O blogue de João Cardiga

Retrato de João Cardiga

Retirado daqui

Retrato de João Cardiga

Bem sei que este não é um tema muito discutido no mundo liberal (prioncipalmente português). Jukgo que tal se deve a um passado recente socialista, em que o tema das desigualdades na distribuição de riqueza foi apropriado pelos mesmo. No entanto julgo que os tempos que correm nos deveriam fazer reflectir seriamente sobre esta temática.

 

Muito se tem falado sobre a liberdade, ou a falta dela, nos ultimos tempos. Apontou-se vários exemplos de tais faltas de liberdade e constragimentos, sendo que o foco esteve na imprensa.

 

Como muitos afirmam, pressões sempre foi algo que sempre existiu, no entanto talvez a grande novidade tem sido a eficácia dessas pressões nos tempos que correm. Julgo que tal deve-se ao periodo de crise que atravessamos actualmente. Numa altura de escassez de dinheiro, os que têm capacidade de angariar receitas conseguem sobreviver. Assim, numa fase que a maioria das empresas tem os seus instintos de sobrevivência mais apurados muitas barreiras eticas (e mesmo legais) são quebradas.

 

Um dos pontos que tem sido levantado tem sido a questão da publicidade. A teoria versa que num país cuja a ecopnomia depende demasiado do estado, este tem um poder demasiado elevado para controlar os medias.

 

Concordando com esta teoria, ela é a meu ver apenas parcial e esconde uma realidade bastante perigosa. Ora se é fácil para nós, enquanto sociedade, alterar esse ponto (diminuindo o peso do Estado na economia), tal solução não resolve nada o problema levantado. Passo a explicar, o grande problema é a depêndencia das receitas de publicidade. Ora ao diminuirmos o peso do Estado apenas estamos a privatizar esse problema, o que o tornará ainda mais dificil de se solucionar.

 

Ok, posto isto o que é que tem isto a ver com a desigualdade da distribuição de riqueza?

 

Uma sociedade desigual como a nossa é, faz com que a capacidade de criar alternativas esteja na posse de um grupo muito restrito. Um jornal não consegue viver só das receitas das vendas pois, quer queiramos quer não, um jornal é um bem superfluo e a maioria não tem dinheiro para tais gastos. Assim em vez de comprarmos, muitos de nós lê um jornal quando vai a um café, ou emprestado de um amigo/conhecido. Isso faz diminuir significativamente as receitas de um jornal vindas por esta via.

 

E se falarmos em jornalismo de investigação (o mais importante tipo de jornalismo) então esqueçam. Requer um enorme investimento para no final, por mais interessante que seja, não ter um retorno equivalente à qualidade/investimento que tem. 

Retrato de João Cardiga

Ainda Fernando Nobre não apresentou a candidatura oficial e já começaram a chover depreciações relativamente à candidatura do mesmo. Honestamente parece-me que ainda temos alguns anti-corpos relativamente a candidatos que saiam fora do sistema politico "normal". Gostaria de analisar as três criticas que me parecem ser as mais comuns, ou que terão a tendêmcia a sê-las agora nesta fase inicial:

- é um candidato "soarista": Honestamente para mim parece-me que esta critica deriva de dois factores.
O primeiro o de ser inconcebível um candidato civil se candidatar por sua iniciativa. Tentou-se assim encontrar o motivo mais racional de todos, que este candidato é o substituto de Soares.
O segundo factor imagino que seja por receio. Na realidade esta candidatura poderá representar um dos aspectos mais positivos na politica nos ultimos anos. Aliás tão positivo que parece "bom demais para ser verdade". Pelo que o raciocinio lógico é de que afinal Fernando Nobre é só um puppet nos comuns e "feios" jogos de bastidores da politica.
Eu vejo neste ponto uma situação "win-win". Se por acaso for mesmo um candidato "soarista" então é bom sinal. É sinal que finalmente a máquina politica olha para pessoas fora da politica "convencional" para procurar o melhor candidato possível. A politica "convencional" só tem a ganhar com essa actitude pois aumenta o leque de opções. Se por acaso não for "soarista" ainda melhor pois é sempre bom existir na sociedade pessoas fora do convencional com capacidade de assumir responsabilidades.

- não tem experiência politica: eu julgo que esta critica deriva da anterior. A politica não é só feita nos partidos. É feita em muitas outras instituições, e parece-me que nesse campo experiência não lhe faltará.

- é um monárquico (com esta é que me quase lixavas, Miguel :)): este é para mim um aspecto negativo, não o escondo. Sendo ingénuo, não sou ingenuo o suficiente para acreditar em pessoas perfeitas. E muito menos tenho tendência para acreditar em Homem Providencial. Por isso, mais cedo ou mais tarde, saberia de algo negativo. Será que esse será motivo suficiente para não votar nele? Obviamente que não. Ele candidata-se a um cargo republicano, por isso não me parece que venha a defender um projecto monárquico para o cargo a que se candidata. Para além de que se este ponto fosse fundamental na minha escolha politica, então teria dificuldade em votar num inglês, sueco, espanhol ou Holandês, cuja maioria do povo defende ou aceita a monarquia.

Dito isto, espero ansiosamente pela campanha. Altura em que posso efectivamente aferir da qualidade da campanha e do projecto de Fernando Nobre.

*Título inspirado na ultima critica, a de ser monárquico.

Retrato de João Cardiga

Este post (e os que se seguirem) é uma resposta às reacções de algumas pessoas(ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui) ) a esta notícia do CM.

O CM hoje noticia que “Sócrates foi apoiado por blogues alimentados em informação e argumentários feitos por assessores.” A notícia em papel é um pouco mais contundente argumentando que não apenas foi utilizados assessores do governo, como meios do estado.
Existe efectivamente uma grande imprecisão nesta notícia, é que não foi Sócrates que foi apoiado mas sim o PS, dado que a campanha é do partido e não de uma pessoa. Mas, adiante. Entretanto a reacção foi rápida e contudente como poderão verificar nos links que disponibilizei e para mim foi também algo assustadora.

Por exemplo o deputado Miguel Vale de Almeida diz:

“Já agora: eu fiz parte desse blog, o Simplex, fui candidato do PS e se precisasse naturalmente recorreria a informações do PS ou do governo ou dos seus assessores para argumentar melhor alguma ideia que quisesse expandir. O contrário é que seria absurdo. Pelo menos em democracia e com liberdade de expressão. Simplex.”

E isso é grave, pá! Este tem sido um dos argumentos utilizados por todos os bloggers, e neste caso tem uma gravidade acrescida pois estamos a falar de um deputado. Eu vou tentar explicar o mais simples e básico possível para ver se todos entendem:

- o governo, o Estado e o partido não são, na nossa democracia liberal, a mesma coisa. Têm natureza significativamente diferente (aliás julgo que basta ir à constituição para se perceber isso)!

E ao contrário do que querem transmitir, e principalmente nos tempos que correm, não é nada normal que assessores pagos pelo erário público utilizem e forneçam informações apenas a um blogue de apoio ao PS. Ou bem que davam esses elementos a todos os partidos ou então não poderiam utiliza-los. É o grande problema de se ir para o governo para quem exerça ou queira exercer uma vida partidária activa. Assim que passa a governante, ou funções similares, todo o conhecimento que detém tem de ser dado a todo os partidos e de preferência a todos os cidadãos ou então não poderá ser utilizado por nenhum.

Existe um exemplo perfeito disso levado a um extremo: a Madeira. E se bem me recordo, todos os que acham normal, indignaram-se pelo caso da Ferreira Leite, e bem. E isto não é uma questão de metros, ou de qualquer outra medida quantitativa, é pura e simplesmente uma questão de princípio. Julgo que foi na Dinamarca que uma presidente de câmara se demitiu quando foi tornado público que a mesma tinha dado um ramo de flores com dinheiro público a um amigo que estava doente. Não sei se é necessário chegar a este extremo, no entanto julgo que por cá estamos a chegar ao extremo contrário. Aqui tudo é permitido a quem é governante. E o pior é que ao agirem dessa forma minam mais do que ninguém os valores que dizem defender.

P.S. Existe efectivamente uma visão que não distingue estes três elementos e os torna uno e indivisíveis: a visão fascista da sociedade. Com isto não quero dizer que uma pessoa é fascista, mas somente que tem uma visão fascista do poder político. Aliás esta dificuldade em distinguir estes conceitos deriva muito do nosso (fraco) passado liberal.

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"A Rede Tentacular dos Abrantes Socráticos e a "Conversa" do descalabro orçamental" de Carlos Santos

"(...) Mas tendo o outro dia sido desafiado a revelar quem era o Abrantes, prefiro basear-me num mail que recebi a 6 de Agosto, do actual deputado João Galamba, no tempo do Simplex, forward de um mail que ele tinha recebido de um assessor do então Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva. Por sua vez reencaminhado do Tiago Antunes, actuamente chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, Almeida Ribeiro, que o reencaminhava do assessor económico do Primeiro Ministro Óscar Gaspar, actualmente Secretário de Estado da Saúde."

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Foi sem duvida uma semana cheia! Mas começando pelo que de realmente importante aconteceu nesta semana, gostaria de destacar:

1) A aprovação final da alteração à lei do casamento civil no parlamento: embora não seja surpreendente é mais um marco. Falta apenas a ratificação pelo Presidente da República

2) A rejeição por parte do Parlamento Europeu do acordo SWIFT: infelizmente não fez eco nos jornais portugueses, mas numa semana marcada pela palavra “Liberdade” ninguém defendeu mais a nossa liberdade esta semana que o Parlamento Europeu. E teve o condão de ser um verdadeiro “murro no estômago” dos eurocépticos. Parabéns a todos nossos eurodeputados que votaram contra, à excepção dos “gelatinosos” eurodeputados do CDS que votaram a favor desse acordo (“Shame on you”, é o mínimo que me vem à cabeça…).

Posto isto, esta semana, em Portugal, também foi marcada (e ainda está a ser marcada) pelo caso “escutasgate”. Gostaria desde já dizer que considero este caso muito grave, e por diversos motivos:

a) Um dos direitos consagrados na nossa constituição é o seguinte: “4. O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas.”. Todo este caso, a ser verdade é um verdadeiro atentado a este ponto da nossa constituição.

b) Posto isto, gostava de frisar o seguinte: não é à toa que tanto o poder económico, como o poder politico aparecem neste ponto. O ataque à liberdade de imprensa vem destes dois poderes e o que este caso acabou por colocar a nu foi mesmo isso. Embora o que despoletou este ponto foi sem duvida o poder politico, a verdade é que o executante (ou suposto executante) foi o poder económico. E se se quer defender realmente a liberdade de imprensa, e por “arrasto” a liberdade de informação e expressão, são ambos que deveriam ser questionados. O que a PT tinha intenções de fazer era grave independentemente de ter sido motivado pelo Governo ou por iniciativa própria. Caso tivesse sido o Belmiro de Azevedo, em vez de Sócrates, a tentar “silenciar” desta forma a TVI porque esta o estava constantemente a atacar, seria igualmente grave.

c) Os jornalistas, também são eles próprios, culpados desta situação e deveriam efectuar uma análise profunda sobre todo este caso. Instalou-se “uma mentalidade de assobiar para o lado” que ajudou, de sobremaneira, a criar um clima de impunidade (e que beneficia normalmente quem age dessa maneira) sempre que exista pressões. Exemplos como os que acontecem no futebol (com alguns jornalistas a serem barrados de entrar, ou de trabalhar) ou na Madeira são apenas alguns entre muitos onde os próprios jornalistas poderiam fazer muito mais para mudar a situação actual.

(Nota final: artigo escrito ontem, antes de ter lido o SOL)

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"OPA SOBRE O PAÍS

Por Dr. António Barreto (*)

"É a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar.

Não. Não se trata do lançamento de mais uma OPA sobre empresa ou clube desportivo. É, simplesmente, a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar.

Quando o Governo de Sócrates iniciou as suas funções, percebeu-se imediatamente que a afirmação da autoridade política era uma preocupação prioritária. Depois de anos de hesitação, de adiamentos e de muita demagogia, o novo primeiro-ministro parecia disposto a mudar os hábitos locais. Devo dizer que a intenção não era desagradável. Merecia consideração. A democracia portuguesa necessita de autoridade, sem a qual está condenada. Lentamente, o esforço foi ganhando contornos. Mas, gradualmente também, foi-se percebendo que essa afirmação de autoridade recorria a métodos que muito deixavam a desejar. Sócrates irrita-se facilmente, não gosta de ser contrariado. Ninguém gosta, pois claro, mas há quem não se importe e ache mesmo que seja inevitável. O primeiro-ministro importa-se e pensa que tal pode ser evitado. Quanto mais não seja colocando as pessoas em situação de fragilidade, de receio ou de ameaça.

Vale a pena recordar, sumariamente, alguns dos instrumentos utilizados. A lei das chefias da Administração Pública, ditas de "confiança política" e cujos mandatos cessam com novas eleições, foi um gesto fundador. O bilhete de identidade "quase único" foi um sinal revelador. O Governo queria construir, paulatinamente, os mecanismos de controlo e informação. E quis significar à opinião que, nesse propósito, não brincava. A criação de um órgão de coordenação de todas as polícias parecia ser uma medida meramente técnica, mas percebeu-se que não era só isso. A colocação de tal organismo sob a tutela directa do primeiro-ministro veio esclarecer dúvidas. A revisão e reforma do estatuto do jornalista e da Entidade Reguladora para a Comunicação confirmaram um espírito. A exposição pública dos nomes de alguns devedores fiscais inscrevia-se nesta linha de conduta. Os apelos à delação de funcionários ultrapassaram as fronteiras da decência. O processo disciplinar instaurado contra um professor que terá "desabafado" ou "insultado" o primeiro-ministro mostrou intranquilidade e crispação, o que não é particularmente grave, mas é sobretudo um aviso e, talvez, o primeiro de uma série cujo âmbito se desconhece ainda. A criação, anunciada esta semana, de um ficheiro dos funcionários públicos com cruzamento de todas as informações relativas a esses cidadãos, incluindo pormenores da vida privada dos próprios e dos seus filhos, agrava e concretiza um plano inadmissível de ingerência do Estado na vida dos cidadãos. Finalmente, o processo que Sócrates intentou agora contra um "bloguista" que, há anos, iniciou o episódio dos "diplomas" universitários do primeiro-ministro é mais um passo numa construção que ainda não tem nome.

Não se trata de imperícia. Se fosse, já o rumo teria sido corrigido. Não são ventos de loucura. Se fossem, teriam sido como tal denunciados. Nem são caprichos. É uma intenção, é uma estratégia, é um plano minuciosamente preparado e meticulosamente posto em prática. Passo a passo. Com ordem de prioridades. Primeiro os instrumentos, depois as leis, a seguir as medidas práticas, finalmente os gestos. E toda a vida pública será abrangida. Não serão apenas a liberdade individual, os direitos e garantias dos cidadãos ou a liberdade de expressão que são atingidos. Serão também as políticas de toda a espécie, as financeiras e as de investimento, como as da saúde, da educação, administrativas e todas as outras. O que se passou com a Ota é bem significativo. Só o Presidente da República e as sondagens de opinião puseram termo, provisoriamente, note-se, a uma teimosia que se transformara numa pura irracionalidade. No país, já nem se discutem os méritos da questão em termos técnicos, sociais e económicos. O mesmo está em vias de acontecer com o TGV. E não se pense que o Governo não sabe explicar ou que mostra deficiências na sua política de comunicação. Não. O Governo, pelo contrário, sabe muito bem comunicar. Sabe falar com quem o ouve, gosta de informar quem o acata. Aprecia a companhia dos seus seguidores, do banqueiro de Estado e dos patrícios das empresas participadas. Só explica o que quer. Não explica o que não quer. E só informa sobre o que lhe convém, quando convém.

É verdade que o clima se agravou com o tempo. Nem tudo estava assim há dois anos. A aura de determinação cobria as deficiências de temperamento e as intenções de carácter. Mas dois conjuntos de factos precipitaram tudo. O caso dos diplomas e da Universidade Independente, a exibir uma extraordinária falta de maturidade. E o novo aeroporto de Lisboa, cujo atamancado processo de decisão e de informação deixou perplexo meio país. A posição angélica e imperial do primeiro-ministro determinado e firme abriu brechas. Seguiu-se o desassossego, para o qual temos agora uma moratória, não precisamente a concedida aos estudos do aeroporto, mas a indispensável ao exercício da presidência da União Europeia.

De qualquer modo, nada, nem sequer este plano de tutela dos direitos e da informação, justifica que quase todos os jornais, de referência ou não, dêem a notícia de que "o professor de Sócrates" foi pronunciado ou arguido ou acusado de corrupção ou do que quer que seja. Em título, em manchete ou em primeira página, foi esta a regra seguida pela maior parte da imprensa! Quando as redacções dos jornais não resistem à demagogia velhaca e sensacionalista, quase dão razão a quem pretende colocá-las sob tutela..."

(*) Sociólogo e ex-Ministro da Agricultura do Partido Socialista "

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Ok, depois de Socrates levar tanta porrada julgo que é altura de alguém se erguer e defender o homem. Se alguém estiver mesmo interessado nisso então veio ao sitio errado, sugiro-lhe que vão aqui ou aqui que serão melhor servidos.

Mas existe algo nesta polémica toda me faz confusão, a ser verdade o que o SOL noticiou não é Socrates que está em causa, é:

- todo o aparelho do governo que fica em causa;

- o próprio PS que está em causa;

- a permissidade e a corrupção que existe no mundo dos negócios;

Ou seja, não é meramente Socrates que está em causa. Se no fim disto tudo resultar apenas na demissão de Socrates e novas eleições, então estes protestos não servirão para nada.

É urgente que se saibam todas as pessoas que possam estar envolvidas nestas situações, para que as mesmas sejam responsabilizadas. É que estar nos holofotes como Socrates está, faz com que todos os dedos sejam apontados a ele, mas a mim causa-me mais receio aqueles que se movimentam nos becos escuros deste país. Aqueles que não estando visiveis têm capacidade de manipular, de coagir, de forçar decisões. E é mesmo isso que transparece da noticia do SOL, que existe um problema mais grave e profundo que o mero Socrates.

É urgente apurar os factos até às ultimas instancias, mas também é urgente repensar as nossas instituições para que estes problemas não sejam sequer possíveis de existir.

E agora sim, defendendo Socrates gostaria de pedir que mudem o nome que atribuem a esta polémica (sugiro "governo do PS"). É que o filosofo foi demasiado importante para ver o seu nome tratado desta forma....

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NOTA INTRODUTÓRIA: Para quem não está habituado a ler este blogue não estranhe o facto de dois membros do mesmo movimentos terem opiniões contrárias e estarem completamente à vontade para o expressar neste espaço. É perfeitamente normal :)

Bem o título poderá chocar e tenho de admitir que por principio até concordo com o que o Luís Lavoura e outros bloguers defendem. Sem dúvida a existir uma redução de salários ele tem de começar por quem ganha mais. Mais num país como o nosso em que existem algumas assimetrias em comparação com países mais desenvolvidos que convém ser eliminadas.

No entanto não posso concordar, dada a realidade portuguesa, que a primeira solução a ser aplicada seja a de redução dos salários na função pública.

Esta solução, embora optima na teoria, julgo que se iria revelar completamente desastrosa na pratica. Passo então a explicar:

- é uma lei que por ser nominal não poderá englobar todas as realidades que existem dentro da função pública. Isto é, muito provavelmente seria uma lei do tipo: acima de X Euros a pessoa viria o seu salário reduzido.

- acontece que tal a ser efectuado, embora de facil aplicações, iria contemplar tantos os que recebem muito para as rensponsabilidades que têm como os que até recebem pouco para as responsabilidades que têm, causando uma primeira fonte de injustiça.

- mas pior que isso não solucionaria um dos problemas de onde mais "sangra" os cofres do Estado: a capacidade de quem tem poder de retirar dinheiro do Estado. Para este ponto irei utilizar o exemplo que dei aqui do João Galamba:

Graças ao BASE, ficamos a saber que o mesmo retira de uma das suas prestações de serviço 3.469,12 Eur mensais. Partindo do pressuposto que as outras duas prestações que o mesmo deputado executa são de igual montante. Nesse caso então mensalmente (caso fosse em acumulação) ele receberia de prestação de serviços ao Estado ou organismos do Estado cerca de 10.407,36 Eur mensais, além do que receberia como deputado em part-time (que presumo ser a condição do mesmo). Ora esta lei que é proposta de diminuição de salários neste caso concreto apenas resultaria numa diminuição muito diminuta no seu rendimento mensal (menor de 5% no caso de uma redução de 20% do vencimento).

E isto é apenas uma extrapolação de um caso conhecido e em que existe informação pública. Certamente não deverão faltar casos em que a mesma pessoa retira rendimentos do Estado de diversas formas (prestação de serviços, empresas, acumulação de cargos, etc...) em que nesta lei não viria o seu rendimento sofrer um grande impacto.

Pior, caso a pessoa tenha a possibilidade de influenciar o rendimento que retira do Estado, então a diminuição do valor até poderia ser nula pois poderia ser compensada por uma nova prestação de serviços ou aumento nas já existentes.

Ou seja, na pratica o que uma lei assim levaria, a que apenas ficasse aplicada a quem não tem essa capacidade, e que são, sejamos honestos, os que dentro dos vários grupos de pessoas que existem no Estado, os que realmente produzem mais. Ou seja, tal medida iria afectar principalmente os mais produtivos em detrimentos dos mais improdutivos que muito provavelmente não viriam o seu rendimento diminuido.

Isto teria um impacto material e psicológico brutal a nível de estrutura do estado e mesmo na sociedade, aumentando ainda mais a sensação de injustiça que existe, sem nenhum beneficio de grande montante (muito provavelmente assistiriamos a um aumento das prestações de serviços e dos próprio gastos correntes em materiais).

Nesse sentido, enquanto procurarmos uma solução genérica, estaremos a perder tempo para encontrar uma solução mais consistente.

Retrato de João Cardiga

A propósito do lançamento das celebrações do centenário da república, o Carlos Santos levanta aqui uma questão que acho de extrema importância: a super-actividade do nosso muy reputado deputado João Galamba.

Num país em que tanto se discute produtividade é sem dúvida pertinente que este deputado nos esclareça qual a fonte de tamanha produtividade. Julgo mesmo que metade da capacidade que o muy reputado deputado apresenta seria suficiente para resolver todos os problemas económicos dos país, e ainda julgo que sobraria alguma coisa para ajudar a nossa amiga Espanha!

Ora pegando no seu CV de muy reputado deputado , contata-se que o mesmo é um zeloso deputado, apenas faltando à primeira reunião ordinária do plenário. Além disso pertence a 4 comissões parlamentares (Comissão de Orçamento e Finanças, Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia, Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à actuação do Governo em relação à Fundação para as Comunicações Móveis) e ao Grupo de Trabalho - Energia e Eficiência Energética!!!

Ok, já seria suficiente para um ser humano, no entanto olhando para a sua declaração de interesses constato que o muy reputado deputado João Galamba ainda consegue ter tempo para:

1) Prestação de serviços Ministério dos Negócios Estrangeiros (Presidência Portuguesa da UE);

2) Prestação de serviços ABC Saude Prestação de serviços na UMCCI (Unidade Missão Cuidados Continuados Integrados);

3) Prestação de serviços na Rádio Televisão Portuguesa;

E quando estava tão cansado de encontrar actividades que este muy reputado deputado executa ainda vejo que o seu curriculum faz parte do conselho coordenador no Forum Novas Fronteiras.

Raios, era capaz de lhe erguer uma estátua com tanto trabalho que executa. Claro que o que o Carlos Guimaraes Pinto levanta e o próprio Carlos Santos desenvolve acerca dos ajustes directos deixa-me com um bocadinho menos de vontade de erguer tal estatua. Muito honestamente eu nem sabia que uma pessoa a nível individual poderia estar contemplado com um ajuste directo, chamem-lhe ignorância mas sempre pensei que tal era dirigido para empresas. É que a "prestação" do muy reputado deputado João Galamba deveria no minimo ter sido lançado em concurso público, pois não vejo onde é que o mesmo muy reputado deputado é único para justificar tal ajuste...

Não sei porquê mas no meio disto tudo tenho a ligeira sensação que me estão a ir ao bolso? Será que alguém me consegue explicar essa sensação?