O blogue de Filipe Brás Almeida

Hoje de manhã ao passar pelos jornais online, deparei com isto:

Já foi retirada a foto, mas estava inicialmente neste artigo.

Em resposta a uma sugestão que li mais abaixo, de que o PSD é o melhor lugar para os liberais sociais, tenho o seguinte a dizer.

Os Liberais Sociais andam aí, e alguns mesmo sabendo que o são (outros sem o saber ou reconhecer) até poderão ter optado por ingressar noutros partidos remando contra as correntes que as dominam. Acho que isto é bom, mas infelizmente a curto prazo será infrutífero. Não os censuro de qualquer modo. Qual de nós é que já não pensou seriamente em fazer o mesmo? Termino mesmo este parágrafo a dizer que não serei mesmo capaz de garantir que não me inscrevo já amanhã noutro partido.

Mas vamos ao PS. Para já acho que o Liberalismo Social diverge, a meu ver, irreconciliavelmente com a veia centrista do PS que «aceita o mercado» de uma forma hesitante, criando no discurso e na prática uma falsa exclusividade entre mercado e justiça social, que por sua vez abre alas para os dinossauros esquerdistas do partido. Vemos um PS que «meteu o socialismo na gaveta» a ter de explicar a tudo e todos porque teve de o fazer, sem dar sinais convincentes de perceber porque é que em primeiro lugar, o deve fazer.

Mas ao contrário do PSD, o PS à semelhança dos partidos da internacional socialista, ainda tem a vantagem de possuir um ponto ideológico de referência, quanto mais não seja para afirmar aquilo que já não é, pelo menos maioritariamente: um partido socialista clássico, social-democrata pré 3ª via, ou «Old Labour».

Um Liberal Social ao mover-se para um PS, mesmo que a uniformidade política do conjunto fosse inviável por razões já citadas, poderia pelo menos encontrar um certo espaço de encontro, (A sobreposição documentada em conjunto pelo Dirk Verhofstadt e o Anthony Giddens) embora muito pouco ou ainda dogmaticamente hostil a certas ideias, com uma corrente socialista que tem estado a deslocar-se no sentido oposto.

Enquanto que no PSD não se vislumbra qualquer ponto do encontro minimamente coerente ou útil, do ponto de vista do centro liberal.

Ideologicamente o PSD carece actualmente de definição e jamais poderá alguma vez servir como um veículo transportador de ideologia alguma. Isto porque o PSD é apenas um receptáculo de figuras nacionais e figurinhas regionais. É importante notar que as clivagens internas do PSD baseiam-se não em termos de visões políticas mas sim em termos estéticos e superficiais ou então em termos de bajulação de uma determinada figura: Ouvimos falar em populistas, conservadores, Cavaquistas, Santanistas, Barrosistas e por aí a cabo. Acho que é uma característica particularmente reveladora do que está realmente na base do partido.

Existe possivelmente uma facção interna empresarial e jovem com algum interesse, mas por perceberem pouco de política e muito do que fazem na vida privada, externalizam mais uma imagem de lobby do que uma de alternativa legítima ao resto do partido.

Quanto a mim, o PSD longe de ser o melhor lugar para os liberais sociais, é um exemplo soberbo de uma inutilidade perigosa. Um partido que não renova o seu programa há 15 anos numa democracia normal, é um partido político que pura e simplesmente não existe.

Sobre a controvérsia da nova lei do tabaco, há um aspecto importante que dela ressalta que eu acho extremamente positivo. É mesmo a principal razão que sou a favor da nova lei, embora com algumas reservas.

A lei inverte uma norma social estabelecida que atentava contra a liberdade do indivíduo. Até aqui se o não fumador quisesse respirar ar livre de toxinas, ele tinha de pedir aos fumadores na área circundante para apagar o cigarro, correndo o risco de ser facilmente desprezado. Agora com esta lei, acontece o contrário e o fumador é quem tem de pedir autorização aos não fumadores para fumar. Isto transcende a questão da não obrigatoriedade do não fumador partilhar o mesmo espaço que um fumador, e tem diversas consequências positivas na consciencialização de quem prejudica terceiros, muitas vezes sem se aperceber. Neste caso o fumador.

Apesar de tudo é uma lei muito menos restritiva do que a existente em Nova Iorque, ou Toronto por exemplo. Em nenhum dos casos cabe a acusação de serem cidadãos com aversão à liberdade.

De qualquer forma é claro que é possível ter um debate inteligente e esclarecedor sobre este tema contando com diversos pontos de vista, uns menos contraditórios do que outros. Agora comparar a lei às maquinações do Nazismo como já vi feito, só demonstra da parte de quem o faz, que não sabe o que foi o Nazismo nem tão pouco está a pesar honestamente o efeito desta lei.

Mas como não escrevi, apenas o posso citar e comentar.

O que o que escrevi sobre o que tem escrito o André Azevedo Alves não foi motivado por “um” post dele recente, mas sim por um acumular de escritos na blogosfera que primam pelo saudosismo, conservadorismo moral e libertarianismo económico - um estado ausente que seja um menor impedimento ao “programa moral” da instituição que inspira o André. Nem a “direita sociológica” de que fala (e que ninguém lhe desdenhe a autoridade) Jaime Nogueira Pinto será tão extremista e conservadora como esta.

(...)

Eu não digo que o André Azevedo Alves me dá vómitos - isso seria, obviamente, gratuito e inaceitável. Os fortes qualificativos que usei resultam de um conjunto de ideias suas que, na minha opinião, o tornam merecedor desses atributos. Posso estar a ser exagerado ou injusto, mas o facto é que não vi isso abordado, de forma explícita, em críticas que fui lendo por aí. A ambiguidade em relação ao PNR, as tiradas boçais em relação a Pinochet, Salazar ou McCarthy, a crueldade e insensibilidade perante o sofrimento alheio (os incontáveis post dele sobre os palestinianos são exemplo disto, como seria a série anti-LGBT), os links “anódinos” sobre a ciência que talvez “mostre” que os pretos são menos inteligentes, não são “meras excentricidades” ou elementos acessórios em relação a uma posição de direita respeitável, séria, educada, bem fundamentada, coerente e intelectualmente “brilhante” que o André Azevedo Alves supostamente representa.

Do Tiago Mendes.

e por aí fora... leiam o resto.

Dou os meus sinceros parabéns ao Tiago Mendes pela razia quase «Voltaireiano» que aplicou a André Azevedo Alves no post que linkei em cima reduzindo-o ao infinitésimo.

Não censuro o Tiago Mendes nesta polémica, alias até acrescento positivamente que a minha reacção pessoal a tudo que o André Azevedo Alves escreve, pensa e acredita, é de demarcação total e absoluta. Isto incluí também a demarcação em termos de linguagem.

Não tenho qualquer ilusão ao afirmar que um projecto liberal para Portugal continuará a ser inviável enquanto ela se fizer representar por uma trajectória milenarista ou como Tiago Mendes o descreve, missão de inspiração religiosa.

Tem sido muito prejudicial e direi mesmo que é de lamentar que haja quem assume posturas de liberal, enquanto entende a «liberdade» propriamente dita, como uma espécie de liberdade positiva, isto é, «és livre, mas apenas para viver de acordo com os costumes, superstições e tradições vigentes.

Esta ideia muito peculiar de «liberty» é alias bastante vulgar entre Republicanos, sobretudo os sulistas, dos Estados Unidos.

Ou porque é que eu acho que o governo do Sócrates poderá estar a chegar a um fim antecipado.

À luz das últimas sondagens reveladas após a eleição recente de um novo líder bicéfalo da oposição, que vai pelo nome de Menezes-Lopes, embora que tenham sido influenciadas pela cobertura mediática positiva que se concede sempre a uma nova figura que entra em cena, elas indicam mesmo assim uma redução de popularidade/intenções de voto do Sócrates e do PS respectivamente, que não deixam de ser alarmantes para as hostes socialistas.

Mais uma vez a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia demonstra que tem um efeito devastador sobre a popularidade do governo em funções, sabe-se lá porquê.

Mas há mais.

Praticamente a meio do mandato eleitoral e apesar do «espírito reformista» revelado nalgumas áreas, e dos objectivos traçados para o défice orçamental terem sido cumpridos com alguma folga, o governo continua sem projecto à vista para resolver os problemas endémicos nacionais: Desemprego elevado e economia letárgica para nomear alguns.

Como Liberais, temos como adquirido que boa parte da solução para o país passa por redefinir o papel do estado na vida de cada cidadão. Mais concretamente emagrecer um estado gordo há muito asfixiando a iniciativa privada do cidadão comum, quase sempre perversamente e com toda a ironia possível, prejudicando mais quem se pretendeu auxiliar, PME's, e jovens trabalhadores por conta de outrem.

O PS devido à família ideológica a que pertence, parte naturalmente para esta corrida sem ideias e sem o programa adequado. Antes de poder avançar para uma reforma desta natureza, teria de haver antes algum debate interno no partido nessa direcção, coisa que até ao momento não me parece que tenha ocorrido ou que venha a ocorrer. Mesmo que venha a ocorrer a prazo, tal não acontecerá sem provocar clivagens dentro do partido.

Aguarda-se para ver até que ponto, e com que celeridade, o governo de Sócrates estará disposto a avançar com algumas das ideias mais tímidas neste sentido, como a flexigurança.

Caso o actual governo não seja capaz de impulsionar rapidamente a actual situação de emprego e crescimento - que é de contornos dramáticos para milhares de portugueses - não serei eu a apostar na clemência do povo para com o PS. As coisas podem tornar-se feias para o Sócrates mais rapidamente do que se pensa, apesar da principal alternativa possuir pouca credibilidade e seriedade.

Um estudo global e comparativo sobre o aborto da WHO e Guttmacher Institute que será publicado na próxima sexta feira, confirma o que muitos dos 40% que votaram «Não» no referendo deste ano, não percebem ou simplesmente não querem perceber: «A comprehensive global study of abortion has concluded that abortion rates are similar in countries where it is legal and those where it is not, suggesting that outlawing the procedure does little to deter women seeking it

The wealth of information that comes out of the study provides some striking lessons, the researchers said. In Uganda, where abortion is illegal and sex education programs focus only on abstinence, the estimated abortion rate was 54 per 1,000 women in 2003, more than twice the rate in the United States, 21 per 1,000 in that year. The lowest rate, 12 per 1,000, was in Western Europe, with legal abortion and widely available contraception.

E conclui ainda que:

The data also suggested that the best way to reduce abortion rates was not to make abortion illegal but to make contraception more widely available, said Sharon Camp, chief executive of the Guttmacher Institute.

Ler [email protected]

São momentos como este em que não consigo abdicar de me sentir pateticamente orgulhoso de ser donde eu sou.

Em eleições gerais em Ontário no Canadá, o Partido Liberal de Ontário, arrecadou uma vitória esmagadora.

Os resultados falam por si:

Os Liberais obtiveram, 71 membros de parlamento num total possível de 107 e 42% do voto popular.

A cereja no bolo foi o líder do principal partido de oposição Conservadora, o John Tory (que por acaso é mesmo um Tory) ter sido derrotado no seu próprio círculo eleitoral.

@CTV.ca

«QUESTION [De um membro da plateia] To reformulate Kagan, perhaps America is Mars and Europe is Uranus. The real question for me is: Why is Europe relevant? Where can Europe be a help? If I go through your four articles, the last, your point about climate change, is still very much in question scientifically; but it's typical of the kind of thing that the European countries get themselves fascinated with. I've lived through the Club of Rome, when we had the "population bomb." Nowadays Europe is suffering a population bomb of depopulation; it is facing economic collapse over that depopulation; and yet it wants to tell America to get involved with the Kyoto Treaty and things like the International Criminal Court. Where can the Europeans do the heavy lifting on these four issues? America has assumed the lion's share of the burden. I'm not sure it's because we want it. I wonder if it's because Europe can't really do much about any of it. You know, the Far East became our largest trading partner back in 1978. It has only been accelerating since.»

TIMOTHY GARTON ASH: I think, if I may say so, you have just perfectly captured a dangerous American illusion. It is true that the United States, with its overwhelming military superiority, can win most wars on its own. That is true. But as we are seeing in Iraq, it cannot win the peace on its own. That's my first point.

Second point: if you were to address the causes of terrorism, why people become terrorists, then you have to address the conditions of the wider Middle East, of the Arab countries. Who is right next door? Where do they export to? Where do their people go to be educated? Where do their people emigrate to? Who can offer the prospect of economic improvement through making a trans-Mediterranean Free Trade Area? Europe, Europe, Europe. These are things you can only do with Europe.

You mentioned China and the shift of U.S. trade to the Far East. China is now Europe's largest trading partner. European trade with China grew 44 percent last year. Do not believe that you can simply structure an economic relationship with China, treating Europe as a marginal irrelevance. I mean I don't want to use the remaining time by going through the whole list of issues and demonstrating to you how vital Europe is for America to realize its own vital interests; but I do believe that what you have just said is a very, very dangerous illusion. And you know, it is our children who will be paying the price for that illusion.

@www.cceia.org

O Tiago Mendes toca num importantíssimo ponto nesta peça do diário económico, quando diz que «o reformista e moderado “liberalismo social” não pode ser confundido com o “socialismo liberal” de Sócrates.»

Vou saborear um pouco esta frase.

O liberalismo social é diferente da social-democracia moderna ou socialismo da terceira-via. Apesar disto ser óbvio em termos ideológicos e históricos, é importante que se diga isto na mesma, porque há quem acusa o MLS (quando não dizem que somos comunistas ou «jacobinos») de «pensar o Liberalismo Social» como se esta fosse o Socialismo em decomposição.

Abstractamente, apesar de serem duas coisas diferentes, é certo que existe e que pode existir sobreposição da mensagem política que ambos transmitem, nos seus objectivos e nas políticas concretas. No entanto, mesmo onde se cruzam, são duas situações completamente distintas, quando se chega a um determinado ponto ideológico sobre um determinado assunto, (como por exemplo a aceitação da economia de mercado) contrariado, de má vontade, por tentativa e erro ou necessidade, do que chegar ao mesmo ponto por convicção, por primeira opção e por vontade própria.

«O cepticismo racionalista dá lugar ao niilismo e, com ele, ao fanatismo.» - @Expresso.pt

Já que o cepticismo face a doutrinas, dogmas e autoridades, descamba em fanatismo niilista, para evitar tais males devemos ser todos uns carneirinhos crédulos e complacentes. Que atrevimento do ser humano em querer pensar por si próprio. Nope. We can't have that.