A nossa legislação consagra a obrigatoriedade de emisão de fatura (ou, equivalentemente, "venda a dinheiro") por cada pagamento que se recebe. As faturas são obrigatórias para que o Estado possa contabilizar o PIB e cobrar a cada um impostos de forma justa.
Tudo bem, mas a emissão de faturas é um tremendo desperdício. Para o constatar, nada melhor do que ir a uma repartição de finanças e pedir uma certidão de teor de um qualquer imóvel do qual se seja proprietário. Como tudo está informatizado, o funcionário fornece-nos a certidão em menos de dois minutos (basta procurar o documento no computador e mandá-lo imprimir). Mais um minuto é gasto a efetuar o pagamento. Depois, o funcionário gasta mais três minutos a produzir e emitir a fatura (é complicado, tem que escrever na máquina o nosso nome, morada e número de contribuinte).
Ou seja, a produtividade do funcionário da repartição de finanças desce para metade por causa da necessidade de emitir fatura. Metade do tempo que o funcionário gasta com o serviço que nos presta, é gasto a emitir a fatura. Se o funcionário não fosse obrigado a emiti-la, poderia atender duas vezes mais cidadãos (com pedidos deste nível de simplicidade, claro).
O mesmo, ou pior, se passa numa Câmara Municipal, à qual um cidadão se dirige para, por exemplo, pedir fotocópia da planta de um imóvel do qual seja proprietário. Como as plantas se encontram hoje em boa parte digitalizadas, o funcionário camarário rapidamente encontra a planta no computador e a imprime. O serviço demora três ou quatro minutos, não mais. A emissão da fatura demora cinco.
É perfeitamente ridículo obrigar à emissão de fatura. Isso só faz diminuir a produtividade. Felizmente boa parte dos privados não cai na estupidez de andar a perder tempo dessa forma, nem se pode dar a esse luxo. Mas nos serviços do Estado, boa parte do tempo é gasto a emitir faturas... que são deitadas ao lixo por quem as recebe na primeira oportunidade.














Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?
Deixar uma resposta