Podes ter a certeza que sei a sua opinião e até percebo o seu ponto de vista. Simplesmente discordo.

"Nesse caso, Miguel, tenho imensa dificuldade em compreender como podes ser liberal. Gostaria que um dia fizesses um post e que justificasses o teu liberalismo como consequência daquilo que achas ser a natureza humana."

Precisamente por isso é que sou liberal. O egoísmo é uma óptima forma de fazer avançar o mundo. O socialismo não funciona porque precisamente os seres humanos são egoístas por natureza.

"Todos. Dê-me um exemplo de um modelo que não o preveja."

Olha apenas para a variação de aumento global entre 1 e 6 graus centígrados, pelo órgão "ofical" defensor do aquecimento global. E tu certamente sabes muito bem que quando falamos de modelos, basta mudar uma décimas e tudo geralmente muda de uma forma significativa, principalmente em modelos complexos como o climático. Como estamos a prever o futuro, podemos lá colocar o que quisermos, já estaremos mortos quando alguém descobrir o que erramos.

"meu post apresenta é argumentos que apoiam a minha afirmação de que o Miguel está a deixar-se influenciar por fabricações ideologicamente motivadas"

Quem, o Al Gore? A Greenpeace? As Nações Unidas? ;)

Retrato de Miguel Duarte

Resposta que não mereces

Miguel Duarte on Quinta, 22/03/2007 - 21:32

Pedro, vou dar uma resposta que não mereces, dada à tua falta de argumentos, mas aqui vai:

"Só vejo um extremo" - Só vê um extremo quem é cego e não procura saber a outra face. Tentarmos só ver o lado que queremos ouvir porque nos agrada é um erro muito comum.

"Se nestes casos, sabe, porque não quanto à origem humana do aquecimento global?" - Baralhas tudo. Mas o caso do aquecimento global poderia ser equiparado por exemplo ao efeito tabaco/cancro. A diferença é que no caso do cancro consegues comparar vários indivíduos, no caso do aquecimento global tens apenas um indivíduo, o nosso planeta. Podes teorizar o que quiseres, mas nem sequer tens uma amostra estatística para provares que tens razão. A realidade é que não sabes quais são os efeitos exactos do carbono que estamos a colocar na atmosfera.

"Todos os modelos climáticos prevêem que no final do séc XXI a temperatura média à superfície da Terra terá aumentado de vários graus." - Cuidado com a visão única.

"como se isso se resolvesse com mais ar condicionado" - Atenção que falei na história do planeta. Na história humana fui bem claro que vamos sofrer bastante.

"Vários tratados globais já foram implementados." - Continua a sonhar. Eu nem a Europa vi cumprir o actual tratado de Kyoto. Estou para ver os 20% a que se propõe. Na realidade nada disto, vai servir para nada, porque partindo do princípio que os efeitos são os previstos, ou existem medidas radicais a que ninguém está disposto, ou vais à mesma ter Lisboa por baixo de água.

"custos económicos de nada fazer são muito mais elevados do que os de fazer o que é necessário"

Concordo. Mas 6 biliões de pessoas não irão agir de uma forma coordenada para resolver o problema e isso está na teoria económica. Leia sobre a Tragédia dos Baldios:

http://www.miguelduarte.net/ambientalismo-de-mercado/custos-prisioneiro-baldios.html

"Treta. Leia"

Sim, todos estão muito preocupados. Até ao dia em que lhes tiram o automóvel e dizem que só podem andar de transportes públicos e lhes aumentam o custo dos produtos que adquirem em 50%. Se a preocupação fosse mesmo forte, face à crise que se avizinha, terias partidos ecologistas no poder em muitos países do mundo, a realidade é que não tens.

"onde todos procuram competir com todos procurando por todos os meios obter vantagem sobre os outros"

E não é que acredito mesmo nessa frase. ;) Apenas tirava "todos" e colocava 90%. Se tu não acreditas nisso é porque vives noutro planeta que não este.

Por onde começar?... "A

pedro viana (não verificado) on Quinta, 22/03/2007 - 18:35

Por onde começar?...

"A questão do aquecimento global tem sido dada a muito polémica e como é habitual nestas coisas temos campos que se extremam."

Quando de um lado temos a esmagadora maioria da comunidade científica e do outro pessoas ideologicamente motivadas, grande parte delas inimigas declaradas da ciência, não sei como é que há dois extremos... Só vejo um extremo. Ou o Miguel acha que todas as questões têm necessariamente de ter dois extremos?! Há uns extremistas que acham que a Astrologia é uma crença e uns extremistas que acham que a Astrologia é uma ciência, e o meio termo é que a Astrologia até terá alguma ponta de verdade?!... Só a gozar.

"No entanto, lendo as entrelinhas conseguimos aperceber-nos da verdade:

- O clima está a mudar, mas ainda não sabemos bem porquê (desconfiamos que por nossa culpa);"

Não desconfiamos. Sabemos. O Miguel "desconfia" que a espécie humana evoluiu através do processo de selecção natural? "Desconfia" que as marés são provocadas pela atracção gravitacional da Lua? "Desconfia" que a SIDA é provocada pelo vírus do HIV? "Desconfia" que fumar provoca cancro no pulmão? Se nestes casos, sabe, porque não quanto à origem humana do aquecimento global? Em quaisquer dos casos a esmagadora maioria da comunidade científica envolvida no seu estudo concorda na conclusão. Porque é que o Miguel "desconfia" num caso e não nos outros? Será que é porque anda a ler demasiada desinformação (neo)conservadora que lhe lavou a cabeça e lhe tirou o discernimento?

"Existe modelos climáticos catastrofistas, mas que como todos os modelos, têm limitações"

Não percebo o que quer dizer com modelos climáticos catastrofistas. Todos os modelos climáticos prevêem que no final do séc XXI a temperatura média à superfície da Terra terá aumentado de vários graus. Tal originará consequências que serão ou não catastróficas dependendo da sensibilidade ambiental e humana de cada um. É uma catástrofe a perda de diversidade ambiental? É uma catástrofe a perda de milhões de vidas humanas devido a perdas agrícolas decorrentes de secas e inundações, doenças e guerras? Depende da sensibilidade de cada um.

"Temos que nos preparar para anos mais quentes, mas, não é a primeira vez que tal acontece na história do planeta"

Se o Miguel ainda não compreendeu que a mudança climática que se prepara não se resume a ter "anos mais quentes", como se isso se resolvesse com mais ar condicionado, aconselho-o a ler por exemplo:

http://www.siam.fc.ul.pt/resumos.htm

"Com a agravante que gerir a incerteza exigiria um esforço coordenado global, quase impossível de realizar."

Não, não é impossível. O protocolo de Kyoto é global, apenas faltando de modo relevante os EUA. Os paises em desenvolvimento não fazem parte, mas participam nas negociações actuais pós-Kyoto e já fizeram saber que estão dispostos a adoptarem metas vinculativas, desde que os países desenvolvidos continuem a liderar no esforço de des-carbonização. Vários tratados globais já foram implementados. Por exemplo, na área do ambiente o tratado de Montreal que proibiu as substâncias destruidoras da camada de ozono é global e tem sido implementado com sucesso.

"Mesmo que a Europa corte 50% das suas emissões de carbono até 2020, teria que todo o resto do mundo fazer também esforços muito agressivos para se reduzir as emissões, com elevados custos económicos para todos e sem certezas quanto aos resultados finais."

Como o Miguel devia saber, os custos económicos de nada fazer são muito mais elevados do que os de fazer o que é necessário. Leia:

http://www.hm-treasury.gov.uk/independent_reviews/stern_review_economics_climate_change/stern_review_report.cfm

Quanto aos resultados finais, não há dúvidas: a diminuição acentuada da emissão de CO2 permitirá diminuir a taxa de incremento da temperatura global, levando à sua estabilização posterior.

"Tomar medidas desde género, é quase impossível em Democracia (onde os políticos têm que agradar a todos e por isso adoram tomar medidas de cosmética), mas também em ditaduras com a China, que para se manterem no poder têm que manter a sua população satisfeita, algo que implica crescimento económico, pois neste último país ainda nem as necessidades básicas de toda a população estão satisfeitas."

Treta. Leia

http://www.worldpublicopinion.org/pipa/articles/home_page/187.php?nid=&id=&pnt=187&lb=hmpg1
http://www.iht.com/articles/2007/02/22/news/poll.php

O que acontece é que o sistema político, em particular nos EUA, está nas mãos de interesses económicos que seriam prejudicados caso fosse feito um combate a sério às causas do aquecimento global. O que nos vai dando alguma esperança é que alguns desses interesses económicos parecem começar a olhar de modo positivo para as oportunidades de negócio que se abrem com uma mudança de paradigma energético.

"Tudo isto é na minha opinião inevitável e possivelmente, a melhor coisa que teríamos a fazer neste momento é pensarmos como nos vamos adaptar e a desenvolver as tecnologias que o vão permitir fazer."

Isso é fatalismo e não realismo. Será que para o Miguel "a melhor coisa que teríamos a fazer" era por exemplo tentar desenvolver vacinas ou medicamentos para tratar a SIDA, em vez de tentar diminuir o número de infecções de HIV?...

O Miguel parece andar a ler demasiada propaganda (neo)conservadora, descrente da e ideologicamente à capacidade de acção colectiva para criar um futuro melhor. Pode-se achar Liberal, e até defender políticas liberais, mas parece estar a cair numa visão "hobbesiana" da sociedade, onde todos procuram competir com todos procurando por todos os meios obter vantagem sobre os outros. Continue a deixar que lhe lavem a cabeça que daqui a alguns anos estará um bem doutrinado (neo)conservador.

"- Temos que nos preparar

André Escórcio ... on Quinta, 22/03/2007 - 15:32

"- Temos que nos preparar para anos mais quentes, mas, não é a primeira vez que tal acontece na história do planeta;"

Miguel, gostei do post. No entanto queria só chamar a atenção para este lapso cientifico:
De facto o planeta segue ciclos climáticos, temos uma era glaciar (chamada idade do gelo) e uma era interglaciar (como temperaturas mais elevadas).
Neste momento estamos numa era interglaciar e como tal deveríamos estar a caminhar para uma era glaciar. O que acontece na realidade é que o planeta em vez de estar a arrefecer está a aquecer saindo deste ciclo.
As consequências deste fenómeno obviamente só podem ser calculadas, sem nunca se ter certezas.

Um dos aspectos que não compreendi, também, neste texto é o facto de se colocar a hipótese de o Homem não ter culpa no aquecimento global. Será que existem novos dados (que eu desconheça), novos estudos científicos que contrariem todos aqueles que já foram feitos (não estou a falar de Al Gore, este não é um estudo cientifico).

Retrato de Miguel Duarte

Uma ajuda

Miguel Duarte on Quinta, 22/03/2007 - 16:12

Vê o gráfico abaixo que representa as temperaturas, níveis de carbo e de poeiras ao longo dos últimos 400.000 anos na Antártica:

E lê este artigo, que penso deve ter o patrocínio dos conservadores americanos, mas que de uma forma que me parece sólida, nega inclusivamente a existência do aquecimento global (não negando, obviamente, um facto conhecido, que é a subida dos níveis de carbono).

Retrato de Miguel Duarte

Estudos & estudos

Miguel Duarte on Quinta, 22/03/2007 - 16:05

Não tenho nenhum estudo em concreto para te dar (tenho a certeza que se procurasse na web encontrava), mas aquilo que tenho lido é que existe sempre quem contraponha um estudo que nega tudo feito até ao momento.

Basta ires aos EUA e ler os estudos patrocionados pelo Bush e pela indústria petrolífera nos últimos anos. Podes dizer que estão distorcidos, o que eu acredito, mas o problema é que também muitos dos estudos que apontam no sentido inverso têm também as suas distorções.

Quanto a tudo o resto, a realidade é que nós não conhecemos com exactidão o noss planeta e, o próprio Homem faz parte do ecossistema do planeta. Somos é talvez uma praga que ficou descontrolada e que como todas as pragas consome todos os recursos disponíveis, até já não os ter e diminuir radicalmente de número, estabelecendo-se novamente o equilíbrio. No fundo esse é o maior problema, existem pessoas a mais no planeta face aos recursos disponíveis. Não existe ecossistema no planeta onde a nossa presença não se faça sentir de uma forma ou outra.

"Não tenho nenhum estudo em

pedro viana (não verificado) on Quinta, 22/03/2007 - 18:41

"Não tenho nenhum estudo em concreto para te dar (tenho a certeza que se procurasse na web encontrava), mas aquilo que tenho lido é que existe sempre quem contraponha um estudo que nega tudo feito até ao momento."

Astrónomos. Astrólogos. Médicos. Videntes. Físicos. Endireitas. Químicos. Alquimistas. Biólogos. Padres. Todos têm a mesma credibilidade. Todos contrapoem "estudos" que negam o que os outros afirmam. Quem terá razão?...

"Basta ires aos EUA e ler os estudos patrocionados pelo Bush e pela indústria petrolífera nos últimos anos. (...) o problema é que também muitos dos estudos que apontam no sentido inverso têm também as suas distorções."

Que distorções?!...

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação