O blogue de Hugo Garcia

O Secretário de Estado dos Transportes, Carlos Correia Fonseca, fez uma análise sobre o Metro de Lisboa e demonstrou uma forte incapacidade de pensamento sistémico.

As estações periféricas são pouco utilizadas enquanto que troços centrais têm uma elevada utilização.
E desta observação e de uma análise muito linear, o Secretário de Estado, concluiu que não faz sentido investir nas periferias, mas sim investir na área central.
Ora bem, isto pode fazer sentido numa análise linear, mas não faz qualquer sentido numa análise sistémica.

Ora vejamos. Se existisse uma única linha de metro, a utilização dos troços centrais seria sempre superior aos da periferia. Isto porque quem viaja entre as estações periféricas, utiliza os troços centrais e quem utiliza as linhas centrais pode não usar a periferia da rede.

Ou seja, a forma das estações e troços periféricos passarem a ser mais utilizados é deixarem de ser periféricos e para isso é necessário prolongar essas linhas. Logo aqui, a análise do Secretário de Estado perde o sentido.

Mas há mais. As redes de transporte só são eficientes quando funcionam efectivamente em rede.
E neste aspecto o metropolitano de Lisboa ainda está muito atrasado. Apenas no centro de Lisboa existe uma rede, no espaço compreendido entre as estações: Marquês de Pombal, Baixa-Chiado, Alameda e Campo Grande. Assim sendo é natural que as linhas compreendidas entre estas estações sejam muito utilizadas, pois são elas que ligam todas as outras.

Imagine-se, a título de exemplo (não é uma proposta), que existia uma linha a dar a volta a Lisboa que ligasse Santa Apolónia, Gare do Oriente, Odivelas, Amadora Este e (depois de dar a volta a Monsanto) viesse dar a Algés, ligando com o Comboio da Linha de Cascais. Esta linha iria tirar muita da circulação dos troços centrais e iria dinamizar fortemente as estações que hoje são periféricas.

Portanto, o que resolveria o problema enunciado pelo secretário de Estado não é o que ele propôs, mas exactamente o oposto.

artigo:
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1458173

Para alguns públicos as referências de Portugal são o Ronaldo, as sardinhas e o benfica.

Para os outros uma das maiores referências Portuguesas é o Hot Clube.

O Hot Clube é uma referência da qualidade na música JAZZ não apenas para Portugal, mas para toda a Europa.
Pela sua antiguidade, pela sua história, por todos aqueles que lá passaram e por todos aqueles que lá aprenderam sobre música é um dos grandes motivos de orgulho na nossa cultura.

Para além de uma referência cultural é também uma escola de música extremamente conceituada. Em Portugal, quem deseja aprender música clássica vai para o conservatório, quem quer aprender música Jazz vai para o Hot Clube.

É verdade que o Hot Clube não é para toda a gente, mas isto porque o Jazz não é para toda a gente.

Não acho que ninguém seja menos por apenas apreciar a música dita Pimba ou a música da Popóta, mas desce na minha consideração quem vê com indiferença arder um dos maiores (para não dizer o maior) marcos de cultura do mundo em Portugal.

Sabem? É que foi no Hot Clube que eu, como tantas outras pessoas, aprendi a ouvir jazz. Numa típica sexta-feira, em que pessoas se amontoavam nas escadas para conseguirem ouvir Jazz do melhor ao vivo, consegui perceber que todos aqueles sons que pareciam desnorteados, cada um para seu lado, na verdade completam-se numa harmonia constantemente inesperada.

Por alguma razão inexplicável, a música, especiamente o Jazz sabe muito melhor se for consumido no momento da sua concepção.

Mas a cultura é muito mais do que esse prazer egoísta de quem a faz ou de quem a consome.

Após a II Grande Guerra, o Mundo estava decepcionado com a Europa e com toda a cultura Europeia. Toda a imagem de sofisticação, civilização e altivez tinham sido arrasadas por uma guerra bárbara. Já ninguém olhava para a Europa como o exemplo a seguir e as referências culturais começaram a vir, como nunca antes, de África e da América.

A leveza da valsa foi substituída pelo peso das danças sul-americanas, a ordem e a pureza dos grandes bailados foram trocadas pelas expressões intensas das danças africanas.

E a música clássica, que era tocada em grandes salões para públicos selectos, tentando os músicos ser o mais fiéis à sua pauta seguindo valores de rigor e perfeição foi substituída por essa música dita de selvagens que era o jazz. Em caves escuras e cheias de fumo, como o foi durante décadas o Hot Clube, grandes músicos espalharam pela Europa a arte do improviso na música. Brancos e negros, ricos e pobres aprenderam a ouvir essa música que alcança a excelência sem nunca parar de criar, sem nunca parar de improvisar.

O Jazz encheu o planeta de ritmo durante todo o século XX, mas foi num contexto de pós-guerra que realmente aprendemos a apreciá-lo.

Ouvir e apreciar Jazz ajuda-nos a lembrar que a excelência encontra-se na diversidade, na compreensão entre os povos e que temos sempre espaço para inovar e improvisar.

Por favor, respeitem a cultura

P.S. Não sei quanto custa a renda da cave utilizada pelo Hot Clube. Mas sinceramente, de que é que isso interessa quando o valor do que se produz lá dentro é tão elevado?

Gostei muito deste texto de Fernanda Câncio que revela a forma como a nossa sociedade trata as nossas mulheres no contexto de violência doméstica.
O texto merecia ser publicado por si. Mas acho que neste momento cai ainda melhor já que "nos consideramos" tão superiores aos islâmicos pela forma como tratamos as mulheres.

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A mulher tinha 35 anos. Foi executada a tiro pelo marido, de 41, na manhã de domingo, em Montemor-o-Velho. Nada de novo; só nas últimas duas semanas foram pelo menos cinco as portuguesas baleadas, esfaqueadas, mortas à pancada pelos maridos, namorados, companheiros, ex-maridos, ex-namorados, ex-companheiros.

Esta chamava-se Manuela Costa. A mulher morta - é assim que lhes chamam nas notícias - estava separada do marido há um ano mas continuava a receber visitas dele na sua casa para a espancar. A mulher morta foi pela primeira vez no domingo - dizem as notícias que era a primeira vez, seria?, mas dizem também que "toda a gente" sabia o que se passava - fazer queixa à GNR após mais uma sessão de pancada. Com ela levou a filha mais nova, cinco ou seis anos. No posto, chamaram uma ambulância. Há notícias que dizem que os guardas pediram uma patrulha para a acompanhar. Mas nenhuma patrulha seguiu a ambulância: quem a seguiu foi o marido. A ambulância voltou para trás e parou junto ao posto. O homem também. Saiu do carro, armado com uma caçadeira, e matou a mulher. Dentro da ambulância. À porta da polícia. Na ambulância perseguida, que tem rádio e telemóveis, ninguém alertou as autoridades para a perseguição e para o perigo? E, se o posto foi alertado, como é que não estavam guardas cá fora à espera? E, se os guardas estavam à espera, por que não fizeram nada?

Mas esperem: ainda não acabou. Há uma mulher morta dentro de uma ambulância, uma criança ferida junto à mãe morta pelo pai, isto tudo à porta de um posto da GNR, e que se passa a seguir? Passa-se que os agentes da GNR tiram a caçadeira ao assassino e levam-no para dentro do posto, sem sequer o algemarem, sem sequer o revistarem. Dentro do posto o homem saca de outra arma e dispara. Um guarda morre, outro é ferido. Dizem-me isto as notícias, dizem-me até que o sindicato dos profissionais da GNR se queixou perante isto de "falta de meios". Falta de - eu li isto? - "coletes à prova de bala".

O sindicato não disse "tem de haver um apuramento de responsabilidades, uma pessoa não pode ser morta à porta de um posto da GNR depois de ter feito queixa do homem que a matou". O sindicato não disse "a polícia serve para proteger as pessoas e para cumprir a lei, isto nunca podia ter acontecido." O sindicato não disse "queremos saber como foi possível que aquele homem entrasse armado no posto e matasse o nosso colega". O sindicato não disse nada disto e o ministro da Administração Interna, que tutela a GNR e os bombeiros, também não. Se disseram não ouvi, não li, não sei. Como não sei de anúncio de relatório público sobre o que sucedeu, ou de garantia de que os filhos desta mulher vão ser indemnizados pelo Estado à guarda de quem estava quando foi assassinada.

Mas se calhar é isso: Manuela devia ter um colete à prova de bala. Devia ter nascido com ele. Ela e a filha: coletes à prova de bala, à prova de pancada, à prova de estupidez e de selvajaria, à prova da indiferença dos que sabiam e não fizeram nada, à prova da bonomia com que o homem que a matou foi tratado pelos guardas que não souberam guardá-la, da bonomia com que se olha para a morte desta mulher que estava à guarda do Estado, que nos pediu, a todos nós, que a protegêssemos. Da ironia de sabermos que o que há de novo aqui é isto: um matador de mulheres afinal também pode matar homens. Polícias, até. Se calhar é um assassino.

Todos nós em diferentes fases da vida sentimos a necessidade de fazer certas perguntas:
O qué é ser Humano? De onde vimos? Para onde vamos depois da morte? Qual é o sentido da vida? Qual o meu papel no mundo?

Quando e se fizeres estas perguntas estás a fazer o que se chamou de “Re + Ligare”, o exercício de procura de uma ligação. Hoje chamamos a esta procura “Religião”.

Algumas pessoas praticam este exercício (religião) sozinhos, outros praticam-no em grupos, mas a experiência é sempre diferente de pessoa para pessoa.

Umas pessoas aceitam “verdades”, outras não, uns acreditam em seres mais ou menos cientes, mais ou menos potentes, mais ou menos presentes e outros não acreditam em nenhum tipo de ser superior. Uns acreditam em mitos enquanto outros procuram factos.

Mas nada há de errado quando cada um é livre de escolher a sua religião.

Infelizmente, a Liberdade Religiosa ainda não é uma realidade nem nos países ditos livres e democráticos. Há sempre alguém que tenta destruir a tua liberdade religiosa.

Há sempre alguém que te diz saber a verdade e que fará tudo para destruir a tua religião. Alguém que te chamará de ignorante, que te acusará de te terem feito uma lavagem ao cérebro, alguém que te dirá que só eles têm a verdade absoluta e que só eles te podem salvar.

Mas contra esses precisas de lutar. Quer te ameacem com o inferno, ou te façam julgamentos de valor, deves defender a tua liberdade religiosa a todo o custo.

A essas vozes carregadas de ódio deves ripostar e deves recusar, pois a tua religião é o que mais de profundo tens dentro de ti. Mais profundo que a liberdade de expressão, mais profundo que a tua liberdade de pensamento é a tua liberdade de sentires o significado do teu ser.

Lutares pela tua liberdade Religiosa é lutares por quem és.

Lutares pela tua Liberdade Religiosa é lutares pela Liberdade Religiosa de todos nós.

Dá-lhes Luta.

Afinal o Saramago sempre se excedeu.
O próprio admitiu. Portanto, esse ponto está decidido.

A outra questão é se a Bíblia é um manual de maus costumes. O próprio Saramago disse que isso é um mau comentário que não devia ser levado a sério. Algo como uma liberdade de autor. Portanto, não é para ser levado a sério.

Outro ponto discutido é se a bíblia deve ser lida à letra e o representante da igreja presente no debate disse que a bíblia não é para ser discutida à letra.

O Saramago disse ainda que não gosta de criar polémica gratuita indicando que esse comportamento não é correcto.

Falta saber então porque o fez.

O direito ao respeito também é uma liberdade.

A Malta precisa é de polémicas.

E como os nossos problemas estão todos resolvidos e o meu presidente de Câmara não é um corrupto condenado à prisão, então a Malta arranja umas polémicas importantes.

A mais interessante é sem dúvida a do Pingo Doce. É fascinante discutir se aquele anúncio é bom ou não. Alterou-se ligeiramente o público-alvo e reforçou-se um valor que antes estava mais discreto e ficou instalada a polémica.

A outra polémica foi criada por Saramago. Preocupado com as vendas do seu novo livro, o autor viu-se obrigado a investir contra o seu inimigo histórico - a Igreja.

Nesta guerra de liderança tudo indicava que o Pingo Doce estava na liderança com t-shirts sob o tema e vários artigos de imprensa enquanto saramago sofria reduzido à blogosfera uns pequenos aparecimentos num jornal.

Eis senão quando, sai do anonimato um euro-deputado disparado a dizer a Saramago "Ai queres deixar de ser Português? Então Vai-te lá embora que a gente deixa."

A pergunta fica: Deixamos ficar o Pingo Doce que gosta de Portugal e mandamos o Saramago embora?
Ou obrigamos o SAramago a ficar contra a sua vontade e expulsamos o anúncio patriota que foi feito por um publicitário brasileiro de quem os portugueses não gostam?

O pseudo-intelectualismo regojiza-se em glória neste momento de vitória.

Eu gostaria de, numa discussão de competitividade, comparar-nos com a Finlândia, a Suécia, o Canadá ou a Holanda.

Mas por questões óbvias não o posso fazer. Infelizmente tenho de fazer a comparação com países bem menos desenvolvidos: República Checa, Ucrânia, Singapura, Roménia, etc.

A grande ameaça que temos pela frente é que a maioria destes países está em franca fase de crescimento e tal como a Polónia, há uns anos atrás, a maioria deles está a passar-nos à frente.

Na competição pelo investimento um dos factores a que devíamos dar importância e não estamos a dar é a idade média da classe profissional executiva.

Um país onde a média das idades dos profissionais ronda ou ultrapassa os 40 anos de idade, não tem a mesma capacidade de inovação ou adaptação à mudança que um país onde a idade média se aproxima dos 30.

De um dos lados da questão temos a idade da reforma que ao aumentar veio manter nos empregos pessoas mais velhas, que ainda que tenham a experiência a adicionar são pessoas mais resistentes à mudança e até menos produtivas.

Do outro lado da questão temos o fim da idade de educação. Se por um lado, é positivo haver mais ensino por outro, houve um falhanço claro nos objectivos de Bolonha. Segundo as ideias iniciais, os jovens estudantes tiravam em 3 anos um bacharelato e isso deixava-os prontos a trabalhar.

Contudo, as universidades não colaboraram com isto, chamaram licenciatura ao bacharelato (embora no estrangeiro continue a chamar-se bacharel) e criaram mestrados integrados que acabam por ter o mesmo que as licenciaturas antigas, acrescentando-lhe uma tese. Claro que entretanto o mestrado perdeu o seu valor quando deixou de ter pessoas com experiência profissional.

Claro que os estudantes colaboraram com isto, pois com o seu medo de enfrentar o mercado de trabalho quiseram todos ser mestres e agora temos milhares de mestres sem experiência profissional.

Se não forem tomadas medidas para reduzir a idade média da classe profissional, Portugal não conseguirá competir num mercado de elevada inovação e mudança.

Nunca me identifiquei como socialista nem gosto particularmente do PS, mas os elogios merecidos também devem ser dados, mesmo quando aos “adversários” e para mim este governo foi o melhor governo que eu alguma vez vi a trabalhar em Portugal.

Bem, a minha memória não irá muito longe já que a minha consciência política data apenas dos governos de Cavaco Silva, mas penso que os imediatamente anteriores também não foram muito melhores.

O mandato de Sócrates que agora chega ao fim teve alguns falhanços notórios: a avaliação dos professores ainda não teve sucesso, o governo subiu o imposto em vez de descer como tinha prometido e devido em parte a questões incontroláveis não conseguiu atingir a meta dos 150 000 empregos. Tenho também pena que tenha caído o inicial ministro das finanças Campos e Cunha.

Mas este foi o único governo que teve uma visão estratégica no verdadeiro sentido da palavra.

Se estratégia é a arte de pensar o conflito no longo prazo, uma visão estratégica é uma orientação para a competitividade do país no longo prazo.
Por longo prazo, entenda-se para além do horizonte da mudança. Isto significa que o longo prazo de um contexto inter-nações é diferente do contexto inter-empresas.

Fica então a pergunta: o que se pode fazer hoje para tornar o país competitivo em 2025?

James Canton é um dos consultores mais conceituados nesta área, tendo como currículo 30 anos na Casa Branca. Canton, na sua obra de referência “Extreme Futures” identifica os principais factores de competitividade das nações para os próximos anos: guerra dos talentos, energias alternativas, nano-tecnologias e literacia informática.

Para atrair os talentos foi criado o MIT-Portugal. Nas energias alternativas os investimentos foram diversos e inquestionáveis. Para as nano-tecnologias foi criado em Braga o Centro Ibérico de Nano-tecnologias. E para combater a info-exclusão todas as crianças são introduzidas à informática desde a primária.

O trabalho que este governo fez baseado em visão estratégica é inquestionável. É visível e se por um lado, Portugal ainda tem problemas estruturais a nível estratégico está bem posicionado.

Dentro da área do turismo foi também corrigido o erro crasso de tentar atrair o turismo barato. O turismo que interessa é o de classes mais altas e o de cultura e esta é a nova perspectiva.

Mas não aceitem a minha análise sobre o assunto.

Aconselho o artigo de Manuel Pinho (a figura deste governo na minha perspectiva ), do suplemento de economia do Expresso do passado 5 de Setembro e confrontem com o autor James Canton.

Não sei se Pinho leu ele próprio o livro, mas tenho a certeza que as pessoas que o aconselham leram.

Nestas eleições não irei votar baseado em ideologia, mas sim recompensar o que considero um trabalho bem feito.

Eu não li, mas o Marcelo Rebelo de Sousa também não.
Pode parecer improvável visto que estamos a falar da pessoa do PSD que lê tudo o que há para ler, mas tudo indica que o professor nem teve acesso ao documento.

Quando lhe pediram para falar sobre o programa ele disse que o programa era inteligente e eficaz. Ora aqui estão dois adjectivos que não nos dizem absolutamente nada e que podiam ser utilizados para descrever o guião do “Noddy”.

Mas Marcelo justifica os seus adjectivos através de três características.

A primeira é que é global. Vai aos principais pontos das questões políticas.
A meu ver isto não é uma qualidade, mas sim um requisito para se chamar um programa político.

A segunda vantagem enumerada é igualzinha à primeira: aborda a maioria dos grupos em Portugal. Ora bem, se já abordava a globalidade dos problemas é natural que também aborde a globalidade dos grupos e dos portugueses.

A terceira vantagem conforme enumerada pelo professor é o verdadeiro ex-libris: é um programa feito para duas legislaturas. Uau. Isto significa que todas as asneiras feitas nos próximos 5 anos estarão justificadas à partida, porque era suposto serem resolvidas no segundo mandato.

Ora bem. Eu também não li o programa do PSD e mesmo assim conseguia fazer um discurso bastante melhor e também em 3 pontos. Ora vejam:

“1 - O programa do PSD é uma solução. Apresenta resposta a todas as grandes discussões que ficaram por resolver durante o governo de Sócrates.

2 – O programa do PSD é uma solução global. Não vê o trabalho de cada ministério isolado, mas antes analisa os desafios de Portugal como um todo.

3 – O programa do PSD é uma solução global para o futuro, pois tem uma visão que vai muito além do presente e do seu mandato. O trabalho que será feito neste mandato será sentido ao longo de várias décadas.”

Caro Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Confesse. Nunca leu o programa, pois não?

E nem sequer teve tempo para preparar um discurso decente. Enfim, desenrascou-se

Os carros eléctricos não são uma boa forma de combater o aquecimento global ao contrário do que possa pensar a opinião pública. Nem tão pouco são ps veículos automóveis mais eficientes energéticamente.

Contudo, são uma excelente forma de reduzir a poluição atmosférica, especialmente nas cidades e poderão fazer parte de uma vantagem competitiva para Portugal.

Os investigadores da área não consideram que esta seja uma solução com grande futuro e têm razões para tal.

Os carros eléctricos alimentam-se, como sabemos, da rede eléctrica nacional. A energia eléctrica é produzida de diversas formas, algumas poluentes e outras não poluentes. Mas enquanto as não poluentes são utilizadas ao máximo o consumo marginal é mantido pelas mais poluentes.

O carvão, por exemplo, é mais poluente que os derivados do petróleo. Se considerarmos que a energia potencial do carvão tem de ser transformado em calor, para ser transformado em movimento, para ser transformado em energia eléctrica, para ser transportado ao ponto de abastecimento e de seguida armazenada em baterias até ao momento de se transformar novamente em movimento chegamos à conclusão que as perdas em todas estas fases tornam os veículos eléctricos muito menos eficientes e muito mais prejudiciais para o ambiente que os motores convencionais. Simplesmente, não poluem as cidades.

O modelo que neste momento aparenta ser mais eficiente é um de três formas de alimentação: combustível, alimentação eléctrica por extensão (como um carro eléctrico) e auto-produção (como um veículo híbrido).

O motor eléctrico é muito mais potente e mais eficiente para velocidades inferiores a 30 Km/H (aproximadamente). O problema é que um motor de combustível que tenha, por exemplo, 115 cavalos, só atinge essa potência a uma elevada rotação. Por outro lado, um motor eléctrico tem uma entrega de potência máxima desde o primeiro instante. Os carros super-desportivos eléctricos são de tal forma potentes no arranque que têm de ser limitados ou tornam-se inguiáveis.

Já em viagem o motor a combustível consegue ser mais eficiente e menos prejudicial para o ambiente.

Os sistemas que permitem carregar as baterias através das travagens, da energia solar ou de pequenas perdas energéticas como o calor dos travões, aumentam a eficiência e a autonomia do veículo notoriamente.

Naturalmente, a nível de conforto e de potências estes carros estão à altura dos condutores mais exigentes, já que são suaves no pára arranca e combinam potência de forma optimizada.

Mas, voltando aos carros eléctricos, é necessário perceber que faz sentido a aposta do governo Português nestes veículos.

Idealmente, Portugal conseguiria atingir 100% de produção eléctrica através de energias renováveis tornando Portugal 100% verde e altamente competitivo, por apresentar vantagens às empresas e investidores em Portugal. Nesse cenário, os carros eléctricos seriam totalmente amigos do ambiente.

Por outro lado, carros eléctricos são mais económicos que veículos a combustível, e como Portugal é dos países da Europa com maior potencial para Energias Alternativas, consegue oferecer mobilização a baixo preço, sem desrespeitar as normas ambientais europeias. Algo que só será possível noutros países da União Europeia recorrendo à energia nuclear.

Por outro lado, é fundamental para a economia Portuguesa que se reduza a nossa dependência do Petróleo. Ao reduzirmos a dependência, conseguimos também reduzir o seu preço e assim controlar a inflação. Embora, tal não deva ser feito a um nível nacional mas sim, de cooperação e acordo com outros países.

Outra grande vantagem estratégica para Portugal, ao investir nos carros eléctricos é o investimento e avanço feito numa tecnologia crescente. Tanto as baterias como os motores eléctricos têm muito a evoluir e os seus mercados irão ter um crescimento exponencial nos próximos anos. Esta é uma forma de ganharmos uma forte posição competitiva num mercado emergente.

Por último, ninguém vai investir em energias alternativas se não tiver uma garantia de consumo. A existência de veículos eléctricos garante o retorno a todos aqueles que investirem em energias alternativas, seja ao nível de investigação tecnológicas ou do cidadão que coloca um painel solar na sua casa para vender energia à rede.

Se por um lado, não podemos ter a fantasia que com os carros eléctricos vamos salvar o planeta, podemos aplaudir o investimento estratégico e visionário do Governo Português.