Não deixa de ser curioso ver os comunistas (os do PCP e os do BE), os dignos representantes da ideologia mais torcionária, mais assassina e mais traiçoeira que houve no século 20, a mostrarem-se tão escandalizados com um parzinho de chifres bem portugueses que lhes foram mostrados numa assembleia parlamentar daquela democracia burguesa que eles sempre tanto desprezaram.
O episódio de ontem não passou de um fait divers não muito diferente de muitos outros que têm sido ao longo dos anos protagonizados pelo presidente do Governo Regional da Madeira, sem que deles tenha resultado qualquer prejuízo nem para ele nem para a ilha. E vem na linha de uma longa tradição nacional, com sólidas raízes até, pelo menos, à Primeira República. Lembrei-me por exemplo do seguinte episódio, que se passou no parlamento algures nessa época:
Havia um ministro das finanças chamado, salvo erro, Correia de Carvalho. A certa altura estava ele a discursar no parlamento e um deputado da oposição começou a, malcriadamente, mandar umas bocas bem audíveis. O ministro às tantas, farto das provocações, finge ter uma comichão na orelha e dobra o braço esquerdo para cima, para coçar a orelha, ao mesmo tempo que coloca a mão direita sobre o antebraço esquerdo, fazendo portanto um manguito. O deputado malcriado lança-lhe: "O senhor ministro parece estar incomodado!", ao que o ministo retorque: "Pois é, senhor deputado, o que é que o senhor deputado quer, estou com uma comichão aqui...", e volta a fazer o manguito para coçar a orelha. E o deputado em resposta vocifera: "O que é que eu quero, senhor ministro? O que eu quero é que você seja mais ministro das finanças e menos Correia do Caralho!!!".
Está transcrito nas atas do Parlamento da Primeira República. Este episódio e muitos outros igualmente edificantes e genuinamente portugueses, que nessa época se passaram.














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