O blogue de Igor Caldeira

Retrato de Igor Caldeira

http://dn.sapo.pt/bolsa/emprego/interior.aspx?content_id=1634265

 

Este dado parece apontar para que vivamos uma situação contrária à normalmente ouvida (a de que temos contratos de ttrabalho demasiado rígidos). No entanto, a questão completamente a inversa. 

 

Como o contrato de trabalho "normal" é demasiado rígido, criaram-se sistemas paralelos. Ninguém quer contratar um trabalhadpr através dos contratos que deveriam ser a regra. 
Assim, o que temos é rigidez absoluta para quem já tem o posto assegurado; insegurança absoluta para quem não tem. 

É exactamente o contrário da flexigurança, ou flexisegurança (?). Chamar-lhe-ia Insegrigidez ou Riginsegurança. A alternativa, a flexigurança, seria estabelecer contratos em que o vínculo laboral fosse mais ténue, mas em que em contrapartida as compensações monetárias fossem mais elevadas, "normalizando-se" assim a instabilidade laboral. Como está claro, esta solução é demasiado lógica para agradar a sindicatos ou organizações patronais. Os primeiros, porque um sistema de flexigurança individualiza as relações laborais e dá um poder enorme a cada trabalhador. As segundas, justamente porque o trabalhador vê os seus direitos reforçados e ainda têm de pagar mais dinheiro ao trabalhador. 

 

O sistema actual é bem o resultado do que os sindicatos defendem: aristocratizar os trabalhadores mais velhos; proletarizar os trabalhadores mais novos. 

É preciso que alguém pague as pensões e trabalhe por quem está demasiado acomodado para o fazer. Mas isto não quer dizer que as organizações estejam isentas de culpa: enquanro defenderem sistemas de semi-escravatura, nenhuma maioria social as apoiará. 

Retrato de Igor Caldeira

Quem pudesse pensar que Passos Coelho iria possibilitar uma mudança profunda na política portuguesa (como eu) desilude-se agora. A proposta de revisão constitucional é fútil, em primeiro lugar e inútil, em segundo.

 

Fútil, porque ninguém está à espera que o PS aprove qualquer das propostas. Se assim é, a menos que haja uma gradiosa estratégia de estilo CGTP (pedir 80 para ter 8) não se percebe o porquê das propostas.

 

Inútil porque nós não precisamos de mudar leis. Precisamos de mudar o país. Não é mudando uns artigos na constituição que vamos resolver a falta de produtividade, o desemprego, o défice crónico, a dívida galopante, pública e privada. A maior parte do que pode ser feito, pode ser feito no seio mesmo deste quadro legal.

 

O pensamento revolucionário é que crê que com um estalo de dedos um Homem Novo nascerá. E eu pensava que Passos Coelho era um reformista. Enganei-me.

Retrato de Igor Caldeira
Eu sou feminista. Não considero que o feminismo seja necessariamente uma colecção de disparates pós-modernos de linguagem PC. O feminismo pertence a uma tradição radical, de Esquerda, de libertação do indivíduo. O feminismo pertence a uma tradição anti-clerical, de crítica às sociedades patriarcais que dominam os países de religião abraâmica (e não só, mas fiquemo-nos por aqui).

Não posso por isso senão ficar boquiaberto quando vejo que, nesta Europa que conhece hoje o seu mais feliz período de liberdade (e por isso, talvez o seu último antes de regressar às trevas religiosas) a Esquerda, ao mesmo tempo que critica a desigualdade salarial entre homens e mulheres (17,6%, um crime; questiono-me se é nas mesmas profissões), acha aceitável a assunção pública da inferioridade moral das mulheres.
[O que digo sobre o texto de Mariana Canotilho aplica-se também a Daniel Oliveira.]

Pergunto-me: se fosse a Igreja Católica a decidir que todas as mulheres deviam cobrir-se da cabeça aos pés, será que a Esquerda reagiria da mesma forma?
Pois, a resposta é simples, não é?
No entanto, criticar uma "tradição" muçulmana (que, na verdade, nem é assim tão tradicional quanto isso) é sinal de intolerância.

A questão impõe-se: mas a enxurrada de proibições é solução ou agrava o problema (isolando, por motivos vários que não vou aqui desenvolver, as mulheres afectadas)? Desconfiemos das respostas simples. O mero véu é para mim nojento. Sim, dá-me nojo ver uma mulher com um véu religioso. Mas não apresenta, normalmente, perigo. Já os véus que cobrem toda a face, e pior ainda, a burqa, colocam reais problemas de segurança.

Há outras questões paralelas que poderíamos colocar. Ao fim e ao cabo, o Ocidente, essa organização de malfeitores, não vai à Arábia Saudita dizer como eles se devem comportar. Os ocidentais sabem que quando vão a esses países têm de tomar especiais cuidados - e de respeitar minimamente a cultura local.
Curiosamente, pedir aos imigrantes muçulmanos que respeitem a nossa cultura, isso, é inaceitável.

Parece que a Esquerda parece defender o denominador mínimo comum, não apenas na economia, mas também na cultura: quanto mais rasteiro, melhor. Respeitem-se os intolerantes, ataquem-se os progressistas.

Como liberal social, considerando-me uma pessoa de centro (eventualmente centro-esquerda?) não posso deixar de lamentar a degenerescência do espaço socialista. Já há muito que perdeu o internacionalismo. De há uns anos para cá, está a perder o feminismo. É caso para perguntar What's Left?

Nota final: pergunta Mariana Canotilho onde andam os liberais quando precisam deles. Os liberais andam tão confusos quanto todos os outros grupos políticos. A minha experiência de debate político sobre este tema ao nível internacional (aliás, o que a seguir descrevo é produto de um debate bastante recente onde pude constatar isto mesmo) diz-me que as diferenças resultam mais da pluralidade de histórias e culturas europeias que das ideologias. Os liberais escandinavos são tão relativistas e tão multiculturalistas quantos os socialistas e os conservadores escandinavos. O seu passado pacífico fá-los pensar que a religião não é uma coisa assim tão nociva. Pelo contrário, os liberais do Benelux, países que conhecem o catolicismo de perto, bem como as lutas religiosas entre várias seitas, são bastante mais universalistas, condição que partilham com os socialistas (não tanto os conservadores, pelo menos nos Países Baixos; na Bélgica já não há conservadores, por isso é difícil dizer).
Não é por acaso, Mariana, que em França ou em Espanha as pessoas querem impedir o véu; não é por acaso que no Reino Unido ou na Noruega haja raparigas de ascendência muçulmana que são mortas em crimes de honra e toda a gente ache normal. É que nós, aqui nos países de tradição católica, passámos séculos a
morrer na cruz. Passámos séculos a lutar contra a opressão religiosa. Não estamos dispostos, agora que amordaçámos o Vaticano, a deixar que meia dúzia de imigrantes nos tirem aquilo que nos custou tanto a ganhar.

Retrato de Igor Caldeira
What these people fail to realize is that the various measures they suggest are not capable of bringing about the beneficial results aimed at. On the contrary they produce a state of affairs which from the point of view of their advocates is worse than the previous state which they were designed to alter. If the government, faced with this failure of its first intervention, is not prepared to undo its interference with the market and to return to a free economy, it must add to its first measure more and more regulations and restrictions. Proceeding step by step on this way it finally reaches a point in which all economic freedom of individuals has disappeared. Then socialism of the German pattern, the Zwangswirtschaft of the Nazis, emerges.
Ludwig von Mises, Planned Chaos
Ferro Rodrigues afirma que não é preciso ser bruxo para saber que haverá eleições antecipadas. O segundo Governo Sócrates vai cair - e, posso acrescentar, vai cair quase tão mal quanto caiu o segundo Governo Guterres.

O final do primeiro Governo Sócrates já nos fazia adivinhar o descontrolo que se seguiria. Muitos disseram que a crise foi uma bênção para os socialistas. A um ano das eleições poderiam, a coberto de estímulos à economia, começar a esbanjar dinheiro em eleitoralismos.
Honestamente nunca percebi como poderia isso ser benéfico para os socialistas. O que levou Sócrates à ribalta não foi o populismo. Foi uma capa de seriedade. Depois do circo em que se tinha tornado a coligação conservadora, o país queria (ou pelo menos aparentava querer) consistência, estabilidade, reformas. E o défice tinha de baixar. Poucas pessoas se opuseram seriamente, nos primeiros dois anos, às medidas de contenção orçamental.

Claro que o país aparentava querer seriedade, porque as corporações (médicos, advogados, juízes, professores) sabem que é com meias tintas que os privilégios se mantêm incólumes. Mas alguma coisa estava a ser feita e os índices de popularidade do primeiro ministro, do governo, do PS, eram altos.
A segunda metade do governo (2007-2009) foi um desastre. O défice disparou para níveis inauditos. E Sócrates continuava crente que era com investimento público que o país entrava nos eixos. Mas não entrou, e continua a não entrar.

Não fosse o Euro e a UE, o país já teria entrado em bancarrota. Felizmente, o chicote alemão está a obrigar o governo a fazer marcha atrás. A tentação de governos irresponsáveis é somar, a um erro inicial, um erro mais para corrigir esse erro e assim sucessivamente.
Não quero dizer que, conscientemente, os portugueses puniram o PS em 2009 e punirão ainda mais em 2011 pela sua irresponsabilidade orçamental e pela sua má política económica. Mas há uma conjunção de factores arrasadores para o governo:
- O investimento público não cria riqueza mas aumenta a despesa;
- Mais impostos e menos riqueza é uma dupla carga que ninguém pode apreciar;
- E os europeus não estão dispostos a suportar todas as imbecilidades da Europa do Sul - pelo que exigiram medidas drásticas para solucionar o problema do desequilíbrio orçamental.

Em vez do caminho alternativo de contenção orçamental e corte de impostos (sobretudo IRC) no início da crise, o governo preferiu gastar todo o dinheiro num espaço de um a dois anos.
Deviam saber que o mal se faz de uma só vez e o bem pouco a pouco. Com as opções tomadas, Sócrates dedica-se agora a contas de merceeiro, vendo onde pode cortar. O mal vai arrastar-se por muitos anos, quando Sócrates já só for um fantasma do passado.

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A Igreja Católica, o PNR, o CDS e o PSD não conseguiram mais que 5000 tarados a descer a Avenida da Liberdade para lutar contra a dita-cuja.

 

Para quem diz representar o Portugal profundo, convenhamos, é muito poucochinho.

Retrato de Igor Caldeira

A manifestação pela liberdade de expressão foi um fiasco.

Porquê? A Direita não está habituada a este tipo de manifestações.

Manifestam-se pouco, e quando o fazem é com tanques, metralhadoras e aviões.

Os bloguistas de ontem ainda têm de comer muita papa Maizena.

Esperem pelo Rangel e pela sua "revolução conservadora".

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Os meus pais contavam-me uma história, cuja veracidade nunca me lembrei de confirmar, em parte porque é bastante credível, em parte porque sendo sobre quem é, deve bem ser verdade. Nos áureos tempos do PREC, consta que o camarada Vasco enviava calçado abaixo de preço de custo para a URSS. Solidariedade operária, diziam eles. Imperialismo, dirá qualquer pessoa com mais que dois neurónios.

Parece contudo que o problema não afecta apenas o PCP.

Sobre a votação do acordo SWIFT, alguém me explica como é que um partido pode ser contra o sigilo bancário em Portugal, mas depois querer dar todos os nossos dados automaticamente aos Estados Unidos?

O CDS, único partido português que quer entregar a
os meus pagamentos de livros na Amazon ou as minhas transferências de dinheiro da minha conta portuguesa para a minha conta na Bélgica aos Estados Unidos, para que um burocrata qualquer vá ver se por acaso ando a tentar pôr bombas, comporta-se com os EUA como o PCP se comportava com a URSS.

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Greece’s budget shortfall is now estimated at 12.7% of GDP last year, after Eurostat recently accused Athens of "deliberate misreporting" making its deficit appear smaller. The country nowadays is rated with BBB+, an alarming low rating for a Eurozone member state. Such an excessive deficit and rapidly rising debt could have spill-over effects for the whole euro zone.

Aloys Rigaut, LYMEC President, commented: 'Greece wrote the tragedy in which it is now and will need to get out of it by its own means. There is no way that we can mutualise at Eurozone level the price of the public finances repair. It would set a bad precedent for other Euro countries”. He then added: “We should however learn from this turmoil. One key element is to broaden the EU’s surveillance to macroeconomic imbalances. Despite repeated warnings, some imbalances were indeed not treated at a time when economic conditions were favourable and the crisis is now forcing a brutal adjustment: this is not tolerable. Euro area national economies are becoming more and more interdependent and we cannot accept any form of free riding'.

Alexander Plahr, LYMEC Vice President, stated: 'The Greek debacle is no reason to condemn the euro project, which is one of the best achievements of the European Union ever. The real lesson is that we have to watch much more carefully if a country is already ready for the Euro. Athens has under-reported its deficits for a decade, including the time in which it had to qualify for euro-zone membership, a fact Eurostat discovered only later. Greece's way out of the crisis is not to ask for European generosity but to get its public finances in order. This means cutting spending and vitalizing the economy by cutting red tape, tax cuts and deregulation, so that it actually can grow.'

http://www.lymec.org/index.php?name=News&file=article&sid=749

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O Vaticano atacou o filme Avatar por apresentar a natureza não como uma criação, mas como uma entidade divinizada.
Há pobreza, guerras, violência, fome, terramotos.
Mas o Vaticano não encontra melhor para fazer do que atacar filmes.

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Como sempre, um grande texto de Cardoso Rosas.
http://www.ifl.pt/main/Portals/0/Direita_Esquerda.pdf