Há dias, ouvi mais uma vez pessoas a queixarem-se da emigração que sai de Portugal. Mas desta vez quem se queixava eram pessoas com uma capacidade intelectual superior à média, que deveriam saber pensar melhor.
A emigração é positiva para todas as partes nela intervenientes. É (em geral - há exceções) positiva para o emigrante, que enriquece ou, pelo menos, evita empobrecer. É positiva para o país que recebe o emigrante, que supre as suas necessidades de mão-de-obra e faz o seu PIB crescer. E é positiva também para o país de onde o emigrante parte. Esta última asserção é que é geralmente mal compreendida.
O emigrante que parte fá-lo porque as suas qualificações se manifestam desnecessárias no país de onde parte. Se essas qualificações são - aqui e agora - desnecessárias, então, mesmo que essas qualificações sejam elevadas, não há inconveniente em que ele se vá embora. Deveríamos, de facto, refletir em porque insistimos em gastar dinheiro a fornecer educação a pessoas quando o mercado de trabalho não consegue aproveitar as qualificações profissionais assim adquiridas.
O emigrante retira pressão sobre recursos escassos no país. É menos uma boca a alimentar cá, é menos procura por produtos importados.
O emigrante, ao partir, contribui para diminuir um excedente de mão-de-obra que há no país. A prazo, isso contribui para que haja uma escassez de mão-de-obra, que estimulará o aumento da eficiência na utilização do trabalho, a mecanização, e o aumento dos salários. Raramente há progresso económico em países onde a mão-de-obra é superlativamente abundante.
Evidentemente, é mais positivo ainda para o país de origem da emigração quando os emigrantes remetem as suas poupanças no estrangeiro de volta para o país. Muitos emigrantes portugueses hoje em dia já não o fazem. Mas, mesmo não o fazendo, a sua emigração é positiva para Portugal, porque retira pressão sobre recursos escassos e tende a fazer aumentar os salários cá.
Como foi apontado por John Kenneth Galbraith já há dezenas de anos, no seu livro A sociedade da pobreza, há poucos remédios tão infalíveis para a pobreza de um país como permitir que os seus habitantes emigrem em grande número para países mais ricos. A emigração é uma solução para a pobreza que a história demonstra funcionar sempre.