O blogue de João Cardiga

Retrato de João Cardiga

Para quem me conhece pode parecer estranho o que irei dizer a seguir (visto que não nutro qualquer simpatia pelo PSD), mas na terça-feira fiquei triste com o que aconteceu no PSD.

Embora saiba que na prática signifique que o PSD perderá votos, a verdade é que nesta Terça-feira todos perdemos um pouco. Perdemos principalmente um partido que era uma alternativa baseada na sua famosa pluralidade. Esse já não existe senão uma recordação que se esbaterá com o tempo.

O que fica é um partido centralista, unanimista, conservador, que não respeita liberdade de expressão e cujo critério mais geral foi a troca de favores. Àparte de alguns pormenores (entre os quais o ultimo que referi) tornou-se demasiado semelhante ao PCP. E acabou por ter uma lista de deputados demasiado fraca.

E a minha tristeza nasce disto, embora eu não simpatize com o PSD eu valorizo naturalmente uma concorrência forte. Isto é, para mim uma oposição fraca fará um governo fraco. Em democracia precisamos de partidos fortes com o máximo de competência, mais do que unanimismos precisamos de deputados capazes, de deputados fortes que tenham a capacidade de encontrar respostas inovadoras aos problemas e a capacidade de, em situações limite, saiam fora das malhas da disciplina de voto ou pelo menos com capacidade de fazer auto-critica.

Posto isto, a terça-feira também foi negra por causa das reacções que provocou em quem quis defender a posição do PSD. Começou com os "Spin-doctores" amadores do Jamais e de uma forma inacreditável: desvalorizando as listas, pois o parlamento não serve para nada, sendo os deputados uma cambada de "yes-men" e o que interessa e está em questão é a escolha do primeiro-ministro.

Esta opinião é estranha para mim, pois:

1. Demonstra ignorância: O parlamento é o orgão máximo da democracia, daí ser de vital importância a escolha de bons deputados para que funcione bem. Depois, em Portugal ninguém escolhe ministros mas sim deputados. Podemos ter o "wishful thinking" que estamos a eleger um governo, mas trata-se de apenas isso.

2. Demonstra a visão anti-democrática dos seus autores: O parlamento não serve para nada apenas para quem tem uma visão ditatorial do poder politico. Efectivamente existem regimes que falam a uma só voz e que têm um líder providencial, e onde o parlamento serve apenas para aclamar o seu líder, esses regimes não são democráticos e temos bastantes exemplos. Nunca pensei que ainda existiam pessoas com esta visão em Portugal.

3. Demonstra pouco inteligência: se o objectivo é defender uma lista de "yes-men" a ultima coisa que se deve fazer, para ter alguma coerência na argumentação, é atacar o "yes-menismo".

Fosse este blogue apenas um blogue acéfalo, que o tem demontrado que é (salvo raras excepções), de apoio ao PSD e seria pouco interessante. A questão é que além de já ter uma crónica diária no Diario Económico, também inclui dentro dos seus membros prováveis futuros politicos.

Mas após esta investida amadora, vieram então os "spin-doctores" mais profissionais, como por exemplo o director do Público , em que a justificação vem envolvida da palavra "coesão". Só que existe um problema fundamental neste argumento. É que estamos a falar de uma lista de deputados de um partido! E a coesão é um dado adquirido num partido. É por existir coesão que se forma um partido, é porque existem pessoas que têm uma visão comum e coesa!

Aqui a palavra "coesão" esconde o verdadeiro significado que o autor coloca: unanimismo. E isto é preocupante pois demonstra a fraqueza da Manuela Ferreira Leite (MFL). Só uma líder fraca é que necessita de uma base unanime para poder governar. Só uma líder fraca e autoritária é que elimina vozes discordantes. Se assim foi internamente como será se por acaso a MFL for eleita?

Pela perda de um partido, pelas vozes anti-democráticas que se ouviram, e pela constação que o autoritarismo ainda é bem visto por muitos em Portugal, esta terça-feira foi efectivamente muito negra!

P.S. Uma nota extremamente positiva para alguns blogues como o Blasfémias que demonstram que existem vozes para além do unanimismo cego!

Retrato de João Cardiga

Ainda não tive de ler a fundo o Relatório do Sector Empresarial do Estado de 2009 mas existiu um número que francamente me assustou:

- o valor do Capital Próprio (situação líquida) das empresas do sector de transportes: -3,19 mil milhões de euros!

É que assustou-me que exista uma situação equivalente a 2% do PIB, salvo erro, que não está reflectida na Contabilidade Nacional!

Retrato de João Cardiga

Escreve João Galamba a determinada altura num artigo seu:

"Dado que Ferreira Leite não é liberal, ou seja, não acha que desmantelar o Estado assegura, só por si, crescimento futuro..."

Julgo que esta frase espelha bem um mito que existe e que frases como estas só servem para reforçá-lo. Se fosse verdade o que João Galamba diz, o programa politico de um partido liberal seria o mais fácil de todos e teria apenas o seguinte ponto:

Ponto único: Desmantelar o Estado.

Ora se o João Galamba for ler alguns programas dos partidos liberais europeus verificará que são um pouco mais complexos que isso, e que a fundamentação não passa por uma convicção dogmática assente na permissa que enunciou.

Para além do facto de que um liberal não é necessariamente anti-estado (e eu, e muitos, são exemplo disso) mas sim necessariamente pró-liberdade individual.

A questão é que sempre que delegamos algo ao Estado estamos a diminuir a nossa liberdade de escolha e dessa forma a nossa liberdade individual. Pode parecer um contracenso mas por vezes esta primeira opção pode ser vantajosa para nós (por exemplo a segurança) a nível da liberdade individual global e um liberal não é contra. Por outro lado, existem outras situações em que não existe nenhuma base para que exista essa "delegação" no Estado, como por exemplo no caso da eutanásia, e um liberal defende que a decisão cabe ao individuo e não ao Estado.

Assim seria melhor, para mais num artigo que também foi publicado no Diário económico, não se utilizarem frases simplistas e que não correspondem à realidade, servindo apenas para criar uma falsa realidade baseado num mero mito!

Retrato de João Cardiga

Este video já tem bastante tempo, mas é brutal o que ela diz!

Retrato de João Cardiga

Assisti com interesse a uma breve "discussão" entre Tiago Loureiro (da Rua Direita) e Tiago Ramalho (d'O Afilhado) sobre o liberalismo e o conservadorismo.

Para explicar o meu ponto de vista irei utilizar algumas das frases que foram ditas, começando pelo ultimo parágrafo de Tiago Loureiro:

"Sendo pragmático e olhando para a nossa realidade, mexendo nestas rotulagens ideológicas sempre incompletas e subjectivas, esta parece-me ser a perspectiva mais correcta."

Não concordando com a perspectiva dele, a verdade é que ele foca um ponto que é muito importante: a nossa realidade! E julgo que este é o principal problema da perspectiva dele, é que não tem em linha de conta a nossa realidade. Se o tivesse, rapidamente teria que assumir que é uma impossibilidade real uma pessoa ser-se liberal e conservador ao mesmo tempo.

É que a meu ver e ao contrário do que ele afirma (o conservadorismo como "uma espécie de postura saída da personalidade de cada um") o conservadorismo é uma ideologia. E é no sentido que defende um modelo de sociedade que mantenha os valores conservadores definidores da "cultura" portuguesa (vulgo tradição). Todas as propostas que saem desta ideologia têm esse objectivo, e em Portugal vão buscar as suas raízes ao Estado Novo. Senão vejamos, defendem um Estado securitário (relembrar as politicas defendidas por Paulo Portas), um padrão social e moral monopolista e com raizes na religião católica, em alguns sectores defendem o nacionalismo e defendem menos produção Estatal (no entanto em que o Estado mantém um apertado controlo para continuar a ser Forte) à imagem do Estado Corporativista. Julgo que a principal diferença relativamente ao Estado Novo é o facto de aceitarem a democracia. E finalmente o seu foco de atenção das politicas são sempre grupos (empresa/familias) e não individuos.

Ora tudo isto é o oposto da visão de um liberal. Sendo que o modelo de sociedade defendido pelos liberais é profundamente diferente do anterior. Mais, dado o contexto português, ser-se liberal é ser-se progressista, pois, embora tenham existido algumas medidas liberais, Portugal ainda não vive numa sociedade liberal, pelo que é uma tarefa criar estruturas para modificar a nossa sociedade.

E como o Tiago Loureiro diz: "devemos considerar (...) oposto do progressismo – e nunca um do outro"

No entanto concordo com o que o Tiago Ramalho afirma quanto às definições das diferentes ideologias em Portugal:

"Há em Portugal três grandes ideologias que obtêm a simpatia do eleitorado: a social-democracia, o liberalismo e o conservadorismo."

Efectivamente são essas as três ideologias que abarcam 90% (se não mais) do eleitorado português. Desconfio mesmo que até muitos comunistas, não o são ideologicamente mas apenas afectivamente.
No entanto, e ao contrário do que ele afirma, as duas ideologias em questão não são apenas diferentes mas opostas. No entanto, em politica oposição não significa que a não existência de medidas pontuais em que ambos podem estar de acordo. Aliás essa será a meu ver uma virtude de um futuro Partido Liberal: a sua capacidade de criar pontes em vez de destrui-las.

Uma nota final:

"Seria ideal que se recriasse o espectro: três grandes partidos, ideologicamente bem alicerçados: um grande partido social-democrata, um grande partido liberal e um grande partido conservador."
"Um partido que perfilhe verdadeiramente uma doutrina liberal, em Portugal, não há. E faz falta."

É por isso e para isso que se trabalha aqui no Movimento Liberal Social.

Retrato de João Cardiga

Hoje vi o debate entre António Costa e Santana Lopes. Tenho de admitir que gostei e foi um dos melhores que vi nos ultimos tempos, pelo menos para mim.

Grande parte do tempo foi a discutir números, alguns deles "pornográficos", nomeadamente o crescimento da divida a fornecedores e passivo. Ficou claro como era gerido a Camarã e possivelmente é um tipo de gestão que também existe na Administração Central: se não se tem dinheiro então que sejam os fornecedores a pagar porque a "politica" não pode parar.

É uma gestão irresponsável e que faz com que mais dia menos dia pare mesmo tudo.

Após os números, vieram vários pontos a serem discutidos, mas o momento "alto" e diferenciador das candidaturas veio no fim: o trânsito.

Neste caso tive pena que António Costa não fosse mais longe nas suas propostas, mas pelo menos o seu guideline parece-me o mais correcto. Uma perspectiva de incrementar o custo de quem entra na cidade. Quanto a Santana Lopes, bem, julgo é suficiente a afirmação que teve sobre pessoas que não têm posses e que por isso têm de andar de carro!

Um pequeno àparte, mas que não poderia deixar de referir: Paula Teixeira da Cruz. Para mim é muito estranho, e muito dificil de explicar a escolha do PSD à presidência da Camarã. Além da responsabilidade que Santana tem, a verdade é que pelo trabalho que teve nestes ultimos anos em prol da cidade era de todo natural (e mesmo um reconhecimento do mérito do seu trabalho) ser ela a candidata do PSD.

P.S. Uma coisa deixou-me a pulga atrás da orelha: sendo a Liscont um trunfo enorme que Santana tinha, porque motivo é que ele não o trouxe para o debate?

Retrato de João Cardiga

Para quem desconhece o SIMplex é um blogue colectivo que junta pessoas em apoio à candidatura do PS. Da mesma forma, existe um outro, o Jamais, que junta pessoas em apoio à candidatura do PSD.

Têm existido bastantes discussões, mas uma ultima, que resultou em dois artigos no SIMplex, trouxe uma novidade que a meu ver é quase um serviço publico:

- É que finalmente deixaram de nomear os interlocutores como "liberais" mas sim de "conservadores".

Pode parecer pouco, mas julgo que é um enorme passo no sentido de ficar mais claro a separação que existe entre conservadorismo e liberalismo!

Links:
SIMPlex: http://simplex.blogs.sapo.pt/
Jamais: http://jamais.blogs.sapo.pt/

Artigos:
http://simplex.blogs.sapo.pt/36610.html
http://simplex.blogs.sapo.pt/37169.html

Retrato de João Cardiga

É sempre dificil fazer um primeiro artigo num blogue. Existe sempre a duvida que rumo tomar, e o estupido sentimento de que esta primeira imagem pode condicionar as minhas futuras participações.

No entanto julgo de bom tom que um primeiro artigo sirva para me apresentar. Julgo que a maioria dos escritores deste blogue já me conhecem pelo que este artigo é uma repitição do que já sabem.

Bem a verdade é que embora ache que me deva apresentar é para mim muito dificil fazer uma analise objectiva de quem eu sou. Por isso fica apenas uma breve descrição: sou uma pessoa que gosta de liberdade e que acha que a politica é como o "caminho" de Manuel Alegre: faz-se caminhando, neste caso mais concretamente, agindo.

Como eterno critico do actual sistema politico e de alguns politicos não podia mais estar apenas a criticar pelo que tomei o passo seguinte e integrei este grupo.

Aqui neste espaço venho para expressar a minha opinião, ideias ou sugestões. Venho para debater e ser debatido e espero poder vir a ser uma mais valia para este espaço que por si só é uma mais valia na blogosfera.

Venho obviamente para defender o liberalismo, tarefa essa que não é fácil, principalmente em Portugal!