O blogue de artur baptista

Retrato de artur baptista

Peço desculpa ao Luis Lavoura pelo plágio do titulo, mas é o que de facto parece que o País enloqueceu. Parece que todos entraram numa espiral do abismo. Isto é a propósito da noticia sobre o encerramento da fábrica da Rohde. Uma é que após esta decisão final "houve um forte aplauso de todos os trabalhadores" e que a ideia é "Uma das soluções previstas para parte do actual edificado da Rohde é, aliás, que venha a acomodar um Centro de Emprego e também uma Loja do Cidadão. "Ainda não está nada oficializado", declarou Fernanda Moreira, "mas é disso que se tem vindo a falar".

Ora o que se passa é que se troca um possivel investimento futuro, em que claro há um risco associado, mas que podia permitir um aumento do emprego a medio longo prazo, por um Centro de atendimento aos desempregados e uma Loja do Cidadão para servir não sei quem!

Mas como foi possivel chegar a este estado (ou Estado) de atitude colectiva?

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Digo sinceramente que até estava a gostar do Congresso do PSD. À moda antiga, com muito espectaculo é certo, mas com os oradores a dizerem o que pensam, muitas vezes sem pensar, o que origina sempre as gaffes que tornam mais "humano" essas máquinas institucionais que se tornaram os Partidos. Numa palavra, estava a ser Natural, se é que hoje fazer politica não seja uma operação de marketing e grande trabalho preparatório.

Claro que, analisando os vários candidatos à liderança, não há nenhum que tenha o conjunto de atributos pessoais e ideológicos que me pareça que consiga dar a volta ao estado de coisas e acima de tudo às coisas do  Estado!

Mas esta introdução toda caiu por base após a aprovação dos Estatutos. E a já infelizmente célebre lei que condiciona a livre expressão dos militantes. E até com prazo pre-definido para se poder dizer o que se pensa - 60 dias!!!!

Um Partido que aprova uma regra interna destas, declarou a sua sentença de morte num momento em que se avolumam as provas de excessivo controlo do País pelo partido de Governo.

Penso que estamos a assistir ao fim do PSD como o segundo partido mais votado e lider da oposição. A questão agora é, tendo a Politica horror ao vazio, quem vai ocupar o lugar programático de um partido Liberal? Será que é o proprio PS?

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Aanlisando o PEC e prospectivando as suas linhas mestras, tentando ir um pouco mais longe do que a mera análise financeira, fica claro para mim que está implicito uma mudança de Modelo.

No principio foi o ataque aos chamados "gestores". E quem são eles? Como eu tenho como profissão o de Gestor Contratado posso bem falar com conhecimento de causa. São então profissionais com uma sólida base de habilitações literárias, normalmente com uma licenciatura complementada com mestrados e pós-graduações (pagas normalmente com dinheiro proprio ou da familia) e com vontade de vencer. Essa vontade obrigou a muitas horas de trabalho, e acima de tudo a ter de tomar decisões que implicavam risco, já que se trabalha para os detentores de capital que não admitem erros. Portanto o erro capital desses gestores foi o de aceitarem tomar decisões, expondo-se e expondo a sua familia a um nivel de risco elevado (se por exemplo são também nomeados Gerentes, deixam de ter direito a subsidio de desemprego). Outro erro capital é de serem ambiciosos e empreendedores. Chegados aqui e com salários que tem de remunerar todos estes riscos e nivel de responsabildiade, são aqueles que são chamados a ter o maior esforço financeiro de tal forma que se chega a um corte directo de 45% do seu rendimento anual (se somarmos os 11% de Segurança Social, torna-se um valor de 56% para o Estado de forma directa!).

Ao mesmo tempo permite-se que a função publica obtenha direitos só porque existe baseados nas famosas "carreiras", mesmo que tenham nivel de Bom nas suas avaliações e mesmo no caso de não serem necessários em determinadas áreas. São os chamados "direitos adquiridos".

Numa palavra, para mim fica mais uma vez claro - o Modelo de Portugal é o de manter os direitos da Administração Publica a todo o custo, mesmo esvasiando a iniciativa privada, o empreendorismo e a ambição.

Flarei depois do Lucro - outra palavra que vai influenciar o Modelo.

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Pelas primeiras noticias sobre as grandes medidas estratégicas para Portugal nos proximos 3 anos o que já se percebe é que mais uma vez se aposta tudo numa lógica de curto-prazo, em que o que se pede é a quem trabalha por conta de outrem pague o enorme voracidade do Estado.

Sinceramente penso que desta forma vamos continuar a nossa caminhada para o empobrecimento geral da Sociedade portuguesa, entrando a fundo no circulo vicioso da necessidade constante do Governo de "ajudar" e não de dinamizar.

Gostava de ver uma efectiva redução dos custos do Estado através de mudanças estruturais, de redução da dimensão e voltar a entregar os designios à propria Sociedade.

Qual é o efeito em termos de eficácia económica privatizar partes de algumas empresas publicas, ficando o Estado a controlar os seus designios? Provávelmente para que entidades bancárias do tipo BES ficarem com mais poder?

Se as entidades bancárias que tem aversão ao risco tiverem no Estado o lugar mais seguro para aplicar o seu dinheiro, acham que vão emprestar a pequenas PME (opting out)?

A palavra que mais li até agora é - limitar. Mas com um defice (após todas as contabilidades criativas, tipo PPP) de 90 % do PIB chega?

 

A ver com atenção os proximos capitulos.

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Para um País que tem poucos recursos base, o Investimento Directo Estrangeiro faz parte do necessário desenvolvimento e que qualquer Governo deve dar a maior atenção.

Tal como todos os mercados, o "mercado" do IDE é também ele marcado pela Concorrencia. Neste particular, entre os diversos paises terá de existir um esforça para que cada um apresente as Vantagens Competitivas que sejam suficientemente grandes para que as empresas escolham "comprar" determinada região para investir.

O que se assiste neste momento, e eu falo do meu caso pessoal que trabalho numa multinacional mas que posso sugerir que podera ser uma tendencia, é a uma desistencia das empresas estrangeiras em investir em Portugal.

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Na verdade e após mais esta vitória do PS, confirma-se que continuamos a apostar num País cuja estrutura de governo é a de uma Estado Socialista. E digo isto porque me lembrei de umas palavras do então Ministro Sousa Franco que considerava que "temos que ver os cidadãos como Clientes". Ora os cidadãos não devem ser tratados como clientes pelo Estado mas sim como Accionistas. Este pequeno pormenor faz toda a diferença - um Estado Socialista não dá voz activa à Sociedade mas sim quer que seja ele a definir o que é bom e o que é mau e depois "cuidar bem dos fregueses!". Aqui cabe, por exemplo, a lógica de formação deste novo Governo, em que é José Socrates a pedir à oposição que seja consciente e aprove a Estratégia que ele, como iluminado, pensou para o País.
E aqui deixem-me introduzir a cada vez mais evidente falta de um partido que tenha a coragem para propor um Programa efectivamente radical de alteração do Modelo de Sociedade e que corte definitivamente com o Poder Socialista. Agora deixem-me considerar que faz falta ao País um PSD que seja o elemento agregador desta ideia Revolucionária e que tenha a coragem para juntar pessoas e movimentos (onde o nosso podia ser um deles) em volta de uma IDEIA para Portugal.
É que sinceramente a soberba com que o nosso Primeiro Ministro demonstra neste processo em que, ao garantir o controlo da Administração Publica, está com o objectivo realizado esquecendo-se do País assusta-me!

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E estamos então a iniciar o que eu chamo de acordar na ressaca de semanas de campanha eleitoral que se baseou mais em Marketing que em Politica. Aliás considero extraordinário que se comente que o resultado deste ou daquele partido teve mais a haver com "o candidato estava em grande forma fisica" ou "cometeu muito poucos erros" o que afinal confirma o empobrecimento que cada acto eleitoral tem vindo a mostrar em termos de ideias e projectos para o nosso País.
Mas as noticias estão aí: ratings dos bancos portugueses descem (incluindo a secursal portuguesa do Santander Totta!), temos mais 2 autarquias de cerca de 60 que vão necessitar de ajuda do Estado para não entrarem em colapso financeiro e estamos na lista dos paises que irão ter procedimento de defice excessivo. Por outro lado o limite de endividamento externo para 2009 foi "consumido" até Agosto do corrente!
Neste cenário temos um partido com maioria relativa a dizer que primeiro vai falar com calma com todos os outros partidos e ver o que é que dá!!!
A sucessão de eventos vai tornar-se mais rápida do que estamos à espera. O resultado, pode ser duro, muito duro.

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Sendo que vários colegas já analisaram em pormenor estas eleições, em que as opiniões são mais ou menos unanimes, gostaria mais de olhar para a floresta que para as árvores.
Fotografia Aérea 1 - Partidos sem ideologia estão votados ao fracasso eleitoral. O PSD teve mais votos que merecia, já que não apresentou aos eleitores qualquer conjunto de propostas alternativas. Apostou na ideia (aliás dita pelo Passos Coelho) quando saiu da Comissão Politica Nacional "em Portugal não se ganham eleições, perdem-se". Para mim esta votação só foi conseguida pelo seu apoio autárquico (aliás a génese do Partido) e é pena, porque devia ter sido muito mais expressiva a derrota para refundar pessoas e programa.
Fotografia Aérea 2 - Os pequenos Partidos sem ideologia morreram quando não apresentaram uma cara conhecida nos cartazes. A soma de 60 ou 70 medidas avulsas não fazem um programa politico. Não tem capacidade para mobilizar já que não tem nada que motive os jovens a lutar por ideais. As medidas avulsas de "imolação" publica do tipo do MMS ou tentar convencer o eleitorado que está em dificuldade de emprego e dinheiro não chega.
Fotografia Aérea 3 - Voltámos a confirmar que não é com comícios grandiosos e grandes manifestações de rua que se ganham votos. Já era verdade em 1975! A população portuguesa está mais culta, mais informada. Aliás o Ministro Augusto Santos Silva e o PS sabem bem disso.
Fotografia Aérea 4 - Portugal vai ser notificada pela UE de "défice excessivo". Os ratings dos principais bancos portugueses desceu. Estas eleições claramente não vão ser o fim da história!

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Hoje, dia 25 de Setembro de 2010, quase um ano passado das ultimas eleições legislativas que deram ao PS a vitória sem maioria, a que se seguiu a saida do Presidente do PSD na altura, Manuela Ferreira Leite, chegou-se finalmente ao acordo já esperado entre as diversas forças politicas de Centro Direita.
Este acordo, que é mais que uma coligação, mas sim um verdadeiro acordo em volta de um Programa capaz de ultrapassar o estado deplorável em que encontram as contas Publicas muito por causa da continuação da exessiva dimensão do Estado mais reforçado com a ajuda que o Bloco de Esquerda tem dado na Assembleia da Republica e que permitiu que o primeiro orçamento do PS fosse aprovado.
O Partido Liberal Democrata a mais nova formação Politica em Portugal, que consegui,até pela sua forte base programática, aliás à semelhança dos outros paises Europeus, que se afirmasse já como o que apresenta as ideias mais avançadas e modernas, considera da maior importancia a existência de um bloco coeso que seja verdadeira alternativa para o Governo actual já na eventualidade cada vez mais proxima de eleições Legislativas antecipadas.

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Num estudo de research de acções do BPI considera que as eleições de Setembro são o factor mais importante de curto-prazo para as cotações da Mota-Engil!
E que tal este poder Fora de Mercado?