Retrato de Igor Caldeira

Ano após ano, tenho dificuldade em chegar a Agosto sem um sentimento de injustiça tremendo, relacionado com as portagens na Ponte 25 de Abril. Durante onze meses a fio, os habitantes da margem sul do Tejo são forçados a pagar uma taxa para irem trabalhar a Lisboa. Não é que me incomode a taxa em si - ela é defensável sob pelo menos duas perspetivas, ambas válidas. Refiro-me ao princípio do utilizador-pagador e à limitação à entrada de veículos na cidade. Nada contra.

Ética, económica e ambientalmente indefensável é a borla que se continua a dar no mês de Agosto. Se durante onze meses colocamos uma taxa sobre o trabalho dos habitantes da margem sul, por que motivo se concede uma borla ao lazer dos habitantes da margem norte? Não quero avançar com moralismos idiotas - o trabalho é importante, o lazer também. Mas ao passo que o trabalho é obrigatório, o lazer não. Isto tem uma implicação imediata que é a de sermos forçados a reconhecer que o estatuto de um e de outro não são iguais. Não precisamos contudo de dar nenhum tipo de privilégio a quem trabalha nem prejudicar quem busca umas horas de sol. Basta não atribuírmos a quem trabalha o ónus de pagar o lazer alheio.

Numa perspectiva económica, é indefensável que os veraneantes que vão para as praias da Caparica não paguem o seu serviço (utilização da ponte) como pagam o seu serviço (relembro, utilização da ponte) os trabalhadores que vão para Lisboa.
Numa perspectiva ambiental, é igualmente indefensável que não se tente limitar a utilização excessiva do automóvel - fonte de distúrbios no trânsito e na vida das populações da península de Setúbal, tal como o é para a população da cidade de Lisboa no resto do ano - nem se promova os transportes públicos por parte de quem vai de Lisboa para o sul.
Não há nada, nenhum argumento racionalmente aceitável que justifique esta situação. A única coisa que existe é conformismo com uma benesse salazarenta e, possivelmente, alguma cobardia política.
A solução? Faça-se uma estimativa a partir das receitas médias anuais das portagens da ponte 25 de Abril e do tráfego registado no mês de Agosto. Diminua-se o valor da portagem na medida em que aumentem as receitas relativas ao mês em causa. É simples, é justo e creio que ninguém de bom senso poderá opôr-se.

Caos

Pedro Pinheiro (não verificado) on Quarta, 08/08/2007 - 23:31

Eu apesar de concordar com o que estão a dizer, sempre achei que a política de a travessia da ponte ser grátis em Agosto servia para impedir filas de trânsito caóticas ao fim do dia no retorno dos Lisboetas da praia, e que não teria nenhuma razão além dessa, simplesmente de apesar de Agosto não ser o mês oficial de férias, acaba por ser o mês quando possivelmente mais pessoas de Lisboa vão às praias da margem sul.
O que eu não compreendo é porque não há mais pessoas com Via Verde, pelo preço que tem, devia ser quase obrigatório face às vantagens ambientais que produz - já viram se 95% dos carros tivessem Via Verde, e as duas faixas da esquerda da ponte fossem reservadas para utentes da mesma? Poupar-se-iam consideráveis emissões diárias de carros no "pára/arranca". Se os carros são obrigados a ter matrícula, porque não passarem a ser obrigados a ter Via Verde?

Eu não quero ter via verde

Hugo Garcia on Quinta, 09/08/2007 - 09:08

Eu não quero ter via verde e por três razões.

a primeira é que a brisa aproveitando a sua posição de monopolista teve algumas atitudes para comigo que eu considero inaceitáveis. Desloquei-me até à Brisa para ir pagar uma dívida que tinha (5 euros) e duas senhoras extremamente mal formadas começarem a disparar comentários como "não tenho peninha nenhuma" e "isto agora vai para tribunal para lhe obrigarmos a pagar 5 vezes mais".
Ainda estou à espera da notificação do tribunal.

A segunda é que não sendo eu beneficiado por uma melhor gestão da brisa prefiro que eles sejam obrigados a dar mais uns empregos (naturalmente que esta numa perspectiva macro não fazia sentido)

A terceira razão é que através dos pagamentos temos uma maior sensação dos gastos.

Claro que estas questões não são impeditivas para essa obrigação, mas não podemos permitir que a via verde seja obrigatória.
É necessário ter em consideração que a Brisa é um privado e não se podem obrigar os cidadãos a aderir a um serviço de pagamento de um privado que ainda por cima obriga-nos a dar um conjunto de informações privadas.

É obrigatório que os carros tenham matrícula da mesma forma que nós somos obrigados a ter BI, mas é inaceitável que os carros sejam obrigados a ter via verde da mesma forma que não pode ser obrigatório que tenhamos todos visa ou multibanco de uma certa empresa.

De qualquer forma, quem quiser ter via verde tem, quem não quiser não tem.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Concordo

Filipe Melo Sousa on Terça, 07/08/2007 - 13:38

Nem é correcto fazer juízos de valor sobre o propósito que a pessoa tem ao atravessar a ponte. A ponte serve para ser usufruída, simplesmente. Tudo o resto são considerações de âmbito pessoal. Quem atravessar paga o custo de utilização.

Retrato de Luís Lavoura

Mais

Luís Lavoura on Segunda, 06/08/2007 - 17:39

Além de distinguir entre os de Almada que trabalham em Lisboa e os de Lisboa que fazem praia na Caparica, as augustas borlas também distinguem, injustamente, entre aqueles que trabalham ou fazem férias em Agosto e aqueles que trabalham ou fazem férias noutra altura.

Não faz sentido que um lisboeta que tira férias em Julho pague para ir à Caparica, se decide tirar férias em Agosto já não paga.

Da mesma forma, um almadense que decida tirar férias em Julho é beneficiado em relação àquele que decida tirar férias em Agosto.

Não há razão para que o mês de Agosto seja tratado como um mês "oficial" de férias.

Luís Lavoura

Retrato de Igor Caldeira

Eu estava a pensar lançar

Igor Caldeira on Segunda, 06/08/2007 - 15:17

Eu estava a pensar lançar uma petição online por mim próprio. Se o MLS preferisse fazer um comunicado, prescindia de bom grado. :-)

Retrato de Luís Lavoura

Fá-lo

Luís Lavoura on Segunda, 06/08/2007 - 16:45

Se queres que o MLS faça um comunicado, escreve-o TU, e depois apresenta-o à direção do MLS para aprovação.

Não estejas à espera que outros se mexam por ti!

Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

Excelente post

Luís Lavoura on Segunda, 06/08/2007 - 12:29

O MLS podia fazer um comunicado sobre isto.

Luís Lavoura

concordo

Hugo Garcia on Domingo, 05/08/2007 - 11:03

concordo

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