O blogue de André Escórcio Soares

Segundo noticia do portal Sapo, "alguém" estará a pagar, através de uma agência de trabalho temporário, a pessoas entre os 18 e 50 anos para irem para as ruas do Porto manifestar apoio ao Papa no dia 14 de Maio. Segundo adianta o site, a " acção de apoio ao Papa no Porto procura minimizar os efeitos de possíveis manifestações "anti-Papa" durante a missa de Bento XVI na Avenida dos Aliados".

Fico confuso com estes acontecimentos. Então não era tão consensual e tão importante para os Portugueses a vinda do Papa? O governo até distribuiu umas tolerâncias de ponto...

Mais uma noticia do país Faz de Conta, desta vez faz de conta que todo o povo português recebe o líder católico de braços abertos, dando pulos de alegria pelas pontes concedidas pelo governo. 

Quem me conhece sabe que, apesar de um agnóstico convicto, não sou pessoa de falar mal de nenhuma religião gratuitamente nem tão pouco me considero contra a existência de religiões. Nesse sentido, o presente texto não pretende ser um ataque à religião, mas antes pelo contrário, um grito de revolta devido à discriminação religiosa que os governos do nosso país insistem em praticar.

 

Segundo a imprensa online portuguesa (ex. Iol Diário, Jornal de Noticias e RTP) o Governo português deu tolerância de ponto a todos os funcionários públicos no dia 13 de Maio (visita do Papa Ratzinger) e ainda a tarde de dia 11 de Maio aos Lisboetas e a manhã de dia 14 de Maio aos Portuenses. Nem sei como iniciar o comentário a estas noticias, se pela discriminação regional, se pela discriminação religiosa ou se pelo simples facto de que um país não deve parar para a visita de um líder religioso. 

 

Começando, então, pela discriminação religiosa, em 2007, tal como em 2001, a visita do líder religioso budista e prémio nobel da paz (noticia da visita)  não deu, naturalmente, direito a tolerância de ponte. Mais, na ocasião desta visita o próprio primeiro ministro recusou uma audiência ao Nobel da paz. Já em 2010, a visita do líder católico dá direito a paragem da função pública. Qual o critério? 

 

Como se não bastasse a discriminação religiosa, o governo escolheu também o caminho da discriminação regional. Por que razão os trabalhadores do Porto e de Lisboa têm direito a um dia e meio de tolerância de ponto e os do resto do país só têm direito a um dia? Até consigo perceber (fora o facto de discordar totalmente com esta tolerância) o porquê no dia 11 ser dada a tarde aos lisboetas e a manhã de 14 aos portuenses, simplesmente  o papa está em Lisboa na  tarde de 11 e no Porto na manhã de 14, no entanto no dia 13 está em Fátima, porque não dar o dia 14 apenas às pessoas que trabalham em Fátima?

 

Por fim, a discriminação dos não religiosos. As pessoas não religiosas são discriminadas em todo este processo, como de resto já são na "marcação" dos feriados. Para umas pessoas pode ser tão importante um jogo de futebol do Benfica como para os religiosos a vinda do Papa a Portugal. Para outras pessoas, pode ser tão importante a presença de uma banda rock internacional como a presença do Papa. Porque é que no caso dos religiosos (apenas católicos como já foi referido) a presença do Papa dá direito a tolerância de ponto e no caso da presença de uma banda rock tal não acontece?

 

Em suma, onde está a laicidade do estado?

No dia em que se celebram os 20 anos da queda do Muro de Berlim, deixo-vos aqui um magnifico vídeo ao som dos U2.

E tal como tinha prometido, o presidente Polaco ratificou esta manhã o Tratado de Lisboa.
O futuro começou... Agora resta ter esperança no bom senso do presidente checo.

Tal como se esperava o PS ganhou as eleições de ontem, tal como se esperava o PS não conseguiu a maioria absoluta.

Esta é uma grande vitória para o PS, é bastante difícil um partido reformador ser reeleito e muito mais num país como Portugal em que impera o poder dos interesses instalados.

No entanto as legislativas de 2009 não acabam sabendo-se os resultados, falta agora formar governo e a meu ver existem três hipóteses possíveis:

Coligação PS/CDS- Esta tem sido aquela coligação avançada como desejável e possível, por parte de vários membros do MLS (eu incluído), a qual poderá no entanto trazer algumas dores de cabeça a José Sócrates. Caso o PS faça uma coligação com o CDS, uma das principais bandeira da campanha socialista cai por terra, o casamento entre pessoas dos mesmo sexo.

Coligação PS/PSD- Parece-me que este é o cenário menos provável, no entanto a verificar-se apenas deverá decorrer da demissão de Manuela Ferreira Leite. No entanto estas eleições serviram para uma clara diferenciação entre o PSD, que se assume claramente como um partido conservador, e o PS que assume o espaço social democrata com uns pequeníssimos tiques liberais.

Governo PS com alianças ocasionais- Este será, talvez, o cenário mais provável. Por exemplo em matéria de orçamento de estado o PS deverá contar com o apoio do PSD (naturalmente após negociação). Tendo a esquerda uma maioria no parlamento facilmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo passará a ser uma realidade neste cenário. A esquerda (PCP e BE) pode ainda apoiar algumas propostas do PS em matéria de politica social.

Seja qual for o cenário, parece-me que estes resultados reforçam a democracia.
Os próximos tempos serão também de extrema importância para os liberais sociais portugueses que encontram nestes resultados uma oportunidade para satisfazer algumas das suas reivindicações.

Normalmente não costumo misturar as minhas reflexões profissionais (académicas) com as minhas reflexões politicas, no entanto cada vez tem sido mais difícil encontrar uma fronteira. Este é o meu primeiro texto em que misturo questões técnicas da minha área de especialização (Psicologia das Organizações/Comportamento Organizacional/Gestão de Recursos Humanos) com questões de cariz mais politico.

Nenhum especialista de comportamento organizacional nega a influência do contexto politico na vida das organizações, sendo este encarado com um dos sistemas intimamente ligado ao sistema organizacional. Apesar disso são poucos aqueles que estudam o impacto das politicas nacionais nas politicas de gestão de recursos humanos (GRH).

Uma das premissas existentes na GRH é de que a organização deve não só atrair os melhores colaboradores como também fazer tudo para os reter. No entanto, esta premissa não funciona (na prática) em Portugal. No nosso país existem duas forças contrárias, uma exercida pela gestão de recursos humanos que defende, e muito bem, que os activos humanos mais valiosos devem ser retidos a todo o custo e uma outra constituída pela legislação laboral que implica que se uma empresa aposta demasiado tempo num colaborador arrisca-se a ter com ele um vínculo permanente não voluntário (automaticamente através da aplicação da lei e não por iniciativa de uma das partes). Qual o resultado destas forças? A gestão prefere não arriscar e despedir antes de o colaborador se tornar efectivo. Esta supremacia da força da lei em relação à adopção de politicas de recursos humanos mais eficazes faz com que exista uma baixa produtividade nacional, uma vez que as organizações não conseguem maximizar a produção através da gestão do capital humano.

Este é um dos problemas com que se debatem os gestores de recursos humanos portugueses que se vêm muitas vezes impedidos de adoptar as melhores práticas de gestão de activos humanos por força da lei.

Aproximam-se as eleições legislativas e como tal inicio a minha season política com um texto acerca deste evento nacional.
Apesar de ter estado de férias tenho vindo a seguir a vida política do país e é com alguma surpresa que tenho vindo a constatar que alguns partidos estão a assumir claramente o lugar a que pertencem. Claro que isto para mim não significa nada de mais uma vez que se comprova aquilo que já sabia, estas eleições voto em branco.

Dando uma vista de olhos pelos programas (ou pequenas amostras de programas) e pelas declarações dos líderes partidários surge como principal mudança o afastamento do PSD em relação ao PS. Por outro lado o PP e o PSD estão cada vez mais próximos o que até agora só se reflectia nas eleições europeias. Apresento de seguida a forma como vejo os partidos que concorrem a estas eleições:

PS – Assume-se claramente (não conscientemente) como o partido social-democrata português, defende algumas liberdades civis (ex. casamento entre pessoas do mesmo sexo). No entanto, a grande ênfase programática do PS é colocada no investimento público directo através de grandes projectos (TGV, Aeroporto e plano rodoviário).

PSD e PP – Como já referi PSD e PP assumem-se claramente como os partidos conservadores portugueses, ultra conservadores ao nível social sob o desígnio dos valores tradicionais da família. Por outro lado, estes partidos defendem a suspensão dos grandes projectos de investimento e colocam a ênfase nos benefícios fiscais para as PME.

BE e PCP – Acerca do BE e do PCP não existe muito a dizer, de resto defendem aquilo que sempre defenderam: nacionalizações, um estado paternalista e a luta pela liberdades civis (ex. direitos dos homossexuais, eutanásia).Tal como na Europa, em que estes partidos fazem parte da mesma família (esquerda unitária), também em Portugal apenas se notam pequenas diferenças entre eles.

MPT/PH – O MPT continua desesperadamente à procura de coligações para aumentar o número de votos com vista a alcançar as subvenções do estado. Por seu lado p PH continua igual a si próprio. No entanto, não tenho grandes dados para analisar onde se situa esta coligação no panorama político. Uma coisa é certa, parece-me que os valores tradicionalistas continuam lá todos.

MEP – O MEP, até pelo passado dos seus dirigentes, parece-me um partido um tanto ou quanto conservador no que diz respeito às liberdades civis. Distingue-se do PSD e do PP por estar um pouco mais à esquerda, no entanto facilmente os encontraríamos integrado na mesma família que os conservadores PSD e PP.

MMS – O MMS continua à procura do seu espaço, pelo que tenho visto diria que é um partido próximo do PSD em termos económicos e fiscais mas um pouco mais liberal que este em termos civis. Ainda é complicado avaliar este partido assim como o MEP uma vez que são partidos muito recentes.

Para os Liberais Sociais continua a ser muito complicado fazer uma escolha, se queremos um partido pro europeísta escolhemos claramente o PS, por outro lado se queremos aliviar um pouco o peso do estado na economia parece que o PSD é a escolha acertada, por fim se o que nos move são as liberdades civis típicas (ex. eutanásia, despenalização das drogas leves, direitos dos LGBT) então aí o nosso voto deverá orientar-se para o BE ou o PCP. Precisamos urgentemente de um partido Liberal Social.

Se bem se lembram o meu último texto neste blog foi no dia 21 de Abril. Decidi na altura deixar de aqui escrever (ainda que sem aviso) por discordar com a "linha editorial" que se ia instalando. No entanto, registaram-se algumas alterações, com especial destaque para a equipa, a qual é hoje um poço de talento e de ideias revigorantes (e liberais sociais).

Após um desafio lançado por algumas pessoas, decidi voltar a partilhar este espaço com estes excelentes bloggers.

Utilizarei este espaço para escrever essencialmente sobre politica nacional e europeia, quanto à politica autárquica deixarei para o meu blog pessoal: Pássaros Sem Nariz .

Prometo um outro texto durante os próximos tempos e um regresso em força depois do verão.

No passado domingo dia 19 de Abril de 2009, o MLS fez um comunicado de imprensa a denunciar o facto de os partidos políticos portugueses estarem a concorrer às eleições europeias de uma forma "mentirosa".

Isto acontece uma vez que é "sempre omitido qual o grupo parlamentar europeu em que cada partido se irá incluir". É igualmente omitido o facto de Portugal não ter representantes no terceiro maior grupo no parlamento europeu, a ALDE. Este aspecto contribui para a desinformação da população e promove o desinteresse da população em relação à politica europeia.

Esta prática de afastamento dos cidadãos é má, no entanto é bem pior o facto de a comunicação social ser o principal veículo de desinformação que leva a este afastamento.

Com efeito, e após uma pesquisa no Google, verifiquei que não houve um único órgão de comunicação que tenha divulgado a denuncia do MLS, no entanto encontram-se notícias muito mais importantes para o país e para o mundo como aquela que podemos encontrar no Publico em relação ao facto de alguém querer "comprar a virgindade" de Susan Boyle: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375635&idCanal=61 .

"Dear Mr. Nyrup Rasmussen, dear European Socialists,

Thank you for your letter.

You are surprised about our commitment to the Single Market. You should not be.
Liberals believe that Europeans benefit from the Single Market. It gives European
consumers more choice and better products. It gives European companies opportunities
to grow and create jobs.

Do you believe that Denmark would be better off without the opportunities it offers?
Would Danish consumers want to live without French cheese, Italian shoes, German
technology or Finnish phones? Do you believe Danish companies would want to stop
exporting their goods to the rest of Europe, thus risking their employees' jobs?

The Single Market is not an end in itself for Liberals, but rather serves as the
most efficient means to meet the citizens' demands.

We believe in a universal service obligation and we are proud of our commitment to
open postal services. Do you really want to go back to a world of postal monopolies?
Don't you remember the queues? Competition forces monopolies to give better service
to their users, creates more choice and lower prices and benefits society in general
by "increasing the overall cake" to be shared amongst all. Did state monopolies ever
deliver better outcomes to consumers?

Public health care systems all over the EU have shown to be falling short of
patients' demands. Socialists regard patients as recipients; Liberals regard
patients as consumers who demand the best possible service. Patients want choice,
and competition will lead to better health coverage for all Europeans. 12 years of
Socialist government in the UK did not help to remedy the failures of the British
National Health Service. Aren't the months-long waiting lists for a surgery the best
arguments to open up borders for treatment?

Successful cross border projects such as the Thalys or the Eurostar project have
served the European consumers while German state-owned railway services become
constantly more expensive. If you compare the market services with state services
you will easily find out that the forces of markets satisfy the demands of citizens
much better and create growth, jobs and opportunities. States can guarantee rules
but do not create wealth and jobs.

The Manifesto of European Liberal Democrats leaves no room for doubt that we remain
committed to the prosperity and well being of European citizens.

A few weeks ago, you questioned our liberal commitment to equal opportunities.
Actions speak louder than words!

The ELDR President is a woman. What about the PES President? The ELDR Secretary
General is a woman. What about the PES Secretary General? 5 out of 7 ELDR Vice
Presidents are women. How many women serve in the PES board? 42% of Liberal MEPs are
women and they hold positions of real power within our Parliamentary Group. What
about your Parliamentary Group?

You find female heads of lists for the European elections in liberal parties in
Sweden, Denmark, the Netherlands, Germany, Estonia, Austria and England while
Socialists seem to remain committed to patriarchal party structures.

So does the voting record of Socialists in the European Parliament. Only a few weeks
ago the Socialist Group voted against or abstained when the European Parliament
voted in favor of a Tibetan-Chinese dialogue. Why?

The Socialists group didn't back the Parliament's report on a new EU-Russia
cooperation agreement to raise the Human Rights situation in Russia. Why?

Is it maybe because the patterns of alliances of old-time communism matter more to
Socialists than the universal achievements of civil liberties?

While Socialists live off fear, uncertainty and insecurity, Liberals live off hope,
trust and optimism. Others worry, we provide the answers. "